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Se a criança se perguntasse se desejaria brincar na água, ela mais provavelmente responderia “sim”; por essa razão, qualquer programa de exercício seria ocultado por jogos e brincadeiras. Isso pode assumir um aspecto positivo se o programa for projetado para incluir o ensino da natação com os exercícios terapêuticos.

Uma abordagem definitiva agora surge, de vez que poucas crianças sejam o quanto for temerosas, conseguem resistir a reunir-se com aquelas que estão felizes brincando.

 É essencial que a criança ou adulto seja mentalmente feliz na água, bem como fisicamente ajustada, de modo que possa ser criada a atmosfera mais benéfica; então as demandas de maior atividade têm probabilidade de ser satisfeitas. O ajustamento mental não pode ser obtido simplesmente pela tranqüilizarão, por parte do terapeuta, de que tudo irá bem – ele somente pode advir de dentro da pessoa que se tornou completamente equilibrada em um elemento que é naturalmente estranho para ela.

Como criaturas da terra, executamos adaptações subconscientes aos efeitos da gravidade, as quais são virtualmente inúteis na água e que resultam em grande confusão postural. Muitos ficamos apreensivos e tensos na água, e a pessoa incapacitada terá outras e específicas inibições que surgem como resultado de sua incapacidade física. Ela pode sofrer, por exemplo, de um medo muito agudo de cair, dificultando na comunicação, incapacidade de mover-se prontamente ou à vontade, incapacidade de controlar movimentos esporádicos ou indesejados, respiração má ou precariamente controlada, falta de compreensão e assimetria de forma e densidade.

Para alcançar ajustamento mental e autotranquilização, é vitalmente importante a compreensão da água – ajustamento contínuo ao senti-la, sua turbulência, sua flutuação e seu peso, especialmente quando estes podem afetar o equilíbrio corporal. O controle da respiração deve ser repetidamente enfatizado; do mesmo modo, a capacidade de recuperar-se para uma posição de respiração segura. Isto pode ser obtido por meio de jogos e atividades que são alegres, e ao mesmo tempo encorajam o controle sutil do corpo.

Em todos os programas de atividade deve ser usada a maior amplitude de sensibilidade e movimento – mudança de ritmo, mudança de posição, mudança de atmosfera, da seriedade à gargalhada.

A água é crítica em forma e densidade. Todo mundo tem um problema de equilíbrio na água, de vez que nenhum de nós é completamente simétrico, e nossa densidade relativa varia. A pessoa incapacitada, em quem a forma e a densidade estão pronunciadamente alteradas, possui problemas. É possível pelo estudo da forma e densidade da pessoa que está entrando na água, predizer o que acontecerá, e dar instruções a respeito das ações que podem ser desenvolvidas para contrabalançar qualquer efeito rotacional devido à incapacidade. Estas instruções podem fornecer ajustamento mental antes de entrar na água, de modo que uma vez na água a pessoa possa perceber qualquer efeito rotacional e executar a necessária ação de correção.

A importância de estudar, a forma e a densidade, não será nunca suficientemente salientadas; isto significa observar a pessoa anteriormente, posteriormente e lateralmente, frente a frente, por trás e de ambos os lados. A fim de observar as alterações em forma ao longo do eixo longitudinal do corpo, a pessoa pode ser suportada supina na água, o terapeuta ficando em pé à cabeceira da pessoa, sustentação sendo dada logo abaixo do nível da cintura, o centro de equilíbrio do corpo. A partir da observação da forma e densidade os problemas particulares de equilíbrio e rotacionais da pessoa se tornam evidentes e um programa de atividade é planejado incentivando o controle da rotação, restauração do equilíbrio e sua manutenção.

À parte os fatores de forma e densidade, o terapeuta precisa reconhecer os dois extremos de postura na água. Eles podem ser descritos como “bastão” e “bola”. O corpo na posição ereta ficando em pé em uma área relativamente pequena – o “bastão” – é facilmente perturbado, e quando horizontal é facilmente rodado em torno de seu eixo longitudinal. A posição enrolada – a “bola” – fornece equilíbrio mais estável, e considerável esforço é necessário para alterar a posição do corpo. Portanto, todas as atividades e exercícios iniciais devem ser executados em formatos que tendem a ser “enrolados em bola”. À que o equilíbrio e controle se desenvolvem, estes formatos devem ser desenrolados para serem mais longos, assim requerendo maior grau de controle.

