Healing
Dance se traduz em movimentos ondulados e
amplos, juntamente com manobras de grande
amplitude de movimento. Os praticantes deste
trabalho necessitam estar em um nível
elevado na prática de manobras.
O trabalho
identifica-se mais como uma expressão artística
do que com objetivos terapêuticos. O objetivo do
Healing Dance é despertar o curador interno
através dos movimentos de dança. Dançar passivamente na água
o corpo daqueles que gostam de dançar,
experiência a liberdade que a água pode
propiciar ao corpo, em nosso interior.
Bailarino e coreógrafo, Alexander desenvolveu-se no Watsu e no Water Dance de maneira extraordinária e com o passar do tempo desenvolveu diversos movimentos de dança adaptados a Terapias Corporais Aquáticas, alguns deste movimentos foram agregados ao Watsu como o Vôo Livre, um movimento muito importante para o Watsu
e outros trabalhos Aquáticos, devido a sua múltipla função.
O Healing Dance foi desenvolvido inicialmente no Brasil com os primeiros cursos. No segundo curso de Healing que Alexander lecionou no Brasil era um
evento com uma quantidade de alunos considerável de pessoas que acreditavam no trabalho de Alexander como sendo o primeiro instrutor de Watsu no Brasil a formar turmas como profissionais. Alexander sai da
piscina olha para ela com todos em movimentos de ondas com seus parceiros e grita como se estivesse decretando algo. " O Healing Dance está acontecendo". Este é Alexander, um instrutor que valoriza a arte em todos os aspectos e ensina não somente movimentos na água
mais muitas possibilidades.
Alexander está sempre criando e é responsável por muitos movimentos de
Water Dance e alguns de Watsu. Após algum tempo aparece Alexander novamente no Brasil trazendo as novidades com uma
infinidade de movimentos baseados na dança, e em diversos trabalhos, agora incluso a tridimensionalidade da submersão. O Trabalho é dividido em quatro partes atualmente. e quem se
presta a aprender Healing Dance prepare-se para balanças suas
estruturas e tenha a certeza que não será a mesma pessoa depois.
O Healing tem realmente crescido e desenvolvido muito e ainda aparenta um pouco uma cocha de retalhos um pouco caótico, mas sabemos que caminha para ser o trabalho corporal aquático mais forte de todos, devido a dedicação total de seu desenvolvedor
Alexander Georgeakopoulos.
O Estilo
Eu estudei
Watsu com Harold Dull em Harbin Hot Springs, em 1990. Meu trabalho
na água, a partir de então, foi influenciado pela minha formação em
dança aliada às características inerentes ao elemento aquático, e
por minha experiência como praticante de "Trager Work", que é uma
terapia corporal desenvolvida a partir do movimento.
Após ter
estudado Dança Aquática (WaterDance) em 1993 com Arjana Brunschwiler,
novas dimensões dos conceitos de espaço, de alcance dos movimentos e
de tridimensionalidade abriram-se para mim. Muitas sugestões e
idéias oferecidas por assistentes e por alunos também foram e
continuam sendo incorporadas, de modo que hoje, A Dança Curativa
(Healing Dance) está se tornando mais uma criação coletiva do que
uma criação individual minha.
A Dança
Curativa pode ser resumida nas seguintes idéias:
O poder
da dança nos envolve como um abraço, induzindo-nos à
participação prazerosa, como se estivéssemos em um novo ritmo
biológico, mais lento, ou não mais movendo-nos por conta
própria. A interação constitui a dança. A cura emana do
interior.
O
movimento é entendido como um remédio, e portanto é
cuidadosamente dosado, intercalado com momentos de pausa.
O doador
está sempre atento às reações do receptor, as quais indicam os
movimentos-chave.
O
receptor experimenta uma dança recebida, que lhe é dada, e a
qual evoca experiências de beleza e prazer; estas experiências
podem levar, por vezes, a descargas emocionais mais profundas.
Um fluxo
de movimento contínuo e sem quebras é gerado e mantido.
Um campo
rítmico é igualmente estabelecido e mantido
A
sensibilidade ao ‘ritmo de consciência’ que está presente em
todos os movimentos potencializa seus efeitos.
Um
poderoso sistema tridimensional é empregado para canalizar o
movimento.
O doador
como que desaparece, reduzido apenas a mãos que auxiliam e
transmitem ternura, à consciência do contato corporal segundário,
movendo seu parceiro à distância e permanecendo ‘por trás’ de
seu movimento
A leveza
é comunicada através da sensibilização ao peso, de uma abordagem
questionadora, de descargas de sentimentos, e da descoberta de
momentos de ausência de peso no fluir do movimento
Liberdade
e intimidade equilibram-se em uma metáfora da realidade do
relacionamento.
