Healing Dance,

se traduz em movimentos ondulados e amplos, juntamente com manobras de grande amplitude de movimento. Os praticantes deste trabalho necessitam  estar em um nível elevado na prática de manobras.

 

O trabalho identifica-se como uma expressão artística. O objetivo do Healing Dance é despertar o curador interno através dos movimentos de dança. Dançar passivamente na água o corpo daqueles que gostam de dançar, experiência a liberdade que a água pode propiciar ao corpo, em nosso interior.

Bailarino e coreógrafo, Alexander desenvolveu-se no Watsu e no Water Dance de maneira extraordinária e com o passar do tempo desenvolveu diversos movimentos de dança adaptados a Terapias Corporais Aquáticas, alguns deste movimentos foram agregados ao Watsu como o Vôo Livre, um movimento muito importante para o Watsu e outros trabalhos Aquáticos, devido a sua múltipla função.

 

Como foi desenvolvido Healing Dance?
Em 1990, quando residente em Harbin Hot Springs, na Califórnia do Norte, Alexander George estudou Watsu com seu fundador, Harold Dull. Após o curso, começou a experimentar e improvisar na piscina quente. Alexander foi influenciado não só pelo seu percurso profissional em ballet e Trager, mas também pela maneira em que o corpo se move na água e com a interação em movimento. 

Depois de estudar em 1993 Waterdance de Arjana Brunschwiler, um espaço novo e tridimensional apareceu em seus movimentos experimentais. Até então, ele criou uma dança fluida como ramo lateral de Watsu.

Desde 1999 Inika Sati Spence tem colaborado estreitamente com ele na definição e crescimento do trabalho em uma técnica distinta. Mary Thomas juntou ao seu rol de professores de healing Dance em 2003, já tendo feito contribuições significativas para o seu desenvolvimento. Desde 2007, a perspectiva Kathrin Kalter como um fisioterapeuta trouxe novos aperfeiçoamentos.

O Estilo.
Eu estudei Watsu com Harold Dull em Harbin Hot Springs, em 1990. Meu trabalho na água, a partir de então, foi influenciado pela minha formação em dança aliada às características inerentes ao elemento aquático, e por minha experiência como praticante de "Trager Work", que é uma terapia corporal desenvolvida a partir do movimento.

Após ter estudado Dança Aquática (WaterDance) em 1993 com Arjana Brunschwiler, novas dimensões dos conceitos de espaço, de alcance dos movimentos e de tridimensionalidade abriram-se para mim. Muitas sugestões e idéias oferecidas por assistentes e por alunos também foram e continuam sendo incorporadas, de modo que hoje, A Dança Curativa (Healing Dance) está se tornando mais uma criação coletiva do que uma criação individual minha.

 

A Dança Curativa pode ser resumida nas seguintes idéias:

  • O poder da dança nos envolve como um abraço, induzindo-nos à participação prazerosa, como se estivéssemos em um novo ritmo biológico, mais lento, ou não mais movendo-nos por conta própria. A interação constitui a dança. A cura emana do interior.

  • O movimento é entendido como um remédio, e portanto é cuidadosamente dosado, intercalado com momentos de pausa.

  • O doador está sempre atento às reações do receptor, as quais indicam os movimentos-chave.

  • O receptor experimenta uma dança recebida, que lhe é dada, e a qual evoca experiências de beleza e prazer; estas experiências podem levar, por vezes, a descargas emocionais mais profundas.

  • Um fluxo de movimento contínuo e sem quebras é gerado e mantido.

  • Um campo rítmico é igualmente estabelecido e mantido

  • A sensibilidade ao ‘ritmo de consciência’ que está presente em todos os movimentos potencializa seus efeitos.

  • Um poderoso sistema tridimensional é empregado para canalizar o movimento.

  • O doador como que desaparece, reduzido apenas a mãos que auxiliam e transmitem ternura, à consciência do contato corporal segundário, movendo seu parceiro à distância e permanecendo ‘por trás’ de seu movimento

  • A leveza é comunicada através da sensibilização ao peso, de uma abordagem questionadora, de descargas de sentimentos, e da descoberta de momentos de ausência de peso no fluir do movimento

  • Liberdade e intimidade equilibram-se em uma metáfora da realidade do relacionamento.

  • Movimentos circulares e cíclicos (ondas, espirais, círculos e ‘oitos’) são experimentados como mandalas no espaço na completa tridimensionalidade da água.

  • O praticante ‘viaja’ na piscina para gerar correntes ‘virtuais’ , nas quais o receptor navega.

  • Avançadas técnicas mentais e físicas que trabalham a mecânica corporal proporcionam o refinamento do movimento e do toque do doador, levando a respostas mais eficazes.

  • A familiaridade com uma gama de movimentos estimula a improvisação, a qual constitui o objetivo final deste estudo.

Movimento: o remédio para a cura

Sistemas vivos têm a capacidade de auto-cura. O corpo e a psique podem receber auxílio externo – e também influências negativas - para isso; no entanto, a cura só poderá vir de dentro de nós mesmos. O relacionamento entre o terapeuta e o cliente deve constituir um terreno de confiança e de firme intenção para que a auto-cura se processe. Os movimentos de uma sessão devem constituir uma afirmação suficientemente forte, como portas abertas através das quais o cliente faz a escolha de seguir adiante. Os movimentos tornam-se então revelações para o corpo, mostrando-lhe toda a liberdade e facilidade com que podem ser executados. Os movimentos encontrarão eco na inteligência inerente ao corpo como o "padrão de perfeição" que o corpo possui. A dança, então, estará em seu nível mais sutil e criativo, entre a mensagem subliminal inerente aos movimentos e a consciência mais profunda do receptor. A Dança Curativa constitui-se, consequentemente, pela interação entre o terapeuta e o cliente, pela compaixão e pelo medo, pelo movimento e pela entropia.

A crença no poder curativa do movimento é a base deste estilo de cura. Sendo o movimento visto como um remédio para a cura, ele deve ser dosado cuidadosamente. Isto significa observar e permitir que o movimento adequado surja no momento adequado, seguindo o ritmo e a duração igualmente apropriados. Pausas naturalmente constituem uma parte deste conceito de dosagem.

Em nosso desenvolvimento e na nossa vida diária, podemos observar que algumas partes do nosso ser tornam-se energeticamente isoladas ou destorcidas. Os termos utilizados em Shiatsu para referir-se a falta de e à estagnação de energia - kyo e jitsu – podem igualmente ser aplicados à pessoa como um todo.

O Movimento, melhor dizendo, a dança, tem o poder de re-energizar, de quebrar bloqueios, de re-conectar-nos e equilibrar-nos, enfim, de restabelecer um sentido de um ‘todo’, um ‘uno’. O dança tem o poder de alterar positivamente muitas dessas condições mencionadas no parágrafo anterior.

O terapeuta deve estar atento às reações do cliente, as quais indicarão quais são os movimentos-chave. Suspiros, gemidos, sorrisos, riso e até mesmo as lágrimas apontam todos para a mesma direção, a volta à unidade. Todos os movimentos que geram essas reações são significativos, e projetam uma luz sobre as misteriosas razões das distorções de condições ideais. Um movimento-chave pode também surgir a partir do próprio receptor: neste caso, nossa responsabilidade será observar esse movimento e validá-lo. Ao permitirmos que esse movimento se realize e ao encorajar sua expressão estaremos promovendo a conscientização da real motivação desse movimento.

Nas sessões de Dança Curativa as reações de prazer estão intimamente ligadas com o experimentar a beleza. É realmente belo compartilhar da graça, força, ternura, liberdade, ausência de peso e sensibilidade de uma maneira que poderia ser definida como uma „dança recebida" . O receptor estará vendo a si próprio como uma expressão de Beleza, e a Beleza é uma manifestação do Divino. Muito freqüentemente os receptores alcançam níveis mais elevados de consciência, os quais estarão reabrindo um canal para o estado de bênção, o qual é raramente vivenciado.

