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ANÁLISE DO EFEITO DA TERAPIA WATSU No comportamento do sistema nervoso AUTÔNOMO ATRAVÉS da variabilidade da freqüência cardíaca. 

J. S. Lima *, N. C. Figueira*, C. S. Oliveira.*, L. V. F. Oliveira* 

* Laboratório de Distúrbios do Sono /Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento – IP&D

Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, São José dos Campos, Brasil 

 

 

Abstract: This study does a quantitative evaluation of the activity of the sympathetic and parasympathetic nervous system, before and after the Watsu therapy, through the software BioExpress (Heart Rhythm Instruments, Inc., IT USES), what analyses the autonomic nervous system through the heart rate variability. This method has been used to mensure the activity of the autonomic nervous system in several situations.  The study shows that Watsu therapy is efficient in the optimization of the levels of the autonomic nervous system.

Key words: Autonomic nervous system, Hidrotherapy, Heart rate variability. 
 

Introdução 
 

     A análise da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) tem sido empregada como recurso para a mensuração da atividade do sistema nervoso autônomo (SNA) em diversas situações, baseando-se na identificação da força das bandas de baixa e alta freqüência da função espectral dos intervalos R-R da freqüência cardíaca (FC) [1]. A literatura científica mostrou que o tônus parassimpático está relacionado à banda de alta freqüência que controla o estado de repouso, enquanto o exercício é associado a uma ativação simpática, ligada à banda de baixa freqüência [2]. O SNA tem um papel importante na mediação das alterações cardiovasculares provocadas pelo estresse. O estresse se faz presente em todas as reações do organismo desencadeadas por agressões de ordem física, psíquica ou infecciosa [3].

    O Nerve-Express (NE), ferramenta utilizada neste estudo para a avaliação dos resultados da terapia Watsu, é um sistema computadorizado totalmente automático e não-invasivo, destinado à análise quantitativa da atividade do sistema nervoso simpático (SNS) e parassimpático (SNPS) baseado na análise da VFC. A resposta cardíaca é analisada a partir de um dos principais parâmetros do período de transição – a reação cronotrópica miocárdica (ChMR). Quanto maior e mais rápida a resposta, mais saudável é o sistema cardiovascular e a compensação vascular periférica (CVP), ou seja, mais rápida é a compensação através do retorno da FC ao seu nível de repouso [4].

      Este equipamento utiliza dois métodos de avaliação das funções vitais fisiológicas, baseado em diferentes tipos de análise da VFC: o Nerve-Express e o Health-Express. A interpretação dos valores de banda pelo Software do Nerve-Express expressa os níveis de atividade do SNS e SNPS a nível fisiológico, com o indivíduo nas posições supina e ereta, indicando se estes sistemas estão atuando normalmente (nível médio de atividade) ou se suas atividades encontram-se diminuídas ou aumentadas.  

     O Health-Express utiliza um tipo diferente de análise da VFC para a mensuração do estado geral de saúde, ou seja, os níveis de aptidão física, bem estar e capacidade funcional através de um fitnograma marcado com 91 pontos, que pode registrar o nível de aptidão física ou capacidade funcional.

     A hidroterapia é uma forma de tratamento que utiliza movimentos específicos em imersão na água. O Watsu, objeto deste estudo, é uma modalidade de hidroterapia. Os seus movimentos e posturas são realizados pelo terapeuta, associados aos benefícios da água aquecida a 35oC, promovendo um profundo relaxamento [5]. Essa terapia física melhora a flexibilidade e a mobilidade dos tecidos através de massagens, alongamentos e  mobilizações rítmicas, possibilitando a redução do tônus muscular, tendo como conseqüencia o bem-estar físico e psicológico, devido à alterações no SNA [6]. 
 

Materiais e Métodos 
 

  A presente pesquisa trata-se de um estudo clínico, prospectivo, consecutivo, em base individual do tipo descritivo, caracterizado como série de casos.

  Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa – CEP da Universidade do Vale do Paraíba - UniVap sob o número H031/2006/CEP, sendo acatado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de todos os participantes.

  Como sujeitos da pesquisa, foram triados 28 indivíduos sadios de ambos os sexos, adultos, estudantes da Univap, São José dos Campos – SP.