Movimentos circulares e cíclicos (ondas, espirais, círculos e
‘oitos’) são experimentados como mandalas no espaço na completa
tridimensionalidade da água.
O
praticante ‘viaja’ na piscina para gerar correntes ‘virtuais’ ,
nas quais o receptor navega.
Avançadas
técnicas mentais e físicas que trabalham a mecânica corporal
proporcionam o refinamento do movimento e do toque do doador,
levando a respostas mais eficazes.
A
familiaridade com uma gama de movimentos estimula a
improvisação, a qual constitui o objetivo final deste estudo.
Movimento: o remédio
para a cura
Sistemas vivos
têm a capacidade de auto-cura. O corpo e a psique podem receber
auxílio externo – e também influências negativas - para isso; no
entanto, a cura só poderá vir de dentro de nós mesmos. O
relacionamento entre o terapeuta e o cliente deve constituir um
terreno de confiança e de firme intenção para que a auto-cura se
processe. Os movimentos de uma sessão devem constituir uma afirmação
suficientemente forte, como portas abertas através das quais o
cliente faz a escolha de seguir adiante. Os movimentos tornam-se
então revelações para o corpo, mostrando-lhe toda a liberdade e
facilidade com que podem ser executados. Os movimentos encontrarão
eco na inteligência inerente ao corpo como o "padrão de perfeição"
que o corpo possui. A dança, então, estará em seu nível mais sutil e
criativo, entre a mensagem subliminal inerente aos movimentos e a
consciência mais profunda do receptor. A Dança Curativa
constitui-se, consequentemente, pela interação entre o terapeuta e o
cliente, pela compaixão e pelo medo, pelo movimento e pela entropia.
A crença no
poder curativa do movimento é a base deste estilo de cura. Sendo o
movimento visto como um remédio para a cura, ele deve ser dosado
cuidadosamente. Isto significa observar e permitir que o movimento
adequado surja no momento adequado, seguindo o ritmo e a duração
igualmente apropriados. Pausas naturalmente constituem uma parte
deste conceito de dosagem.
Em nosso
desenvolvimento e na nossa vida diária, podemos observar que algumas
partes do nosso ser tornam-se energeticamente isoladas ou
destorcidas. Os termos utilizados em Shiatsu para referir-se a falta
de e à estagnação de energia - kyo e jitsu – podem igualmente ser
aplicados à pessoa como um todo.
O Movimento,
melhor dizendo, a dança, tem o poder de re-energizar, de quebrar
bloqueios, de re-conectar-nos e equilibrar-nos, enfim, de
restabelecer um sentido de um ‘todo’, um ‘uno’. O dança tem o poder
de alterar positivamente muitas dessas condições mencionadas no
parágrafo anterior.
O terapeuta
deve estar atento às reações do cliente, as quais indicarão quais
são os movimentos-chave. Suspiros, gemidos, sorrisos, riso e até
mesmo as lágrimas apontam todos para a mesma direção, a volta à
unidade. Todos os movimentos que geram essas reações são
significativos, e projetam uma luz sobre as misteriosas razões das
distorções de condições ideais. Um movimento-chave pode também
surgir a partir do próprio receptor: neste caso, nossa
responsabilidade será observar esse movimento e validá-lo. Ao
permitirmos que esse movimento se realize e ao encorajar sua
expressão estaremos promovendo a conscientização da real motivação
desse movimento.
Nas sessões de
Dança Curativa as reações de prazer estão intimamente ligadas com o
experimentar a beleza. É realmente belo compartilhar da graça,
força, ternura, liberdade, ausência de peso e sensibilidade de uma
maneira que poderia ser definida como uma „dança recebida" . O
receptor estará vendo a si próprio como uma expressão de Beleza, e a
Beleza é uma manifestação do Divino. Muito freqüentemente os
receptores alcançam níveis mais elevados de consciência, os quais
estarão reabrindo um canal para o estado de bênção, o qual é
raramente vivenciado.
Na tradição
espiritual indiana o estado de bênção é entendido como o estado
natural de consciência. "Satchitanand" significa " a verdade é a
consciência da bênção". Lembrar-nos que a bênção é o nosso estado
natural de ser constitui uma lição importante, pois não precisamos
aprender somente através do sofrimento e da dor. A experiência de
qualquer momento de bênção pode levar-nos a perceber sua ausência em
nossas vidas.
As pessoas
necessitam, no entanto, de um certo grau de segurança para permitir
que sentimentos dolorosos se expressem. A experiência de um estado
de bênção pode ser suficiente para permitir que esses sentimentos
dolorosas espontaneamente emergem.
