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Natação para crianças: segmentação é alternativa

Investimento inicial é de R$ 110 mil, além do ponto comercial


 
 

A segmentação de escolas de natação têm sido alternativa encontrada pelos empreendedores dispostos a investir neste setor. Uma opção é a abertura de escolas focadas no público infantil, de zero a 12 anos. Com investimento inicial de R$ 110 mil, o empreendedor pode atender a pais e crianças, mas deve procurar oferecer bons profissionais e equipamentos adequados à prática desportiva.

Professor de natação e empresário, Roberto Feldman trabalha com crianças há 30 anos. Inicialmente, deu aulas em colégios particulares de São Paulo. O passo seguinte foi abrir seu próprio negócio, a Água Doce Natação, com foco nos pequenos, há 20 anos. Com a esposa Márcia, Feldman cuida hoje de 120 alunos e metade deles tem de zero a quatro anos.

"Para trabalhar com crianças é preciso ter dom e experiência. Quando as escolas começaram a colocar aulas para crianças à noite, decidi abrir minha própria empresa, e ter liberdade de trabalho. Crianças não podem fazer natação à noite, elas já estão muito cansadas neste horário", explica Feldman.

Público infantil exige cuidados especiais nas instalações

O empreendedor conta que o público infantil exige cuidados especiais, começando pelas instalações. Em 200 metros quadrados, é possível construir duas piscinas, com tamanhos que variam entre 11 x 4, 6 x 4 ou 5 x 5 metros quadrados. Vestiários e a temperatura da água são pontos que exigem maior atenção de quem deseja atender bem os pequenos nadadores. "O ponto comercial deve estar localizado próximo a escolas e condomínios. Assim o empresário poderá encontrar muitos clientes no perfil desejado. Acima de tudo, o lugar precisa ser aconchegante. Estar próximo de condomínios, escolas, creches é uma forma de divulgar seu trabalho junto ao público-alvo, ou seja, pais e crianças", lembra Feldman, destacando a participação dos pais no processo de aprendizagem das crianças. O investimento inicial, sem levar em consideração os custos com o aluguel ou compra do ponto, giram em torno de R$ 110 mil. Os empreendedores acreditam que com um espaço bem gerido, é possível obter faturamento mensal de R$ 80 mil, com 15% de margem de lucro. "Em minha academia em Brasília, temos um gerente, uma psicóloga especialista em estimulação precoce, três profissionais de Educação Física com pós-graduação em Natação Infantil, uma recepcionista, um operador de piscina e uma servente", explica Wilson Brasil, proprietário da Dstak. Além dos cuidados com a formação da equipe e com a qualidade das instalações, Antonio Carlos Santos, coordenador de atividades aquáticas da Associação Brasileira de Academias (Acad) e proprietário da Acquafitness, no Recreio, Zona Oeste do Rio de Janeiro, lembra que o empreendedor precisa se reportar aos órgãos que fiscalizam a atividade. "É preciso ter um profissional responsável pela academia, registrado no Conselho Federal de Educação Física (Confef) e ter somente professores formados ministrando as aulas. No Rio, exige-se que a piscina esteja cadastrada no Grupamento Marítimo (Gmar) da região, órgão do Corpo de Bombeiros e atenda a normas da Vigilância Sanitária", explica Santos.

Especialização é fundamental

Coordenadora das atividades aquáticas da academia Estação do Corpo, no Rio de Janeiro, Aline Miranda lembra que o público infantil tem bom potencial de fidelização, que depende de oferecer uma boa infra-estrutura e atendimento. "Os profissionais envolvidos com este público devem buscar uma especialização além do tradicional curso de Educação Física. Eles devem buscar cursos específicos de natação para bebês e psicomotricidade", explica. "As crianças não precisam se tornar nadadoras, mas desenvolverem nas aulas de natação suas habilidades na água. O profissional deve ter jeito para segurar as crianças. Não pode colocar na água de qualquer jeito. O empreendedor deve saber que as crianças vêm para brincar, não para serem nadadoras. O público infantil adora as aulas. As crianças não querem sair", afirma Feldman, da Água Doce. A chegada do Inverno e a queda das temperaturas podem ser fatores que afastam os alunos da água. A conscientização dos pais em relação à necessidade da continuidade das aulas depende das ações dos empresários. "O público infantil é o que mais cresce, mas ainda precisamos lidar com a sazonalidade, que leva a queda de 15% no número de alunos nos meses de Inverno, que coincidem com as férias escolares. No final de julho e início de agosto, as crianças voltam", lembra Aline, da Estação do Corpo. A diversificação das atividades é uma ação interessante para os empreendedores, diz Santos. Ele abriu a Acqua Fitness como uma escola de natação, mas com o tempo passaram a oferecer atividades complementares, como musculação, alongamento, e até atividades lúdicas, focadas no desenvolvimento infantil. "As academias de ginástica estão ocupando o lugar da rua como espaço de socialização. Os empreendedores devem estar atentos às demandas dos clientes. Isto ajuda na retenção", explica.

Raio X
Natação para crianças
Investimento inicial: R$ 110 mil
Faturamento médio mensal: R$ 80 mil
Margem de lucro sugerida: 15%
Número de funcionários: 8
Área: 200 metros quadrados

Risco: médio, pois segundo a consultora do Sebrae/RJ, Thais Helena de Lima Nunes, o público infantil requer cuidados muito específicos, relativos à sua saúde.

Autor: Jornal do Commércio
 

 
 
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