  Foram adotados como critérios de exclusão: indivíduos com alterações relacionadas com alergia ao cloro ou labirintite devido à flutuação e balanço e, o não consentimento na participação do estudo.

   Para a realização do teste do Nerve-express, o paciente permanecia deitado sobre uma maca em decúbito dorsal com os membros relaxados ao longo do corpo e os olhos fechados, com um sensor torácico do tipo Polar que consiste em uma cinta capaz de detectar as variações da freqüência cardíaca, sendo posicionado em torno do tórax do examinado ao nível do processo xifóide. O sensor do software foi preso ao corpo do indivíduo e conectado ao microcomputador através de um cabo. Este sensor enviava ao microcomputador as informações sobre os intervalos R-R que eram captados pela cinta do Polar e interpretados pelo software Nerve-Express gerando um gráfico na tela. Este procedimento durava aproximadamente 3 minutos, sendo que após este período o sistema emite um sinal para que o examinado passasse à posição ereta. O mesmo permanecia assim, relaxado, por mais 3 minutos aproximadamente sem realizar nenhuma atividade específica.

  O período de transição (intervalos R-R de 192 a 256) entre a posição supina e ereta, define um ponto mínimo e um máximo do processo transicional, o que permite uma maior grau de apuração na determinação dos níveis de reação cronotrópica miocárdica, que é a base na avaliação dos níveis de reserva de adaptação cardíacos, caracterizando a porção inferior da curva, e a compensação vascular, caracterizando a porção superior da curva.

  A reação cronotrópica é classificada em 7 categorias: 1-ChMR alta; 2- ChMR normal; 3- ChMR próxima do normal; 4- ChMR levemente reduzida; 5- ChMR moderadamente reduzida; 6- ChMR com redução significante e 7- ChMR com redução aguda.    

  Os sujeitos foram submetidos a uma sessão de 40 minutos de Watsu, tendo sido realizado o exame, com o Nerve-express, imediatamente antes e após a terapia. 
 

Resultados 
 

  Foi observado um desequilíbrio do sistema nervoso autônomo, com ativação do sistema nervoso simpático em 100% dos avaliados. No exame de aptidão física todos os sujeitos obtiveram níveis baixos de funcionamento dos sistemas fisiológicos e reserva de adaptação.

  Ocorreu um aumento de 8% no nível de atividade do SNA e um aumento de 68% nos valores do nível SNPS após a Terapia Watsu.   

  A maioria dos pacientes analisados neste estudo foi classificada em categorias que indicam estados patológicos e/ou de desequilíbrio do SNA, exceto um, o qual foi classificado na categoria 3, que também corresponde a uma categoria de ativação simpática.

     Em relação à ChMR, observou-se que dezesseis indivíduos (57%) se encontravam nas categorias 4 ou 5 que representam reações cronotrópicas leves e moderadamente reduzidas respectivamente, evoluíram para as categorias 3 ou 4 que correspondem, respectivamente, à próximo da normalidade e levemente reduzida. A categoria 4, que indica uma diminuição do SNPS associada a um aumento do SNS concentrou 21 sujeitos (75%) antes da intervenção, representando a maioria deles.

     Na avaliação do SNS foi observada uma diferença nos valores médios quando comparamos antes e após a terapia Watsu, entretanto estatisticamente não significativa.

     Ao realizarmos o teste t-student pareado para os valores do SNPS antes e após intervenção com a terapia Watsu, observamos uma redução estatisticamente significativa com um valor de p< 0,02 para um nível de significância de 0,05 em um intervalo de confiança de 95%.  
 
 

Tabela 1– Médias de atividade total do SNPS e SNS

                  dos individuos 
 

WATSU

SNPS TOTAL

SNS TOTAL

Pré

-0,89

1,42

Pós

-0,28

p < 0,02

1,53

ns  

 
 
 

  

Gráfico 1– Médias de atividade total do SNPS e SNS

                   dos indivíduos.        

    

     Vários sujeitos analisados neste estudo apresentaram uma melhoria do nível de funcionamento dos sistemas fisiológicos, sendo que apenas cinco sujeitos se encontravam com a avaliação dos sistemas fisiológicos acima do nível médio antes da terapia Watsu. Após a realização da intervenção observamos que nove indivíduos passaram a apresentar os níveis acima de médio para o funcionamento dos sistemas fisiológicos.