Mecânica
do Corpo
Uma mecânica de
corpo correta ajuda tanto o terapeuta (doador) quanto o cliente
(recebedor). Com uma boa base técnica, o profissional se mantém
sensível, eficaz, se movimenta deslizando e fica relaxado. Pode ser
muito agradável aplicar uma sessão. Sob essas condições o cliente
tende a ter uma experiência prazerosa, estimulante, eficiente como
trabalho corporal, e abre espaço para uma exploração interior.
Se um cliente for
particularmente pesado na água ou desajeitado para se trabalhar, o
conhecimento da mecânica corporal reduz e previne machucados e dores
musculares. O trabalho na água é mais fácil para homens altos com
braços longos do que para mulheres leves e baixas. Mesmo assim, o
uso cuidadoso de flutuadores e pesos capacita mesmo uma mulher
pequena a ser bem sucedida em suas sessões e a oferecer sua
qualidade única de compaixão.
Alguns tipos físicos
têm uma tendência maior a se machucarem do que outros, sendo mais
mutáveis e menos substanciais. Aqueles mais robustos, que "nasceram"
para a profissão, com maior vitalidade e resistência, não precisarão
prestar muita atenção em como estão executando os movimentos, ao
ritmo, nem se ajustarem aos clientes maiores e mais pesados.
Entretanto, saber como economizar energia e respeitar o corpo é um
fator que irá prolongar uma carreira ativa, livre de machucados.
Para um terapeuta
corporal, os ferimentos fazem parte de sua jornada, para a qual ele
aprende a se respeitar e a se purificar. Muitos de meus colegas
compartilharam como problemas físicos vindos de uma massagem se
tornaram ensinamentos, levando-os à modalidades mais suaves, com
energia orientada. Terapeutas corporais são levados à água pelo
mesmo motivo. As terapias aquáticas são mais gentis com o terapeuta,
mas mesmo assim podem ser difíceis, até mesmo prejudiciais, sem uma
prática de mecânica de corpo adequada, compensando as possíveis
limitações e adaptando o trabalho ao cliente.
Enquanto movimento,
A Dança Curativa lembra muito o Tai-Chi. Suas posturas, seu
ritmo lento e ponderado, meditativo e consciente da respiração são
muito parecidos com os movimentos dessa arte marcial chinesa. Os
quatro primeiros princípios da mecânica do corpo têm muito em comum
com o Tai Chi. Vamos ver como.
1) Ficando de Pé,
Afundando
A postura na água é
com os pés apontando para a frente. Os joelhos se dobram sobre eles,
os quadris descem e a coluna se eleva verticalmente para a pélvis.
Esta é a postura do cavalo do Tai Chi, só que mais aberta. O flutuar
da água torna essa postura, mais aberta, possível, sem o adicional
esforço que precisaria fora d’água. Tanto o terapeuta quanto o
cliente compartilham um centro de gravidade comum, o qual é bem alto
e as vezes está do lado de fora de cada corpo. A conseqüência é uma
estrutura instável e pesada. Esta base muito ampla adiciona
uma estabilidade necessária para movimentar o outro no nível do
peito. Fique em pé sólido como uma montanha.
A flutuação é o
fator chave que afeta a mecânica do corpo na água. Ao ficar de pé,
fora da água, o corpo ganha peso. Ao dobrar os joelhos e imergí-los
até o queixo, o corpo ganha flutuação. Qualquer coisa que é
levantada fora da água se torna mais pesada. Submersa, é flutuada de
acordo com a sua gravidade específica. Ficar de pé e trabalhar em
água rasa aumenta a sua estabilidade no fundo da piscina e,
portanto, auxilia na alavanca do movimento. Afundar bastante
ou trabalhar em água profunda produz um efeito oposto. A
estabilidade reduzida é um empecilho para a flutuação, sua vantagem
é a facilidade que nos permite agüentar um outro.
Um homem alto em uma
água rasa leva muito menos desvantagem do que uma mulher baixa em
água profunda. Se a água estiver muito rasa, nosso homem alto deve
fazer uma postura desconfortavelmente ampla, ou até mesmo ajoelhar.
Nossa mulher baixa, em uma água muito profunda, deve apenas colocar
pesos nos tornozelos. Quando levantar ou ficar no raso ? Certamente,
na Seqüência do Tango e nas Variações com a Perna de Dentro. Para
que o parceiro role na Rotação da Perna de Dentro, o ombro próximo
precisa de espaço para se instalar debaixo de sua axila e você tem
que ser capaz de encostar na perna. No início e no final, na parede
existem dois outros momentos em que a água mais rasa é necessária -
o cliente não conseguirá dobrar seus joelhos ou muito menos relaxar
se a água for muito profunda.