A forma pode ser alterada deliberadamente, pela própria pessoa com incapacidade, através do movimento do corpo ou parte do corpo; a alteração pode devido a movimento involuntário, ou devido à intervenção ativa do terapeuta. Adicionalmente, a tensão pode alterar a forma, e a tensão pode ser criada por ações tais como “agarrar”, “prender a respiração” ou “fechar os olhos”.Expressões negativas, como essas e “afundar” e “afogar” nunca devem ser usadas. Uma abordagem positiva deve ser elaborada. Frases como “deitado na cama”, “cabeça no travesseiro”, “rolando”, “sentado em sua cadeira”, “mãos sobre a mesa”, estão associadas com hábitos e segurança em terra e auxiliam o ajustamento mental.

Os exercícios e atividades devem construídos segundo as seguintes linhas: (a) uma atividade primária na qual a pessoa é apresentada, e, se necessário, auxiliada na criação de um movimento ou uma forma; (b) uma atividade de segmento requerendo a criação do movimento ou forma contra o efeito e peso da água em movimento; e (c) uma atividade oblíqua que pode sugerir um objetivo diferente, porém que ainda contenha atividade primária – o movimento é então observado para assegurar de que pode ser produzido quando necessário, sem solicitação.

Vimos que os objetivos das atividades são encorajar a aquisição de confiança, compreender, apreciar e está segura na água, respirar bem e afinal nadar. O programa de atividades é planejado ao longo das seguintes linhas, e, o tempo todo, a pessoa deve ser encorajada a tratar a piscina de maneira tão normal quanto possível, isto é, como um meio para melhorar e estender os seus padrões de postura, movimentação e independência.

Entrada e Saída

Quando introduzindo pela primeira vez crianças na água, é aconselhável decompor a superfície com objetos flutuantes, de vez que uma grande extensão de água pode parecer vasta e assustadora, especialmente para os muitos jovens: a altura da borda em relação ao nível da água parecerá enorme a uma criança. Por essa razão, deve ser tomado cuidado para proteger as crianças de posições que acentuam a altura e a distância. Por exemplo, pontos focais a curta distância podem ser alcançados operando transversalmente na dimensão mais curta da piscina, defrontando-se com um canto, ou deixando objetos interessantes flutuarem na água à vista da criança.

Um método de entrada e saída pelo lado da piscina que a criança possa dominar por si própria no devido tempo é aconselhável, porque ela pode nem sempre nadar em uma piscina onde degraus ou uma rampa e auxílio estejam disponíveis para proporcionar entrada e saída da água. Além disso, ela se torna independente, ajudando sua autoconfiança, auto-estima e normalizando sua existência.

Em alguns casos os adultos também podem demonstrar ansiedade à cerca de entrar na água pela primeira vez, e o terapeuta deve sempre preceder a pessoa na água e dar a mesma atenção aos detalhes da entra da que acima foram descritos para a criança.

Entrada e saída independentes por cima do lado freqüentemente é possível para adultos, mas em alguns casos, especialmente com o muito idoso, métodos alternativos de entrada e saída podem ter que ser usados. Sempre que possível, entretanto, a mobilidade e a independência devem ser incentivadas.
 


 Entrada

O terapeuta deve sempre entrar na água primeiro e ficar pronto para receber a criança. Deve sempre entrar tranqüilamente, causando tão pouco borrifo quanto possível, e assegurar que emerge seus ombros, e que sopre bolhas na água. Essas ações tranqüilizam as crianças.

A criança sentada sobre o lado é encorajada a pôr suas mãos para frente sobre os ombros do terapeuta, seus pés afastados da parede; está agora em formato de “bola”. As mãos do terapeuta são colocadas debaixo dos seus braços, em torno de suas costas e logo abaixo de suas escápulas. O terapeuta deve falar-lhe, encorajando-a a soprar enquanto vem a água.

Uma vez dentro, imediatamente prosseguir para uma atividade tal como saltar, não deixar nenhum tempo para pensamentos ansiosos. Saltar também ensina respiração e controle da cabeça e constitui um pré-requisito para independência. A progressão da entrada é para “mãos nas mãos”, depois deixando um espaço entre as mãos do terapeuta e as da criança. A ação para frente na entrada deve ser facilitada e se tornar automática, a extensão sendo evitada todo o tempo.