Na tradição espiritual indiana o estado de bênção é entendido como o estado natural de consciência. "Satchitanand" significa " a verdade é a consciência da bênção". Lembrar-nos que a bênção é o nosso estado natural de ser constitui uma lição importante, pois não precisamos aprender somente através do sofrimento e da dor. A experiência de qualquer momento de bênção pode levar-nos a perceber sua ausência em nossas vidas.

As pessoas necessitam, no entanto, de um certo grau de segurança para permitir que sentimentos dolorosos se expressem. A experiência de um estado de bênção pode ser suficiente para permitir que esses sentimentos dolorosas espontaneamente emergem. 

Mecânica do Corpo

Uma mecânica de corpo correta ajuda tanto o terapeuta (doador) quanto o cliente (recebedor). Com uma boa base técnica, o profissional se mantém sensível, eficaz, se movimenta deslizando e fica relaxado. Pode ser muito agradável aplicar uma sessão. Sob essas condições o cliente tende a ter uma experiência prazerosa, estimulante, eficiente como trabalho corporal, e abre espaço para uma exploração interior.

Se um cliente for particularmente pesado na água ou desajeitado para se trabalhar, o conhecimento da mecânica corporal reduz e previne machucados e dores musculares. O trabalho na água é mais fácil para homens altos com braços longos do que para mulheres leves e baixas. Mesmo assim, o uso cuidadoso de flutuadores e pesos capacita mesmo uma mulher pequena a ser bem sucedida em suas sessões e a oferecer sua qualidade única de compaixão.

Alguns tipos físicos têm uma tendência maior a se machucarem do que outros, sendo mais mutáveis e menos substanciais. Aqueles mais robustos, que "nasceram" para a profissão, com maior vitalidade e resistência, não precisarão prestar muita atenção em como estão executando os movimentos, ao ritmo, nem se ajustarem aos clientes maiores e mais pesados. Entretanto, saber como economizar energia e respeitar o corpo é um fator que irá prolongar uma carreira ativa, livre de machucados.

Para um terapeuta corporal, os ferimentos fazem parte de sua jornada, para a qual ele aprende a se respeitar e a se purificar. Muitos de meus colegas compartilharam como problemas físicos vindos de uma massagem se tornaram ensinamentos, levando-os à modalidades mais suaves, com energia orientada. Terapeutas corporais são levados à água pelo mesmo motivo. As terapias aquáticas são mais gentis com o terapeuta, mas mesmo assim podem ser difíceis, até mesmo prejudiciais, sem uma prática de mecânica de corpo adequada, compensando as possíveis limitações e adaptando o trabalho ao cliente.

Enquanto movimento, A Dança Curativa lembra muito o Tai-Chi. Suas posturas, seu ritmo lento e ponderado, meditativo e consciente da respiração são muito parecidos com os movimentos dessa arte marcial chinesa. Os quatro primeiros princípios da mecânica do corpo têm muito em comum com o Tai Chi. Vamos ver como.

1) Ficando de Pé, Afundando

A postura na água é com os pés apontando para a frente. Os joelhos se dobram sobre eles, os quadris descem e a coluna se eleva verticalmente para a pélvis. Esta é a postura do cavalo do Tai Chi, só que mais aberta. O flutuar da água torna essa postura, mais aberta, possível, sem o adicional esforço que precisaria fora d’água. Tanto o terapeuta quanto o cliente compartilham um centro de gravidade comum, o qual é bem alto e as vezes está do lado de fora de cada corpo. A conseqüência é uma estrutura instável e pesada. Esta base muito ampla adiciona uma estabilidade necessária para movimentar o outro no nível do peito. Fique em pé sólido como uma montanha.

A flutuação é o fator chave que afeta a mecânica do corpo na água. Ao ficar de pé, fora da água, o corpo ganha peso. Ao dobrar os joelhos e imergí-los até o queixo, o corpo ganha flutuação. Qualquer coisa que é levantada fora da água se torna mais pesada. Submersa, é flutuada de acordo com a sua gravidade específica. Ficar de pé e trabalhar em água rasa aumenta a sua estabilidade no fundo da piscina e, portanto, auxilia na alavanca do movimento. Afundar bastante ou trabalhar em água profunda produz um efeito oposto. A estabilidade reduzida é um empecilho para a flutuação, sua vantagem é a facilidade que nos permite agüentar um outro.

Um homem alto em uma água rasa leva muito menos desvantagem do que uma mulher baixa em água profunda. Se a água estiver muito rasa, nosso homem alto deve fazer uma postura desconfortavelmente ampla, ou até mesmo ajoelhar. Nossa mulher baixa, em uma água muito profunda, deve apenas colocar pesos nos tornozelos. Quando levantar ou ficar no raso ? Certamente, na Seqüência do Tango e nas Variações com a Perna de Dentro. Para que o parceiro role na Rotação da Perna de Dentro, o ombro próximo precisa de espaço para se instalar debaixo de sua axila e você tem que ser capaz de encostar na perna. No início e no final, na parede existem dois outros momentos em que a água mais rasa é necessária - o cliente não conseguirá dobrar seus joelhos ou muito menos relaxar se a água for muito profunda.

Quando afundar ou ficar no fundo? Nas seqüências de "Algas I e II" e "Chagal", naturalmente quando a postura for a mais ampla. Terapeutas experientes tendem a trabalhar no fundo da água. Eu chamo de "estilo crocodilo", (permanecer afundado na água, como crocodilo que deixa somente o nariz e os olhos acima do nível da água) despendendo menos energia ao manter sua própria postura ou suportar fora da água partes de um corpo que não pertence a você.

 

2) Transferência de Peso

A transferência de peso consiste na alternância do peso do corpo de uma perna para outra. A alavanca fica na dependência da tração do pé no fundo da piscina. O impulso começa isométricamente, superando a inércia. Uma vez iniciado o movimento, uma série começa. Quando o peso do corpo se estabiliza na segunda perna, o joelho se dobra para absorve-lo. O impulso é feito para baixo e na diagonal, produzindo um deslocamento lateral do corpo na direção oposta. A perna transmite sua força para a pélvis. O tronco flutua acima da pélvis. Os músculos do torso se contraem isométricamente para mante-lo equilibrado acima dos quadris contra o fator de deslocamento da resistência da água. A contração estabilizadora do torso também propicia uma alavanca sólida para os braços sustentarem e moverem o parceiro.

 

3) Rotações dos Quadris

Numa mecânica de corpo típica, uma transferência de peso já é seguida pela rotação pélvica. A pélvis gira para dentro em direção ao fêmur da perna que está recebendo o peso. Da mesma maneira como o toureiro gira sua capa, o movimento pode continuar para formar um arco mais longo. Quando criamos um movimento das pernas e quadris dessa maneira, os braços e as costas não ficam sobrecarregados. Os braços ficam exatamente em frente aos ombros. Se eles não estiverem, significa que a coluna está torcida, desestabilizando o alinhamento vertebral e puxando os músculos das costas.

A gravidade existe é funciona também na água. A força da flutuação na água se opõe à gravidade. (Isso é conseqüência principalmente da gravidade, resultado da pressão da água aumentada pela profundidade.) É mais fácil segurar objetos ou pessoas na água do que fora, mas se as movimentarmos lateralmente é mais difícil - a massa dos objetos encontra a viscosidade da água que é maior do que a do ar. O poder de mover o parceiro lateralmente através da água vem da transferência de peso de uma perna para outra, girando a pélvis e estabilizando as costas e os braços. Torcer as costas é uma falha da mecânica do corpo, uma vez que sobrecarrega os rotores paravertebrais com a tarefa de transferir toda a massa corporal do companheiro, um papel ao qual não foi designado.