Quando afundar ou
ficar no fundo? Nas seqüências de "Algas I e II" e "Chagal",
naturalmente quando a postura for a mais ampla. Terapeutas
experientes tendem a trabalhar no fundo da água. Eu chamo de
"estilo crocodilo", (permanecer afundado na água, como crocodilo
que deixa somente o nariz e os olhos acima do nível da água)
despendendo menos energia ao manter sua própria postura ou suportar
fora da água partes de um corpo que não pertence a você.
2) Transferência
de Peso
A transferência de
peso consiste na alternância do peso do corpo de uma perna para
outra. A alavanca fica na dependência da tração do pé no fundo da
piscina. O impulso começa isométricamente, superando a inércia. Uma
vez iniciado o movimento, uma série começa. Quando o peso do corpo
se estabiliza na segunda perna, o joelho se dobra para absorve-lo. O
impulso é feito para baixo e na diagonal, produzindo um deslocamento
lateral do corpo na direção oposta. A perna transmite sua força para
a pélvis. O tronco flutua acima da pélvis. Os músculos do torso se
contraem isométricamente para mante-lo equilibrado acima dos quadris
contra o fator de deslocamento da resistência da água. A contração
estabilizadora do torso também propicia uma alavanca sólida para os
braços sustentarem e moverem o parceiro.
3) Rotações dos
Quadris
Numa mecânica de
corpo típica, uma transferência de peso já é seguida pela rotação
pélvica. A pélvis gira para dentro em direção ao fêmur
da perna que está recebendo o peso. Da mesma maneira como o toureiro
gira sua capa, o movimento pode continuar para formar um arco mais
longo. Quando criamos um movimento das pernas e quadris dessa
maneira, os braços e as costas não ficam sobrecarregados. Os braços
ficam exatamente em frente aos ombros. Se eles não estiverem,
significa que a coluna está torcida, desestabilizando o alinhamento
vertebral e puxando os músculos das costas.
A gravidade existe é
funciona também na água. A força da flutuação na água se opõe à
gravidade. (Isso é conseqüência principalmente da gravidade,
resultado da pressão da água aumentada pela profundidade.) É mais
fácil segurar objetos ou pessoas na água do que fora, mas se as
movimentarmos lateralmente é mais difícil - a massa dos objetos
encontra a viscosidade da água que é maior do que a do ar. O poder
de mover o parceiro lateralmente através da água vem da
transferência de peso de uma perna para outra, girando a pélvis e
estabilizando as costas e os braços. Torcer as costas é uma falha da
mecânica do corpo, uma vez que sobrecarrega os rotores
paravertebrais com a tarefa de transferir toda a massa corporal do
companheiro, um papel ao qual não foi designado.
4) Passos
Uma transferência de
peso sempre leva à um passo para frente, para os lados ou para trás.
Ao dar um passo largo e fundo para trás, seguido de uma
transferência de peso no giro, este evolui mais. Agora, um movimento
mais longo e duradouro pode ser aplicado antes de virar de costas na
direção oposta. O passo é dado de leve, dedo do pé primeiro porque
um choque do calcanhar no fundo da piscina pode ser sentido
imediatamente pelo cliente através do corpo do terapeuta . O pé na
verdade desliza no contato com o fundo. O desafio de dar passos na
água é manter costas e quadris no lugar enquanto executa o
movimento. Os fatores desestabilizadores são 1) o perder e
reencontrar o ponto de apoio e 2) a resistência da água pela sua
massa corpórea e a de seu companheiro.
Para contrabalançar
as forças que nos desestabilizam, conscientemente criamos uma
cadeia de alavancagens que se iniciam no fundo da piscina e
que passam seqüencialmente por nossos tornozelos, joelhos, quadris,
espinha, articulações dos ombros, cotovelos e pulsos, chegando
finalmente às mãos. Nossos cotovelos encontram-se sempre apoiados
nas laterais de nossa caixa torácica e funcionam como nadadeiras de
golfinhos, podendo assim transmitir mais eficientemente a força de
nosso tórax para nossas mãos. Esta cadeia de alavancagens, em sua
totalidade, gera uma necessidade menor de intervenção de movimentos
exteriores, concentrando sua energia na estabilização de nosso corpo
ao invés de em sua movimentação através do espaço. Assim, podemos
mover-nos com major fluidez e naturalmente levar nosso parceiro
nesse movimento; em outras palavras, movimentar nosso parceiro
através do exemplo.
A cada passo dentro
ou fora d’água, o sistema nervoso está fazendo ajustes sem um
envolvimento consciente. Entretanto, essas habilidades na água devem
ser primeiro aprendidas e memorizadas antes de se tornarem
automáticas.