 Saída

A saída por cima da borda deve ser desenvolvida de tal maneira que a independência da criança seja ajudada. Isto envolve a criança colocar suas mãos sobre a parede e, com auxílio do terapeuta segurando ambos os quadris logo abaixo do grande trocânter, alcançar uma posição deitada sobre a parede, com as pernas retas pelo lado da piscina abaixo. Ela então “serpenteia” para frente empurrando com suas mãos. Suas pernas devem ser levantadas no alto e fora da água, enquanto ela se move para frente até que seus quadris estejam bem sobre o lado da piscina. Ela é ajudada a rolar e a sentar-se.

Deve-se tomar cuidado quando o controle da cabeça é limitado, e a saída modificada para acomodar sinergias flexoras dos braços.

Em casos de espinha bífida, se for utilizada uma bolsa urinária, o quadril no lado do aparelho precisa ser levantado bem distante de modo a que o aparelho permaneça no lugar.

 

Posições de Segurar

O modo pelo qual a pessoa é segura na água pode afetar o desenvolvimento do equilíbrio. O objetivo principal deve sempre ser dar à pessoa o máximo senso de sua própria posição equilibrada, com o mínimo de suporte. Qualquer que seja sua posição corporal, ela deve ser mantida perto ou em lugar oposto ao centro de equilíbrio do seu corpo, aproximadamente em sua linha de cintura. Embora nos estágios iniciais a pessoa possa segurar-se no terapeuta, isto deve ser reduzido finalmente a uma pegada leve, pois agarrar induz tensão e destrói o senso de equilíbrio.

O terapeuta deve sempre lembrar de adotar uma posição que habilite a pessoa a ver e comunicar-se facilmente, sem perturbar desnecessariamente o seu equilíbrio. Para alcançar relacionamento com a pessoa, é vital que ela tenha um sentimento de proximidade e possa ver o terapeuta ao nível de seus próprios olhos, sem ter que virar indevidamente ou estender a cabeça a fim de ver sua face.


 Controle Respiratório

Prender a respiração constitui capital na criação de tensão dentro do corpo. O desenvolvimento de um ritmo respiratório natural é essencial a qualquer pessoa envolvida em atividade na água; portanto, a pessoa precisa ser instruída a soprar quando a água está próxima de sua face, e isto precisa tornar-se uma habilidade automática.

O efeito de soprar tende a trazer a cabeça para diante, em contraste com a perda de controle que se segue à ação de retirada ou recuo da cabeça quando a água é respingada na face. Soprar deve estar no fundo de todas as atividades e deve tornar-se uma habilidade automática, de modo a que um bom ritmo respiratório seja continuamente combinado com outras atividades para assegurar que a pessoa esteja relaxada e equilibrada na água.


 Segurança e Recuperação

Segurança e recuperação estão estreitamente ligadas com os dois planos de rotação na água – para frente ou vertical, virando-se ou lateral. A pessoa ser ensinada a como usar sua cabeça para controlar a posição do seu corpo todo o tempo, e a reobter uma posição de respiração segura.

A rotação para frente, ou vertical, é a capacidade de recuperar-se de uma posição supina para a vertical. Requer, flexão forte do corpo inteiro seguida, pelo equilíbrio exato da cabeça sobre o corpo para permanecer em posição vertical equilibrada.

A rotação virando-se, ou lateral, requer controle ao mesmo tempo nos planos vertical e horizontal. Quando deitada, a pessoa deve ser capaz de controlar a rotação axial do seu corpo, que pode ocorrer seja como resultado da assimetria devia à sua incapacidade seja porque o movimento da água ou do seu corpo perturba a sua posição.

Uma combinação de rotação vertical e lateral completa a capacidade da pessoa recuperar-se para uma posição segura de respiração. Se ela for cair para frente na água, ela deve ser instruída para virar sua cabeça, a fim de rotar seu corpo até que esteja deitada de costas. Dessa posição ela pode recuperar-se para a vertical e o controle está completo.
 


 Equipamento de Flutuação

O uso de equipamento de flutuação – exceto quando um efeito específico é requerido em exercícios terapêuticos – é altamente indesejável e em alguns casos perigoso. Cada pessoa incapacitada possui um problema de equilíbrio que lhe é peculiar, cujo efeito pode ser completamente alterado ou mesmo invertido; também é extremamente difícil ajustar o equipamento de flutuação para assegurar que a posição requerida de equilíbrio seja mantida em qualquer circunstância. O uso de equipamento de flutuação impede uma das maiores vantagens de operar na água, o de desenvolver um fino grau de controle do equilíbrio. Devido à sua desvantagem a pessoa pode viver em um mundo de aparelhos em terra, porém na água consegue tornar-se completamente independente e mover-se em total liberdade.

 
 
 

Gambes & Gambes Designer 2008