 

4) Passos

Uma transferência de peso sempre leva à um passo para frente, para os lados ou para trás. Ao dar um passo largo e fundo para trás, seguido de uma transferência de peso no giro, este evolui mais. Agora, um movimento mais longo e duradouro pode ser aplicado antes de virar de costas na direção oposta. O passo é dado de leve, dedo do pé primeiro porque um choque do calcanhar no fundo da piscina pode ser sentido imediatamente pelo cliente através do corpo do terapeuta . O pé na verdade desliza no contato com o fundo. O desafio de dar passos na água é manter costas e quadris no lugar enquanto executa o movimento. Os fatores desestabilizadores são 1) o perder e reencontrar o ponto de apoio e 2) a resistência da água pela sua massa corpórea e a de seu companheiro.

Para contrabalançar as forças que nos desestabilizam, conscientemente criamos uma cadeia de alavancagens que se iniciam no fundo da piscina e que passam seqüencialmente por nossos tornozelos, joelhos, quadris, espinha, articulações dos ombros, cotovelos e pulsos, chegando finalmente às mãos. Nossos cotovelos encontram-se sempre apoiados nas laterais de nossa caixa torácica e funcionam como nadadeiras de golfinhos, podendo assim transmitir mais eficientemente a força de nosso tórax para nossas mãos. Esta cadeia de alavancagens, em sua totalidade, gera uma necessidade menor de intervenção de movimentos exteriores, concentrando sua energia na estabilização de nosso corpo ao invés de em sua movimentação através do espaço. Assim, podemos mover-nos com major fluidez e naturalmente levar nosso parceiro nesse movimento; em outras palavras, movimentar nosso parceiro através do exemplo.

A cada passo dentro ou fora d’água, o sistema nervoso está fazendo ajustes sem um envolvimento consciente. Entretanto, essas habilidades na água devem ser primeiro aprendidas e memorizadas antes de se tornarem automáticas.

Uma outra alternativa depois de um passo grande e giratório é trazer sua outra perna abaixo de você, tornando possível a repetição de um ciclo de três partes num círculo. Na dança nós diríamos, "um passo para trás, gire, juntos". Isso é adequado para fazer movimentos que queremos repetir algumas vezes na mesma direção, como a Onda do Golfinho num círculo. Além disso, em muitas piscinas há uma zona limitada na qual o trabalho termina entre o raso e o fundo, portanto tudo o que fazemos deve ser num estreito âmbito de conforto. Dar um passo para trás num círculo toma muito pouco espaço e mantém a continuidade do movimento.

Passos pequenos para trás, como de "Gueixas" é uma outra forma de movimentar-se. Dando passos largos ou curtos para trás evita arcar as costas ou deitar seu companheiro em seu peito; essa é uma posição bio-mecanicamente desfavorável para sustentar o peso. Curvar-se para trás é seguro se for feito com as "costas neutras", isto é, com as costas retas e a pélvis encaixada.

Os movimentos em ziguezague para trás e os passos em círculos são as características que distinguem a mecânica corporal da Dança Curativa da mecânica corporal do Fluir Expandido dod Watsu. A Dança Curativa envolve um movimento mais amplo no espaço. Ao movimentarmos nos para trás, imediatamente estamos gerando uma área de baixa pressão a frente de nosso corpo – onde nosso parceiro "navegará" – e a qual é extremamente benéfica para o receptor. Essa área constitui um tipo do "bolsa aquática", podendo ser comparada ao espaço criado pelo o primeiro carro à frente dos outros em uma corrida. O doador pode criar uma imagem mental de que ele está abrindo um "canyon" através da água e levando seu parceiro ao longo das paredes dessa passagem.

O doador movimenta-se rapidamente e gera "correntes virtuais" nas quais o receptor navega. Essas correntes virtuais sustentarão a flutuação do receptor, constituindo um exemplo do "efeito prancha de surfe", enquanto a maior parte do corpo mantém-se livre para mover-se em ondas. A turbulência da água junto à superfície da pele contribui para a indução ao transe através de uma sobrecarga sensorial, e muito possivelmente, também limpa a aura, como quando ficamos em pé sob o chuveiro. Há também uma sensação de "seguir em frente", "avançar", deixando para trás o que já passou. As ondas e as espirais executadas enquanto estamos movimentando-nos para trás promovem uma descarga de energia, canalizada para os pés e então liberada através deles. As pernas tornam-se como uma barbatana ou uma cauda, transportando algumas pessoas a estados iniciais do nosso desenvolvimento.

No solo, nosso andar para a frente é sem dúvida melhor executado do que nosso andar para trás, mas na água ocorre exatamente o contrário. Andar para trás é visivelmente o modo mais fácil e mais rápido de movermos-nos. Por que será que isso acontece? Em primeiro lugar, porque nosso peso naturalmente cai para trás com menos esforça. Em segundo lugar, a parte posterior de nosso torso é mais hidrodinâmica do que a parte anterior, permitindo assim que a água passe pela parte posterior mais facilmente. Quando caminhamos para a frente, o movimento é liderado pela coxa, mas quando caminhamos para trás o calcanhar é a primeira parte do nosso corpo a abrir caminho pela água, a qual oferece, assim, uma resistência consideravelmente menor. Ao contrário do caminhar para frente na água, quando caminhamos para trás o pé permanece em total contato com o fundo da piscina por um período mais longo, e isto promove uma maior alavancagem. Consequentemente, o maior impulso para o andar é criado a partir do fundo da piscina.

O passo é uma metáfora de transição e incerteza. De um lugar familiar e de apoio, um passo nos leva ao desconhecido, onde é necessário restabelecer equilíbrio e segurança. As fases mais difíceis da vida são as de transição, e os passos apresentam o maior desafio nas mecânicas corporais para os alunos de Dança Curativa se tornarem mestres.

 

5) Desequilíbrio Criativo

Andar em terra firme pressupõe uma queda para frente em cima do pé que está recebendo o peso do corpo. Mover-se na água também inclui uma fase de perda de equilíbrio. Mesmo assim, na água não é o mesmo que no chão. É muito mais lento devido à viscosidade da água ao encontrar a massa dos corpos do terapeuta e seu cliente. Na água, um terapeuta pode curvar-se e cair para os lados e para trás, e ainda ter tempo de sobra para suavemente recobrar equilíbrio. Isso leva à uma nova lógica de movimento: queda em movimento lento e consciente, ou desequilíbrio criativo. Este é o modo de criar um movimento que exige menos esforço. O próprio peso do corpo do terapeuta gera movimento para o cliente. A queda começa com a cabeça no topo da coluna vertebral. Como ela vira na direção desejada, seu peso empurra "a pilha de bloqueios" com ela. Além disso, inclinando a cabeça para a direita ou para a esquerda ativará determinado reflexo o qual aumentará o tônus muscular da perna correspondente à inclinação da cabeça, preparando-a para suportar o peso adicional.

 

6) Você só tem que fazer metade do trabalho

A água faz com que o receptor flutue. Vencer o medo de deixar nosso parceiro afundar e conseguir confiar na água para auxiliar-nos constitui um dos estágios de desenvolvimento da técnica. Um praticante experiente não oferece mais sustentação do que é necessário: ele simplesmente permite que a água faça metade do trabalho de sustentação. A água e o praticante devem formar um equipe. O praticante deve ver-se como uma extensão da água, identificando-se com a água e adquirindo algumas de suas características. Deste modo, você precisará fazer somente metade do trabalho: ao receber um impulso, o corpo do receptor continuará esse movimento. Nosso papel ao oferecer o movimento inclui proporcionar ao parceiro o tempo e o espaço necessários para que ele continue o movimento livremente, com suas características próprias de leveza e ausência de peso. Isso significa que devemos manter nossa atenção focada no corpo do nosso parceiro, até mesmo fazer uma empatia e tentarmos sentir como se fôssemos o parceiro. Resumindo, deixe a água fazer metade do trabalho, deixe o corpo de seu parceiro fazer metade do movimento; em outras palavras: seja a água, seja o receptor.