Uma outra
alternativa depois de um passo grande e giratório é trazer sua outra
perna abaixo de você, tornando possível a repetição de um ciclo de
três partes num círculo. Na dança nós diríamos, "um passo para trás,
gire, juntos". Isso é adequado para fazer movimentos que queremos
repetir algumas vezes na mesma direção, como a Onda do Golfinho num
círculo. Além disso, em muitas piscinas há uma zona limitada na qual
o trabalho termina entre o raso e o fundo, portanto tudo o que
fazemos deve ser num estreito âmbito de conforto. Dar um passo para
trás num círculo toma muito pouco espaço e mantém a continuidade do
movimento.
Passos pequenos para
trás, como de "Gueixas" é uma outra forma de movimentar-se. Dando
passos largos ou curtos para trás evita arcar as costas ou deitar
seu companheiro em seu peito; essa é uma posição bio-mecanicamente
desfavorável para sustentar o peso. Curvar-se para trás é seguro se
for feito com as "costas neutras", isto é, com as costas retas e a
pélvis encaixada.
Os movimentos em
ziguezague para trás e os passos em círculos são as características
que distinguem a mecânica corporal da Dança Curativa da
mecânica corporal do Fluir Expandido dod Watsu. A Dança Curativa
envolve um movimento mais amplo no espaço. Ao movimentarmos nos para
trás, imediatamente estamos gerando uma área de baixa pressão a
frente de nosso corpo – onde nosso parceiro "navegará" – e a qual é
extremamente benéfica para o receptor. Essa área constitui um tipo
do "bolsa aquática", podendo ser comparada ao espaço criado pelo o
primeiro carro à frente dos outros em uma corrida. O doador pode
criar uma imagem mental de que ele está abrindo um "canyon" através
da água e levando seu parceiro ao longo das paredes dessa passagem.
O doador
movimenta-se rapidamente e gera "correntes virtuais"
nas quais o receptor navega. Essas correntes virtuais sustentarão a
flutuação do receptor, constituindo um exemplo do "efeito prancha de
surfe", enquanto a maior parte do corpo mantém-se livre para
mover-se em ondas. A turbulência da água junto à superfície da pele
contribui para a indução ao transe através de uma sobrecarga
sensorial, e muito possivelmente, também limpa a aura, como quando
ficamos em pé sob o chuveiro. Há também uma sensação de "seguir em
frente", "avançar", deixando para trás o que já passou. As ondas e
as espirais executadas enquanto estamos movimentando-nos para trás
promovem uma descarga de energia, canalizada para os pés e então
liberada através deles. As pernas tornam-se como uma barbatana ou
uma cauda, transportando algumas pessoas a estados iniciais do nosso
desenvolvimento.
No solo, nosso andar
para a frente é sem dúvida melhor executado do que nosso andar para
trás, mas na água ocorre exatamente o contrário. Andar para trás é
visivelmente o modo mais fácil e mais rápido de movermos-nos. Por
que será que isso acontece? Em primeiro lugar, porque nosso peso
naturalmente cai para trás com menos esforça. Em segundo lugar, a
parte posterior de nosso torso é mais hidrodinâmica do que a parte
anterior, permitindo assim que a água passe pela parte posterior
mais facilmente. Quando caminhamos para a frente, o movimento é
liderado pela coxa, mas quando caminhamos para trás o calcanhar é a
primeira parte do nosso corpo a abrir caminho pela água, a qual
oferece, assim, uma resistência consideravelmente menor. Ao
contrário do caminhar para frente na água, quando caminhamos para
trás o pé permanece em total contato com o fundo da piscina por um
período mais longo, e isto promove uma maior alavancagem.
Consequentemente, o maior impulso para o andar é criado a partir do
fundo da piscina.
O passo é uma
metáfora de transição e incerteza. De um lugar familiar e de apoio,
um passo nos leva ao desconhecido, onde é necessário restabelecer
equilíbrio e segurança. As fases mais difíceis da vida são as de
transição, e os passos apresentam o maior desafio nas mecânicas
corporais para os alunos de Dança Curativa se tornarem
mestres.
5) Desequilíbrio
Criativo
Andar em terra firme
pressupõe uma queda para frente em cima do pé que está recebendo o
peso do corpo. Mover-se na água também inclui uma fase de perda de
equilíbrio. Mesmo assim, na água não é o mesmo que no chão. É muito
mais lento devido à viscosidade da água ao encontrar a massa dos
corpos do terapeuta e seu cliente. Na água, um terapeuta pode
curvar-se e cair para os lados e para trás, e ainda ter tempo de
sobra para suavemente recobrar equilíbrio. Isso leva à uma nova
lógica de movimento: queda em movimento lento e consciente, ou
desequilíbrio criativo. Este é o modo de criar um movimento que
exige menos esforço. O próprio peso do corpo do terapeuta gera
movimento para o cliente. A queda começa com a cabeça no topo da
coluna vertebral. Como ela vira na direção desejada, seu peso
empurra "a pilha de bloqueios" com ela. Além disso, inclinando a
cabeça para a direita ou para a esquerda ativará determinado reflexo
o qual aumentará o tônus muscular da perna correspondente à
inclinação da cabeça, preparando-a para suportar o peso adicional.