     Todos os indivíduos analisados neste estudo foram classificados pelo Software Health-Express na região do fitnograma que indica os níveis de funcionamento dos sistemas fisiológicos e de reserva de adaptação.

     Ao realizarmos o teste t-student pareado para os níves de funcionamento dos sistemas fisiológicos e de reserva de adaptação antes e após a Terapia Watsu observamos um aumento estatisticamente significativo com um valor de p<0,007 para um nível de significância de 0,05 em um intervalo de confiança de 95%. 
 

Discussão 
 

     Os resultados do nosso estudo mostraram que todos os sujeitos avaliados pelo software Bio-Express apresentaram desequilíbrio no SNA, sendo classificados em categorias que correspondem a situações críticas de estresse, o qual pode ser físico e/ou psicológico, o que pode ser confirmado através dos baixos níveis de aptidão física e reserva de adaptação dos mesmos [7].

       Após a Terapia Watsu ocorreu um incremento relativo nos níveis do SNS (8%) e significativo nos níveis do SNPS (68%), aproximando estes do estado de equilíbrio, pois antes da terapia, o SNS encontrava-se em níveis mais elevados que o SNPS [8].

  Os valores do SNS apresentaram alteração positiva nos valores médios, mostrando que a técnica usada como terapia induz ao estado de relaxamento [10]. 

  Com relação à ChMR, os dezesseis indivíduos (57%) se encontravam nas categorias 4 (levemente reduzida) e 5 (moderadamente reduzida), evoluíram para as categorias 3 (próxima da normalidade) e 4 (levemente reduzida), caracterizando uma melhora na reação de adaptação do coração à mudança de postura, após a terapia, como proposto por Campion [9]. 
 

Conclusão

     

      O software Nerve-Express, destinado à análise da VFC, se mostrou uma ferramenta eficaz para a identificação dos níveis de atividade do SNA.

  O fato dos resultados apresentados neste trabalho confirmarem o que é descrito na literatura caracteriza que a análise da VFC através do software Nerve-Express consiste em um novo método, eficaz e não invasivo, para a identificação de problemas relacionados ao SNA.

  Os resultados apresentados mostram que a Terapia Watsu se mostrou eficiente no aumento do SNPS o que caracteriza uma importante redução do nível de estresse, em sujeitos sadios, pela indução ao estado de relaxamento e recuperação de energia. 
 

e-mail: joselima_fisio@hotmail.com 

Referências 
 

    [1 ]Notarius, C. F.; Floras, J. S. Limitations of the use of spectral analysis of heart rate variability for the estimation of cardiac sympathetic activity in heart failure (2001). Europace, v. 3, p. 29-38.  
     

    [2] Guzzetti, S.; La Rovere, M.T.; Pinna, G.D.;  Maestri, R.; Borroni, E.; Porta, A.; Mortara, A.; Malliani, A. Different spectral components of 24h heart rate variability are related to different modes of death in chronic heart failure (2005). European Heart Journal, v. 26, p357-62.  
     

    [3] Aidley, D. J. The physiology of excitable cells(1998). 4ªed., Cambridge University Press, NY, 228p. 
     

[4] Berne, R. M.; Levy, M. N. Physiology (1998). 4ªed. Mosby. 11431p.

[5] Becker, B.E.; Cole A.J.: Terapia Aquática                     Moderna (2000). Ed.1, São Paulo, Manole, 186p.

[6] Dull, H. Watsu: Exercícios para o corpo na água    (2001). 1ª ed. São Paulo, Ed Summus Editorial. 
 

[7] Floras, J. S. Sympathetic activation in human heart failure: diverse mechanisms, therapeutic opportunities (2003). Acta Physiol Scand, v. 177, p. 391-398.  
 

[8] Maliani, A.; Montano, N. Emerging role of cardiovascular sympathetic afferents in pathophysiological conditions. Hypertension (2002). v. 39, p. 63-68.

[9] Campion, M.R. Hidroterapia: Princípios e prática (2000). São Paulo: Ed. Manole.

    [10] Caromano, F.A.; Nowotny, J.P. Princípios físicos que fundamentam a hidroterapia (2002). Fisioterapia Brasil. São Paulo, vol.3, n°6, p.394-98.