 

7) Respiração

Através da respiração pela barriga, relaxando todo o corpo, alcança-se um estado de fluidez. É especialmente importante que a parte superior do corpo não fique rígida de tensão. Tensão na parte superior do corpo cristaliza a estrutura física, tornando-o pesado em cima, menos firme no chão e mais fácil de perder o equilíbrio. Expirar e afundar é uma forma de aliviar a tensão e manter contato com a entrega: a qualidade mais importante para um terapeuta. Isso é chamado "alcançar o ponto zero".

Surpreendentemente, a respiração não apenas relaxa e assenta, mas pode ser também uma fonte de movimento. A respiração, ao entrar num estado intuitivo, no qual não se precisa pensar, sincroniza-se com o movimento e torna-se realmente uma fonte de movimento.

Ueshiba Morihei, o fundador do Aikido, sempre ensinou o princípio que através da respiração ficamos em sintonia como outras pessoas e com o ambiente. Este princípio, "kokyu", ou Sopro da Vida, constitui o ritmo fundamental da vida que energiza e preenche o Universo. "Kokyu" pode ser igualmente alcançado em terapia aquática como no Aikido.

 

8) Ideocinese

A raiz grega dessa palavra significa "idéia" e "movimento". Ideocinese descreve o processo por meio do qual uma idéia é executada em movimento, sem que o doador tenha consciência dos meios. Ele precisa apenas ter uma imagem mental do movimento, e o sistema nervoso recruta todos os músculos corretos para executá-lo da maneira mais frugal. Uma outra forma de colocar esse princípio seria, "Através da visualização o movimento toma forma enquanto você faz A Dança Curativa".

 

9) Esquadrinhando

Anos atrás, eu aprendi uma maneira de checar e aperfeiçoar a mecânica do corpo com um dos meus professores de balé. Ela consiste em vagar mentalmente pelo corpo e monitorar o que está acontecendo. O motivo desse contínuo esquadrinhamento da cabeça aos pés é manter lugar, tempo, coordenação, respiração, corretos. É uma forma de reanimar e restabelecer reações musculares, como por exemplo, quando eles começam a se cansar. Extraordinariamente, com reforço suficiente, todas essas respostas se tornam uma segunda natureza, como andar, e requerem pouca manutenção.

Como A Dança Curativa é movimento com a mecânica de seu próprio corpo, a mesma técnica de esquadrinhamento pode ser usada, mas com um aperfeiçoamento: para receber a resposta, precisamos primeiro fazer a pergunta. É da natureza do universo dar resposta imediata a uma questão. Diversas modalidades de cura New Age trabalham com esse princípio. Na técnica Trager, por exemplo, nós nos perguntamos enquanto trabalhamos, "O que poderia ser mais leve? O que poderia ser mais livre?" Com uma mente inquisidora e curiosa, nossa atitude para com o cliente o induz a uma resposta num nível profundo. Isso funciona reflexivamente também, quando nos fazemos perguntas como, "Estou centrada na minha respiração?" "O meu corpo está confortável e flui?" "Estou presente sem me esforçar?"

Ter uma atitude questionadora produz resultados sem nenhuma ação consciente de sua parte. Eu ofereço esquadrinhamento à você como uma ferramenta. Se você decidir usá-la, pense como você vai fazê-lo na Dança Curativa. Pense na abordagem, como você quer relacionar-se com o cliente, como você deseja que seu corpo se sinta. Pergunte-se se isso está acontecendo.

 

10) Pegue a força do mais fundo que for possível

Ao se movimentar na água, uma cadeia de alavancas opera do fundo da piscina, sobe pelas pernas, quadris e torso, e vai para os braços. Cada parte do corpo tem uma função. Bailarinas fortalecem seus pés e pernas mais do que atletas ou dançarinos em qualquer outra forma de movimento. Isso liberta seus torsos e especialmente os braços para relaxarem e se expressarem. Se força e controle não estão presentes na parte inferior do corpo, os segmentos mais acima terão que trabalhar mais para compensar. Os bailarinos dão um empurrão para o chão para pular ou se movem lateralmente ou para manter equilíbrio. Praticantes de Tai Chi, for outro lado, caem com seu peso. Dependendo do quanto yang ou yin for um movimento, você estará em algum lugar entre esses dois pólos de "empurrar" e "cair". Para estimular o movimento das pernas e para aprender a utilizar a sua força por vezes, durante o aquecimento fazemos de conta que temos as pernas de um animal, tal como uma pantera ou até mesmo um dinossauro. Aumentando o seu sentido físico, imaginamos patas ao invés de dedos, contraindo os músculos e sentindo os tendões tensionados à medida que damos alguns passos e transferimos nosso peso com todo o vigor.

 

11) Dance

A última palavra da mecânica do corpo na água mostra além do que foi tocado até agora. Na dança, a técnica é aprendida para ser esquecida; numa apresentação os bailarinos se dão para a dança. "Apenas dance", diz o treinador para o bailarino no palco. Ele pode acrescentar: "Não pense, não se preocupe, apenas faça isto." Cada um de nós tem uma maneira bem pessoal de sentir e agir. Externamente nossa individualidade se expressa através de nosso movimento, minha forma de estar no mundo, minha dança. Talvez seja uma maneira de entrar dentro do Melhor Fluxo ou do Êxtase Universal. Seja o que for, esta dança tem a exatidão e o poder para isto. Ela nos expande e nos sintoniza com o nosso meio. A imagem em torno da dança é sem fim: "Dance com você mesmo, dance com o seu parceiro, dance com a água, dance na Luz, dance com os bloqueios, dance do fundo do seu coração", e assim vai. Resumindo, dance!

Mantenha os ouvidos submersos

Se um ou ambos os ouvidos não estiverem submersos, a cabeça estará recebendo sustentação extra. Essa sustentação extra ocorre devido a um excesso de atenção por parte de principiantes até que estes consigam refinar sua técnica. No entanto, você deve estabelecer uma parceria com a água, confiar em sua característica de flutuação, e deixá-la fazer a maior parte do trabalho.

"Ouvidos submersos estarão felizes no universo aquático". .

Dois níveis da água

Em Watsu e A Dança Curativa, o nível da água sempre cobre os ouvidos, mas mantém-se longe dos olhos, nariz e boca. Quando a cabeça é sustentada por um dos lados, o nível da água pode mais facilmente atingir o nariz, e por isso deve-se prestar maior atenção.

Na Dança Aquática a situação é diferente: o nível da água pode ser mais alto (até os cantos da boca e dos olhos) sem que isso perturbe o receptor. Ele já está acostumado ao contato da água com seu rosto desde antes das primeiras submersões. Além disso, as narinas estão seguramente fechadas pelo clipe nasal, e qualquer pequena quantidade de água que entrar pela boca pode ser facilmente expelida.

Relaxe suas mãos e braços

Ao segurar a cabeça do parceiro em suas mãos, certifique-se que as palmas e os dedos de suas mãos estejam relaxados. Tente não senti-los. O peso deve concentrar-se ao longo dos dedos, e não nas pontas. Doadores que tenham braços finos ou músculos braçais bem desenvolvidos precisam de um período de experimentação para encontrar a posição de sustentação da cabeça mais confortável para seus parceiros. Apesar de alguns praticantes fazerem brincadeiras sobre o uso de cotoveleiras de borracha para amenizar a sustentação da cabeça, eu não conheço ninguém que as use. Você conhece alguém?