6) Você só tem
que fazer metade do trabalho
A água faz com que o
receptor flutue. Vencer o medo de deixar nosso parceiro afundar e
conseguir confiar na água para auxiliar-nos constitui um dos
estágios de desenvolvimento da técnica. Um praticante experiente não
oferece mais sustentação do que é necessário: ele simplesmente
permite que a água faça metade do trabalho de sustentação. A água e
o praticante devem formar um equipe. O praticante deve ver-se como
uma extensão da água, identificando-se com a água e adquirindo
algumas de suas características. Deste modo, você precisará fazer
somente metade do trabalho: ao receber um impulso, o corpo do
receptor continuará esse movimento. Nosso papel ao oferecer o
movimento inclui proporcionar ao parceiro o tempo e o espaço
necessários para que ele continue o movimento livremente, com suas
características próprias de leveza e ausência de peso. Isso
significa que devemos manter nossa atenção focada no corpo do nosso
parceiro, até mesmo fazer uma empatia e tentarmos sentir como se
fôssemos o parceiro. Resumindo, deixe a água fazer metade do
trabalho, deixe o corpo de seu parceiro fazer metade do movimento;
em outras palavras: seja a água, seja o receptor.
7) Respiração
Através da
respiração pela barriga, relaxando todo o corpo, alcança-se um
estado de fluidez. É especialmente importante que a parte superior
do corpo não fique rígida de tensão. Tensão na parte superior do
corpo cristaliza a estrutura física, tornando-o pesado em cima,
menos firme no chão e mais fácil de perder o equilíbrio. Expirar e
afundar é uma forma de aliviar a tensão e manter contato com a
entrega: a qualidade mais importante para um terapeuta. Isso é
chamado "alcançar o ponto zero".
Surpreendentemente,
a respiração não apenas relaxa e assenta, mas pode ser também uma
fonte de movimento. A respiração, ao entrar num estado intuitivo, no
qual não se precisa pensar, sincroniza-se com o movimento e torna-se
realmente uma fonte de movimento.
Ueshiba Morihei, o
fundador do Aikido, sempre ensinou o princípio que através da
respiração ficamos em sintonia como outras pessoas e com o ambiente.
Este princípio, "kokyu", ou Sopro da Vida, constitui o ritmo
fundamental da vida que energiza e preenche o Universo. "Kokyu" pode
ser igualmente alcançado em terapia aquática como no Aikido.
8) Ideocinese
A raiz grega dessa
palavra significa "idéia" e "movimento". Ideocinese descreve o
processo por meio do qual uma idéia é executada em movimento, sem
que o doador tenha consciência dos meios. Ele precisa apenas ter uma imagem mental do movimento, e o sistema nervoso
recruta todos os músculos corretos para executá-lo da maneira mais
frugal. Uma outra forma de colocar esse princípio seria, "Através da
visualização o movimento toma forma enquanto você faz A Dança
Curativa".
9) Esquadrinhando
Anos atrás, eu
aprendi uma maneira de checar e aperfeiçoar a mecânica do corpo com
um dos meus professores de balé. Ela consiste em vagar mentalmente
pelo corpo e monitorar o que está acontecendo. O motivo desse
contínuo esquadrinhamento da cabeça aos pés é manter lugar, tempo,
coordenação, respiração, corretos. É uma forma de reanimar e
restabelecer reações musculares, como por exemplo, quando eles
começam a se cansar. Extraordinariamente, com reforço suficiente,
todas essas respostas se tornam uma segunda natureza, como andar, e
requerem pouca manutenção.
Como A Dança
Curativa é movimento com a mecânica de seu próprio corpo, a
mesma técnica de esquadrinhamento pode ser usada, mas com um
aperfeiçoamento: para receber a resposta, precisamos primeiro fazer
a pergunta. É da natureza do universo dar resposta imediata a uma
questão. Diversas modalidades de cura New Age trabalham com esse
princípio. Na técnica Trager, por exemplo, nós nos perguntamos
enquanto trabalhamos, "O que poderia ser mais leve? O que poderia
ser mais livre?" Com uma mente inquisidora e curiosa, nossa atitude
para com o cliente o induz a uma resposta num nível profundo. Isso
funciona reflexivamente também, quando nos fazemos perguntas como,
"Estou centrada na minha respiração?" "O meu corpo está confortável
e flui?" "Estou presente sem me esforçar?"