Não segure o pescoço!

Segurar o pescoço com suas mãos pode causar hiper-extensão da junta atlanto-occipital (na articulação do pescoco com a cabeça). Por isso, ofereça sustentação acima dessa junta ou exatamente no occipício. Ao sustentar a cabeça na palma de sua mão na posição de Flutuação Livre, por exemplo, focalize a sustentação exatamente no meio do occipício. Em outros movimentos, tal como Torção Joelho-Cabeça ou o Pêndulo, nas quais a cabeça é virada para um dos lados, a sustentação através da palma da mão deverá localizar-se um pouco ao lado do centro da cabeça.

Evite movimentos bruscos

Imagine que seu parceiro esteja dormindo e que você não deseje acordá-lo. Faça as transições lentamente, posicionando a cabeça cuidadosamente, ao invés de deixá-la tombar, de girá-la ou deslizá-la. A perda repentina de sustentação na cabeça pode gerar reflexos auto-protetores básicos, criando desconforto e induzindo à falta de confiança no doador.

A sustentação da cabeça tem três funções distintas:

A primeira função é manter a cabeça acima do nível da água; a segunda é tracionar o pescoço; e a terceira é fazer a cabeça rolar de um lado para outro. Dependendo do movimento, ao menos uma dessas funções – e por vezes duas ou até as três funções – estarão sendo atendidas.

Movimentos da cabeça sem sustentação

Sob um aspecto negativo, a cabeça afundar representa o risco do nariz ficar submerso; o receptor deverá participar desse movimento, o que causará entorse do pescoço. Mas um aspecto positivo é o fato desses movimentos darem a sensação de liberdade. Um movimento sincronizado: mover o corpo lateralmente, oferecer sustentação na base da coluna e tracionar os braços para fora da água - auxiliará a manter a cabeça na superfície.

Alguns segundos em uma transição ou um entreato sem sustentação são geralmente aceitáveis. Um receptor que tenha o pescoço curto e uma cabeça que flutue facilmente pode sentir-se bem confortável durante algum tempo sem sustentação; mas um receptor que tenha o pescoço longo e uma cabeça que afunde com facilidade necessitará de sustentação e tração constantes.

Rolando a cabeça na 1ª posição

Para rolar a cabeça para fora, role a cabeça a partir da dobra do cotovelo para o antebraço. Para rolá-la em sua direção, afunde na água, levante seu antebraço e deixe a cabeça rolar para seu braço. Se você forçar o ombro para baixo para rolar o tórax para fora, você deve imediatamente mudar a posição de seu antebraço para fora, embaixo da bochecha de seu parceiro, para que seu antebraço esteja na posição correta quando a cabeça rolar para fora. A troca constante de posição da cabeça geralmente previne desconforto ou entorse do pescoço.

Tração horizontal da cabeça na 1ª posição

Para que o pescoço permaneça confortável nesta posição, os ouvidos devem estar submersos. Sustentação adicional da cabeça (levantando-a ligeiramente, deixando os ouvidos para fora da água) causa entorse do pescoço. Parceiros que apresentam pescoços longos e flexíveis precisam recebem mais tração; alguns tipos de pescoço requerem atenção constante. Minimize a flexão lateral ao tracionar a cabeça na posição horizontal.

Tração vertical da cabeça na 1ª posição

Levante seu cotovelo para executar uma tração simétrica à medida que você suspende o corpo a partir da cabeça. Ao sentir um certo peso do corpo você saberá que a tração está sendo executada. Certifique-se de não comprimir o pescoço entre seu antebraço e braço; segure a crista occipital. Seja cuidadoso ao voltar a cabeça à água, evitando submergir a boca ou o queixo.

Mãos em concha sobre as orelhas

Ao tracionar a cabeça do parceiro pela frente com ambas as suas mãos, sustente a base de cada orelha com a eminência tenar, mantendo suas mãos em forma de concha em volta das orelhas. Este procedimento evita puxões involuntários nos lóbulos e nas cartilagens elásticas das orelhas.

Colombo

Esta técnica é utilizada para transferir a cabeça de um lado para o outro. Seu nome deve-se ao explorador Cristóvão Colombo que navegou para o Ocidente para ir para o Oriente. No Tango, incline a cabeça do parceiro com o seu cotovelo em direção à sua outra mão de modo a poder segurá-la com ambas as mãos. A seguir, após a tração da cabeça, incline-a para a esquerda para soltar sua mão direita e abraçar o ombro antes de receber a cabeça. Ao lembrar-se de Colombo, você jamais precisará "deixar cair o Melão".

Direção do carro

Do mesmo modo que você segura a direção de um carro nos lados opostos, segure a cabeça pelas laterais para manter absoluto controle quando executar os movimentos onde a cabeça será rolada. Em relação ao corpo, o mesmo princípio é mantido, na maneira como os pares musculares contra-laterais do esplênio estendem o áxis, atlas e os mastóides opostos para a rotação da cabeça. Ao segurar o tórax pelas laterais opostas, tal como nas posições onde lançamos o corpo do parceiro para frente, fazemos sua cabeça rolar ou ainda oferecemos sustentação, estaremos realizando o mesmo princípio.

Sustentação lateral à cabeça

Na Dança Curativa, a cabeça muitas vezes recebe sustentação lateral. Esta é uma habilidade que o praticante deve desenvolver. Acima de tudo, deve-se prestar atenção ao nível da água (o qual pode também ser sentido em seu braço). O fato de o pescoço arquear-se nestas posições laterais não é tão problemático como quando o rosto está voltado para cima. De todo modo, deve-se evitar a compressão das vértebras cervicais, utilizando-se da tração para oferecer sustentação.

Perna Inclinada

A terceira lei de Newton declara que para cada ação há uma reação igual e oposta. Mesmo na água, quando um corpo sobe, algo deve descer (afundar). Quando uma das pernas for inclinada em um movimento, sinta a pressão do pescoço sobre o seu cotovelo (lembre-se que sua visão está bloqueada, você deverá sentir). A pressão aumenta à medida que você aumenta a inclinação da perna em questão, mas você deve permanecer estável no mesmo nível, contrabalançando a pressão e não cedendo a ela – o que abaixaria a cabeça de seu parceiro na água. Você pode também valer-se da sensação da água rodeando seu braço para medir o nível da água.

Dicas para a Posição ‘Embaixo da Cabeça’

Sustente o occipício pela borda superior do seu músculo trapézio (isto será mais fácil se você tiver ombros largos). Afunde na água para que a cabeça de seu parceiro fique livre para entregar-se às ondas que são geradas pela parte inferior do corpo.

Olhe para os lados para verificar o alinhamento do pescoço. Deve-se evitar a hiper-extensão e flexões laterais prolongadas. Deslize a cabeça do parceiro para seu peito quando ambos os joelhos estiverem dobrados em direção a seu peito e as costas de seu parceiro estiverem arqueadas.

Os ‘Chifres do Touro’

Esta é uma posição da mão do praticante onde o polegar e o dedo indicador são utilizados em El Matador e no Vórtice. Flexionando ligeiramente seu pulso, você poderá alongar o pescoço do parceiro até mesmo em posições onde ele estiver arqueado. Quando a cabeça estiver pendendo para as laterais, haverá uma tendência menor ao desconforto do que em posições onde o rosto estiver voltado para cima. Tenha o cuidado necessário para não exercer muita pressão sobre o couro cabeludo do parceiro com as pontas dos seus dedos.

Posição ‘Lançamento de Peso’

Como na posição "Chifres do Touro", seu polegar deverá estar próximo a você e os outros dedos na parte da cabeça do parceiro que está voltada para fora. Segure o occipício com a palma de sua mão e posicione a bochecha de seu parceiro junto à sua, tal como um atleta lançador de pesos faria com o peso.

Leveza, Ausência de Peso e Sensibilidade

Poder flutuar na água é um presente que nos foi dado, para todos os seres humanos e para todas as criaturas amantes da água. A flutuação torna a aquaterapia possível: podemos mais facilmente sustentar uma pessoa em nossos braços por períodos de tempo mais longos.

Os receptores sentem essa ‘facilidade’ natural, e consequentemente, sentem-se mais leves, por vezes lembrando-se de épocas em sua infância quando eram carregados no colo.

Em Chi Kung, a mais antiga arte marcial chinesa, quando nos permitimos sentir-nos pesados e deixamos nosso peso afundar, paradoxalmente nos sentimos mais leves. Do mesmo modo na água, nossa sensibilidade ao peso do receptor permite que este sinta sua própria leveza.

No início de uma sessão, quando avaliamos as proporções, a flexibilidade e a massa corpórea de nosso parceiro, devemos também nos perguntar "Onde o peso está localizado?". As áreas mais pesadas de cada corpo variam de pessoa a pessoa, determinadas pela gravidade específica geral e por graus de gravidade variáveis em diferentes partes do corpo. A seguir, continuando nosso questionamento, podemos nos perguntar "Qual movimento poderia ser mais leve, mais livre, mais sutil?", tornando-nos assim mais receptivos às características individuais, respeitando-as e permitindo que se expandam em descontração. Quando a leveza se ‘expande’ ela se torna ausência de peso. A ausência de peso associada ao movimento resulta em uma sensação de ‘voar’, como reportado por alguns receptores. Em outras palavras, ausência de peso + movimento = voar!

Assim como a pausa entre as respirações que fazemos na prática do yoga, a qual induz ao êxtase, a sensação de ausência de peso nos movimentos na água nos transporta a outras dimensões. Ela é de uma doçura indescritível, a qual queremos mais e mais experimentar. Com a prática, nos tornamos capazes de criar e aumentar a duração desses momentos de ausência de movimento que também induzem a uma total ausência da noção de tempo. Mas, onde os encaixamos no fluir do movimento? Faz muito sentido encaixá-los ao final de rotações e giros, nos movimentos ‘de subida’ das ondas, nas espirais e nas figurações em ‘8’ (oito).

Após receber um impulso do doador, o corpo do receptor perpetua o movimento ou então responde ao impulso e completa o movimento. É essencial permitirmos o tempo necessário para que isso ocorra; devemos observar o corpo do parceiro e simplesmente esperar. Experimentar a ausência de peso é sem dúvida mais fácil para pessoas que flutuam com facilidade do que para pessoas que afundam com facilidade. Para esses receptores que afundam com facilidade, esses momentos de ausência de peso são mais facilmente propiciados na fase descendente de um movimento em onda, onde eles podem experimentar a liberdade e a leveza de uma ‘queda livre’.

Mas acima da percepção de peso está a noção de gentileza, ternura no fluir do movimento. Segure seu parceiro como se ele fosse tão frágil quanto um bebê, e igualmente aberto a todas as impressões que lhe são passadas. Sabemos que as partes de nossa psique que correspondem ao nosso nível de desenvolvimento desde a mais tenra infância são extremamente sensíveis.

O amor emana do desejo e da necessidade de ser amado. O Amor é a ‘Grande Porta’ para e ao mesmo tempo a própria ‘Cura’. Nós nos fechamos em sua ausência, e nos abrimos novamente em sua presença ao relembrarmos o golpe que causou a dor original.

Um tratamento gentil, com a ternura do amor, permite o tempo necessário para a ‘parada’, para a pausa que o receptor necessita para sentir-se e estar em paz consigo mesmo. Nada deve ser forçado ou apressado. Quando forçarmos algum movimento, inevitavelmente implicamos que algo está errado e que essa condição deve ser alterada. A pressa desvaloriza o momento, pois passa a mensagem que alguma outra coisa é mais importante do que o que está ocorrendo agora.

Ao invés dessas implicações negativas, ofereça aceitação. Lembre se que o praticante é um doador. Passe para seu parceiro, através de seu toque e de sua presença, que ele é belo, é amado e é aceito do jeito que é. Mas acima de tudo, sinta-se assim em relação a você mesmo. Não é esta a mensagem que todos nós queremos ouvir e receber ao longo dos anos? No fundo, não é isso que lutamos para receber através de nossas conquistas? Podemos e devemos enviar essa mensagem a nós mesmos, antes de a qualquer outra pessoa.

Um tratamento terno pode também ser ‘brincalhão’, sugerindo assim que pode haver um comportamento mais leve e livre em um corpo tão ‘sério’ como o nosso. Dê a seu parceiro a oportunidade de escolher esta opção de tratamento ou não, ao invés de forçá-la ou tentar quebrar uma resistência a ela. A resistência é algo que tem que ser superado por escolha própria, e você, enquanto doador, pode somente abrir a porta: cabe ao receptor passar por ela. O papel do doador é o de focar a atenção e criar a consciência do receptor, a quem caberá a escolha de relaxar e entregar-se.

Esta é a razão de os alongamentos serem geralmente executados lenta e gentilmente, para dar tempo à conscientização e à escolha. Segue-se, então, que todos os movimentos sejam executados do mesmo modo, cabendo aqui uma exceção: o cliente que já está aberto à entrega, e que escolheu a aquaterapia pelo simples prazer e felicidade que esta lhe proporciona. Neste caso, os medos já foram ultrapassados e a entrega ao poder da terapia e ao fluir da mesma pode ser livremente experimentada. É interessante como somos diferentes uns dos outros: a maneira como encaramos os caminhos que percorremos e o que nos é benéfico em um dado dia parecem determinar nosso fluir contínuo.

Os Princípios da Seqüência

A aquaterapia é criativa em sua essência, permitindo uma gama ampla de expressões individuais. Independentemente do estilo ou da seqüência que os alunos-praticantes aprendam inicialmente, eles conseguem rapidamente desenvolver sua própria abordagem ao trabalho, imprimindo adequações à sua psique, temperamento e preferências individuais. Eles descobrem seus movimentos próprios e incorporam outras modalidades de trabalho corporal às suas sessões.

A água permite uma fácil adaptação, ‘moldando-se’ à expressão de estilos híbridos. A forma pela qual Watsu foi criado foi a própria síntese entre o Shiatsu e o elemento aquático. Apesar de o trabalho na água ser relativamente recente, nota-se entre os praticantes uma variedade de estilos. Alguns enfatizam mais o Shiatsu original, enquanto que outros integram a aquaterapia à fisioterapia, a técnicas utilizadas sobre os tecidos conjuntivos, à polaridade, ao trabalho sobre o crânio e o sacro ou ainda a algum trabalho sobre processos emocionais. O movimento em si constitui minha área de interesse e minha contribuição aos praticantes.

Ao término deste curso você provavelmente selecionará o que lhe atende melhor, e a partir de então poderá explorar outras possibilidades mais a fundo. De todo modo, uma compreensão do que eu defino como os "Princípios da Seqüência" ou a lógica da execução de uma sessão ajuda-lo-á a compreender e a embasar sua prática futura. Determinadas características e necessidades anatômicas, fisiológicas, emocionais e até mesmo espirituais devem ser levadas em consideração. Geralmente, os receptores seguem progressões similares e que se justapõem aos movimentos; estas progressões podem ser previstas e devem ser observadas.