Ter uma atitude
questionadora produz resultados sem nenhuma ação consciente de sua
parte. Eu ofereço esquadrinhamento à você como uma ferramenta. Se
você decidir usá-la, pense como você vai fazê-lo na Dança
Curativa. Pense na abordagem, como você quer relacionar-se com o
cliente, como você deseja que seu corpo se sinta. Pergunte-se se
isso está acontecendo.
10) Pegue a força
do mais fundo que for possível
Ao se movimentar na
água, uma cadeia de alavancas opera do fundo da piscina, sobe pelas
pernas, quadris e torso, e vai para os braços. Cada parte do corpo
tem uma função. Bailarinas fortalecem seus pés e pernas mais do que
atletas ou dançarinos em qualquer outra forma de movimento. Isso
liberta seus torsos e especialmente os braços para relaxarem e se
expressarem. Se força e controle não estão presentes na parte
inferior do corpo, os segmentos mais acima terão que trabalhar mais
para compensar. Os bailarinos dão um empurrão para o
chão para pular ou se movem lateralmente ou para manter equilíbrio.
Praticantes de Tai Chi, for outro lado, caem com seu
peso. Dependendo do quanto yang ou yin for um movimento, você estará
em algum lugar entre esses dois pólos de "empurrar" e "cair". Para
estimular o movimento das pernas e para aprender a utilizar a sua
força por vezes, durante o aquecimento fazemos de conta que temos as
pernas de um animal, tal como uma pantera ou até mesmo um
dinossauro. Aumentando o seu sentido físico, imaginamos patas ao
invés de dedos, contraindo os músculos e sentindo os tendões
tensionados à medida que damos alguns passos e transferimos nosso
peso com todo o vigor.
11) Dance
A última palavra da
mecânica do corpo na água mostra além do que foi tocado até agora.
Na dança, a técnica é aprendida para ser esquecida; numa
apresentação os bailarinos se dão para a dança. "Apenas dance", diz
o treinador para o bailarino no palco. Ele pode acrescentar: "Não
pense, não se preocupe, apenas faça isto." Cada um de nós tem uma
maneira bem pessoal de sentir e agir. Externamente nossa
individualidade se expressa através de nosso movimento, minha forma
de estar no mundo, minha dança. Talvez seja uma maneira de entrar
dentro do Melhor Fluxo ou do Êxtase Universal. Seja o que for, esta
dança tem a exatidão e o poder para isto. Ela nos expande e nos
sintoniza com o nosso meio. A imagem em torno da dança é sem fim:
"Dance com você mesmo, dance com o seu parceiro, dance com a água,
dance na Luz, dance com os bloqueios, dance do fundo do seu
coração", e assim vai. Resumindo, dance!
Mantenha os ouvidos submersos
Se um ou ambos os ouvidos não
estiverem submersos, a cabeça estará recebendo sustentação
extra. Essa sustentação extra ocorre devido a um excesso de
atenção por parte de principiantes até que estes consigam
refinar sua técnica. No entanto, você deve estabelecer uma
parceria com a água, confiar em sua característica de flutuação,
e deixá-la fazer a maior parte do trabalho.
"Ouvidos submersos estarão felizes no
universo aquático".
.
Dois níveis da água
Em Watsu e A Dança Curativa, o nível da água sempre cobre
os ouvidos, mas mantém-se longe dos olhos, nariz e boca. Quando
a cabeça é sustentada por um dos lados, o nível da água pode
mais facilmente atingir o nariz, e por isso deve-se prestar
maior atenção.
Na Dança Aquática a situação é diferente: o nível da água
pode ser mais alto (até os cantos da boca e dos olhos) sem que
isso perturbe o receptor. Ele já está acostumado ao contato da
água com seu rosto desde antes das primeiras submersões. Além
disso, as narinas estão seguramente fechadas pelo clipe nasal, e
qualquer pequena quantidade de água que entrar pela boca pode
ser facilmente expelida.
Relaxe suas mãos e braços
Ao segurar a cabeça do parceiro em
suas mãos, certifique-se que as palmas e os dedos de suas mãos
estejam relaxados. Tente não senti-los. O peso deve
concentrar-se ao longo dos dedos, e não nas pontas. Doadores que
tenham braços finos ou músculos braçais bem desenvolvidos
precisam de um período de experimentação para encontrar a
posição de sustentação da cabeça mais confortável para seus
parceiros. Apesar de alguns praticantes fazerem brincadeiras
sobre o uso de cotoveleiras de borracha para amenizar a
sustentação da cabeça, eu não conheço ninguém que as use. Você
conhece alguém?
Não segure o pescoço!