Adapte-se a cada cliente

Os mestres Zen da cerimônia do chá do Japão antigo costumavam dizer: "Este nosso encontro ocorrerá somente uma vez em todas as nossas vidas!" . Cada sessão, do mesmo modo, constitui um encontro único entre quem o cliente e o praticante são naquele momento. Quaisquer outras sessões entre as mesmas duas pessoas jamais serão as mesmas. O objetivo de se ensinar as seqüências reside na aquisição da técnica. O relacionamento verdadeiro inspira-se no ser e no estar do parceiro. e nos seus limites.

Conheça seus próprios limites

Talvez não consigamos – ou até mesmo não queiramos – trabalhar com todos os clientes que nos procurem. Nossa constituição física, nossa força e nosso temperamento podem permitir nosso trabalho com alguns clientes mas não com outros. Certos movimentos podem nos ser desconfortáveis ou penosos, ou simplesmente não se encaixarem com nosso estilo ou preferências. Respeite suas características individuais e seja honesto com você mesmo.

Boa sorte na piscina!

A piscina é o ambiente perfeito para a aquaterapia. As condições da piscina variam, desde um grau ‘sublime’ até algo que poderia ser visto como ‘ridículo’. Seu trabalho com um cliente será afetado pela temperatura da água, pelo sol, vento, chuva, barulhos, profundidade da água, tração exercida pelo fundo, inclinação do fundo, tamanho e formato da piscina, e pela presença – ou não – de outras pessoas em suas próprias sessões, nadando, brincando ou simplesmente observando.

Permita que a confiança seja construída

No início de uma sessão, o receptor precisa se acostumar com o fato de ser sustentado por e de estar dependente do doador para a água não chegue a seu nariz. De certo modo, o receptor deposita sua própria sobrevivência na água nas mãos do doador.

Além disso, se seu cliente nunca recebeu uma sessão de aquaterapia antes, existirá a insegurança advinda de não saber o que realmente irá acontecer. Assim sendo, a construção da confiança é a prioridade número um de uma sessão. Ela é iniciada com a interação verbal que precede a sessão, mas será verdadeiramente testada na água.

A construção da confiança deve se processar através da progressão para níveis cada vez mais amplos de confiança, culminando no estado de entrega, o qual constitui, na verdade, um estado de autorização.

A relação entre esta progressão e a seqüência determina que uma sessão se inicie suavemente, com o receptor e o doador respirando em sintonia enquanto ainda estão em pé na piscina ou quando o doador está flutuando o receptor sem movimento algum. Iniciando-se desta maneira estaremos permitindo ao doador o tempo necessário para focar sua atenção e para se ajustar à sustentação e dependência do doador, algo que não lhe é familiar.

Preste sempre atenção às regiões cervical e lombar

O ponto fundamental da técnica é manter a cervical e a lombar alongados ao invés de hiper-estendidos. Quaisquer movimentos que você introduza à seqüência devem considerar esta preocupação. Evite períodos prolongados com falta de sustentação à cabeça ou com seus pés arrastando-se no fundo da piscina.

Module os alongamentos

Existe um paralelismo entre a progressão dos níveis de relaxamento de um cliente durante uma sessão e a progressão da intensidade dos alongamentos. Deve-se iniciar a sessão com uma exploração do alcance dos movimentos do cliente, procedendo então a alongamentos suaves e culminando com alongamentos mais intensos.

Fique atento ao grau de intimidade

As modalidades aquáticas estão entre as que apresentam um maior grau de intimidade entre todas as terapias corporais. Diferentemente de uma massagem sobre uma mesa, o receptor não se encontra afastado do doador ou ‘protegido’ por um lençol sobre seu corpo. Ele estará em nossos braços, ora alongando-se, ora aninhado e sendo conduzido, e seu corpo estará sempre muito próximo do nosso.

Certos movimentos poderiam ser interpretados como sendo invasivos ou muito íntimos se executados logo no início de uma sessão; por outro lado, podem ser confortavelmente prazerosos se executados após a confiança no doador ter sido estabelecida.

Recomendamos especial atenção ao contato corporal secundário, e à direção para qual a cabeça do cliente está voltada no início da sessão.

Recomendamos também que todos os movimentos onde o praticante se posiciona entre as pernas do receptor sejam reservados para momentos posteriores da sessão.

Conduza a sessão sem distrair-se do seu trabalho

Estados de transe, visões e memórias da infância, incluindo da vida intra-uterina, freqüentemente ocorrem durante uma sessão. Por isso, devemos fazer com que nosso trabalho seja como uma música da Nova Era tocando ao fundo, a um volume alto o suficiente para ser ouvido e ‘curtido’ quando quisermos nos concentrar nela, mas ao mesmo tempo a um volume baixo o suficiente para não nos distrair de nosso trabalho levando nossa consciência a algum outro pensamento. Cada um desses extremos pode abruptamente trazer o cliente de volta ao aqui e agora.

Sendo assim, o que se faz necessário, é um ‘volume confortavelmente médio’, ou seja, um ritmo constante e estável, transições suaves, invisíveis, gentileza de tratamento e cuidado. Seu parceiro poderá então sentir-se seguro o suficiente para entregar-se àqueles estados mais profundos do seu ser.

Faça um trabalho equilibrado com ambos os lados do corpo; proporcione a seu cliente um número adequado de repetições

Uma sessão de aquaterapia consiste tipicamente de vários ciclos, cada um deles constituído por uma fase de vários movimentos que duram alguns minutos, uma pausa para descanso, e a mesma fase repetindo-se do outro lado do corpo.

Executar vários movimentos diferentes em cadeia antes de repetí-los com o outro lado do corpo faz com que o receptor dificilmente consiga prever a ordem exata da seqüência; isso acaba desencorajando o cliente a tentar ocupar sua mente com a seqüência da sessão. Estaremos também propiciando ao corpo do cliente um trabalho simétrico e dando ao cliente uma atenção equilibrada, o que evita que a sessão se torne maçante. Acredito que para todos nós, a vida parece ser mais interessante quando existe o elemento imprevisível.

Uma seqüência equilibrada sempre introduz algo novo a partir do que é familiar ao cliente. A repetição dos movimentos não deve ser evitada, pois reporta o cliente a alguns ‘portos seguros’, momentos que lhe são reconfortantes e familiares, durante os quais ele pode relaxar ainda mais e entregar-se.

Alguns movimentos merecem ser repetidos simplesmente pela força de sua eficácia, por produzirem um maior alongamento ou uma entrega maior a cada vez que são repetidos.

Pausas

Pausas dentro do fluir do movimento são absolutamente essenciais. Se não fossem introduzidas, o receptor se sentiria sobrecarregado com tanto movimento. Ao flutuar sem movimento ou estando simplesmente seguro nos braços do doador, o receptor tem a oportunidade de descansar seu sistema nervoso, de assimilar os estímulos e integrá-los – de sentir-se, em suma, para então estar preparado para absorver mais.

Freqüentemente, descargas de sentimentos podem ser liberadas durante estes momentos de quietude, pois os efeitos da aquaterapia se propagam através da psique. Nestas situações, devemos abandonar qualquer seqüência previamente planejada e dirigir nosso trabalho para uma modalidade mais ‘carinhosa’, mais reconfortante, a qual também não deverá desviar a atenção do cliente de seus sentimentos, e sim silenciosamente encorajá-lo a permanecer com seus sentimentos. Esta atitude pode manifestar-se através de um simples ‘colo’ - segurar o receptor em nossos braços, aninhá-lo contra nosso peito ou massagear o centro do coração ou suas costas.

Acima de tudo o cliente precisa sentir a nossa permissão e aceitação, para que possa sentir e expressar-se. Alguns clientes beneficiam-se enormemente de um estímulo verbal. Ao mantermos nosso compromisso de não seguir uma agenda previamente estabelecida, devemos, como praticantes, não nos envolver com as expressões do cliente, sejam elas o choro ou o fechar-se em si mesmo, mas simplesmente estarmos presentes e também prontos a retomar nosso ‘planejamento’ da sessão quando o cliente assim o desejar ou parecer estar pronto. Todas as transições para a quietude ou saindo dela devem ser executadas gradualmente e com sensibilidade

Mantenha o ‘fluir’

Nosso repertório de movimentos deve compreender um certo número de transições com as quais possamos subtilmente interligar nossas seqüências. Nosso objetivo deve ser um estilo com o fluir suave e ininterrupto, como um tom musical que se eleva e cai na freqüência e amplitude apropriados mantendo sua continuidade. Lembre-se sempre de imaginar que seu parceiro esteja dormindo e você não queira acordá-lo.

Equilibre posições arqueadas e posições arredondadas

Um ponto que deve ser claramente entendido é que manter o corpo em uma posição arqueada (hiper-extensão da espinha e/ou extensão dos músculos da coxa combinada com flexão do joelho) impõe um certo grau de estresse, apesar de proporcionar um alongamento e um trabalho revitalizador nessas áreas. Uma posição desse tipo deve ser seguida por um movimento que ‘arredonda’ a coluna. Observamos aqui um princípio milenar do yoga que jamais será vencido pelo tempo.

Apesar de alguns clientes pedirem mais e mais posições arqueadas, elas devem ser utilizadas com moderação. Em Ondas, conduza uma transição cuidadosa de uma posição ‘arredondada’ para a posição arqueada: se esta transição for executada muito rapidamente, o cliente poderá sentir uma ‘fisgada’ ou uma ‘chicotada’, o que causará um estresse nas articulações intervertebrais.

Encerre a sessão suavemente

Devemos encerrar uma sessão de tal modo que permita ao cliente permanecer em seu fluir de sentimentos ou estado de transe. Em termos práticos, isso significa conduzi-lo de volta à parede e encostá-lo, estabelecer a ‘ancoragem’ com o fundo da piscina mas sempre respeitando seu próprio espaço. Ao voltar à posição vertical, seja sentando-se ou ficando em pé, o cliente imediatamente perceberá que está na hora de ‘voltar à realidade’ e ao convívio com os outros. Ao posicionarmos um cliente na vertical estaremos integrando-o de volta ao mundo do ‘agora’ coletivo.

O equilíbrio da polaridade no encerramento tem por objetivo ancorar e equilibrar os fluxos de energia, bem como para estabelecer um nível mais sutil de consciência do receptor. Ao término de uma sessão, talvez não nos seja possível determinar com exatidão o estado psíquico de nosso cliente. Estaremos ajudando-o a ‘voltar à realidade’ ao oferecer-lhe o tempo, o espaço e a escolha de terminar a sessão quando e

Canalização

A canalização ocorre em múltiplos níveis. Fisicamente ela representa uma permissão à dança, e aos músculos de seu corpo constituírem o ímpeto que colocará o receptor em movimento. Ao transferir seu peso, afundar e erguer-se na água, puxar e empurrar o corpo do parceiro, você estará emitindo sensações que serão recebidas por seu parceiro via contato corporal direto; essas sensações são experimentadas de maneira qualitativamente diferente do que se seu parceiro se sentisse um objeto sendo manejado.

Tal como em uma massagem sobre uma mesa, quando você se projeta sobre o cliente e dirige seu peso em um movimento orgânico - contrastado com uma manipulação com esforço muscular - o receptor terá uma sensação de conforto maior e poderá relaxar mais facilmente.

Todo movimento verdadeiro, natural, é canalizado, e surge de diferentes áreas de nossa psique para revelar nossa verdadeira identidade a nós mesmos. O movimento dá expressão às emoções mais fortes daqueles aspectos mais sombrios do nosso ‘eu’ íntimo, bem como às nossas mais elevadas aspirações e intuições. O movimento também pode ser canalizado quando há a intenção de utilizá-lo para mover outro corpo, ou de colocarmos nosso corpo nas mãos de outra pessoa para que esta nos movimente.

Neste caso, ao invés de começar uma sessão a partir da conscientização, a sessão será iniciada com a experiência da unidade. Lao-tzu, autor do Tao de Ching – obra que constitui um manual para os praticantes de aquaterapia - levanta o seguinte questionamento: "Você consegue permanecer imóvel até que a correta ação a ocorrer manifeste-se por si mesma?" Milton Trager , o criador do „Trabalho Trager", ou seja, o movimento orientando a terapia de solo, conforme mencionado anteriormente como uma das influências que contribuíram para A Dança Curativa, utiliza o termo "fazer o gancho" para descrever este fenômeno da conexão com o parceiro e com o Tudo.

Uma triangulação é assim estabelecida, e esta relação é inerentemente mais poderosa do que uma simples interação entre dois pólos, a qual não necessariamente incorpora uma assistência. O fluir emerge interligando os três pólos de uma trindade, cada pólo sendo receptivo e ativo. Sua receptividade ao espírito gera um fluxo de energia curativa através de você; a receptividade do parceiro à você mantém esse fluxo de energia, e quando o "ser" do receptor permite soltar-se, temos o prazer pleno do espírito. Este é verdadeiramente o contexto onde a cura ocorre.

Nosso trabalho na água, então, pode ser visto como incluindo uma dimensão espiritual. O doador estará canalizando Luz e Amor provenientes de dimensões mais elevadas, talvez até mesmo trabalhando com um tutor pessoal ou um mestre da cura.

Utilizando a visualização e orações você poderá invocar essas energias. Por exemplo, visualizando você mesmo e o receptor durante toda a sessão como um pilar de Luz certamente estabelecerá e manterá um contexto de cura; ou então você pode simplesmente orar para que o receptor seja auxiliado a abrir-se totalmente para poder receber o que ele necessita. Este tipo de oração sempre surte efeito.

Apesar de o elemento aquático favorecer a transmissão direta da energia chi, há uma tendência de tal energia ser dissipada, exceto nos momentos de pausa onde há um abraço e onde o praticante está intencionalmente fornecendo a Polaridade descrita acima. Um aspecto positivo desse fato é a redução do risco do doador absorver energias ‘negativas’ que estejam sendo liberadas pelo receptor.

No entanto, considerando-se a proximidade física que caracteriza a aquaterapia, os dois ‘campos corporais’ ou auras podem fundir-se intimamente durante o tempo da sessão (geralmente uma hora). Neste caso, seu próprio bem-estar e contínuo deleite do momento podem funcionar como um sol radiando durante todos os movimentos, e isto será instantaneamente percebido e absorvido pelo subconsciente do receptor. Lembre-se que nós canalizamos o que realmente somos: nossa energia é única, assim como nossa assinatura, e constitui a ‘marca’ que registramos no mundo. Sendo assim, saiba e diga sempre a você mesmo que você é belo e amado, e que é parte constituinte de um universo de amor.

Implícita na canalização está a atitude de aceitação. Lembre-se que sua intenção não é mudar o receptor. Simplesmente seja você mesmo, radiando boa vontade e deixando que os resultados disso ocorram naturalmente. Dificilmente nos apercebemos de quão profundamente uma sessão afeta o outro. Talvez consigamos captar muito superficialmente o grau de entrega que o receptor conseguiu atingir, fugindo-nos o quanto a pessoa como um todo foi afetada pela sessão. Essa percepção da entrega, no entanto, constitui um primeiro passo, aquele passo que imprime o movimento em direção à abertura e à liberdade, o qual irá aflorar em sua plenitude somente mais tarde.

Link para o site oficial de Healing Dance

Apostila com movimentos de healing Dance em PDF

Apostila com textos sobre healing Dance em Inglês

 

 
 

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