Segurar o pescoço com suas mãos
pode causar hiper-extensão da junta atlanto-occipital (na
articulação do pescoco com a cabeça). Por isso, ofereça
sustentação acima dessa junta ou exatamente no occipício. Ao
sustentar a cabeça na palma de sua mão na posição de Flutuação
Livre, por exemplo, focalize a sustentação exatamente no meio do
occipício. Em outros movimentos, tal como Torção Joelho-Cabeça
ou o Pêndulo, nas quais a cabeça é virada para um dos lados, a
sustentação através da palma da mão deverá localizar-se um pouco
ao lado do centro da cabeça.
Evite movimentos bruscos
Imagine que seu parceiro esteja
dormindo e que você não deseje acordá-lo. Faça as transições
lentamente, posicionando a cabeça cuidadosamente, ao invés de
deixá-la tombar, de girá-la ou deslizá-la. A perda repentina de
sustentação na cabeça pode gerar reflexos auto-protetores
básicos, criando desconforto e induzindo à falta de confiança no
doador.
A sustentação da cabeça tem três funções distintas:
A primeira função é manter a cabeça
acima do nível da água; a segunda é tracionar o pescoço; e a
terceira é fazer a cabeça rolar de um lado para outro.
Dependendo do movimento, ao menos uma dessas funções – e por
vezes duas ou até as três funções – estarão sendo atendidas.
Movimentos da cabeça sem sustentação
Sob um aspecto negativo, a cabeça
afundar representa o risco do nariz ficar submerso; o receptor
deverá participar desse movimento, o que causará entorse do
pescoço. Mas um aspecto positivo é o fato desses movimentos
darem a sensação de liberdade. Um movimento sincronizado: mover
o corpo lateralmente, oferecer sustentação na base da coluna e
tracionar os braços para fora da água - auxiliará a manter a
cabeça na superfície.
Alguns segundos em uma transição ou
um entreato sem sustentação são geralmente aceitáveis. Um
receptor que tenha o pescoço curto e uma cabeça que flutue
facilmente pode sentir-se bem confortável durante algum tempo
sem sustentação; mas um receptor que tenha o pescoço longo e uma
cabeça que afunde com facilidade necessitará de sustentação e
tração constantes.
Rolando a cabeça na 1ª posição
Para rolar a cabeça para fora, role
a cabeça a partir da dobra do cotovelo para o antebraço. Para
rolá-la em sua direção, afunde na água, levante seu antebraço e
deixe a cabeça rolar para seu braço. Se você forçar o ombro para
baixo para rolar o tórax para fora, você deve imediatamente
mudar a posição de seu antebraço para fora, embaixo da bochecha
de seu parceiro, para que seu antebraço esteja na posição
correta quando a cabeça rolar para fora. A troca constante de
posição da cabeça geralmente previne desconforto ou entorse do
pescoço.
Tração horizontal da cabeça na 1ª posição
Para que o pescoço permaneça
confortável nesta posição, os ouvidos devem estar submersos.
Sustentação adicional da cabeça (levantando-a ligeiramente,
deixando os ouvidos para fora da água) causa entorse do pescoço.
Parceiros que apresentam pescoços longos e flexíveis precisam
recebem mais tração; alguns tipos de pescoço requerem atenção
constante. Minimize a flexão lateral ao tracionar a cabeça na
posição horizontal.
Tração vertical da cabeça na 1ª posição
Levante seu cotovelo para executar
uma tração simétrica à medida que você suspende o corpo a partir
da cabeça. Ao sentir um certo peso do corpo você saberá que a
tração está sendo executada. Certifique-se de não comprimir o
pescoço entre seu antebraço e braço; segure a crista occipital.
Seja cuidadoso ao voltar a cabeça à água, evitando submergir a
boca ou o queixo.
Mãos em concha sobre as orelhas
Ao tracionar a cabeça do parceiro
pela frente com ambas as suas mãos, sustente a base de cada
orelha com a eminência tenar, mantendo suas mãos em forma de
concha em volta das orelhas. Este procedimento evita puxões
involuntários nos lóbulos e nas cartilagens elásticas das
orelhas.
Colombo
Esta técnica é utilizada para
transferir a cabeça de um lado para o outro. Seu nome deve-se ao
explorador Cristóvão Colombo que navegou para o Ocidente para ir
para o Oriente. No Tango, incline a cabeça do parceiro com o seu
cotovelo em direção à sua outra mão de modo a poder segurá-la
com ambas as mãos. A seguir, após a tração da cabeça, incline-a
para a esquerda para soltar sua mão direita e abraçar o ombro
antes de receber a cabeça. Ao lembrar-se de Colombo, você jamais
precisará "deixar cair o Melão".
Direção do carro
Do mesmo modo que você segura a
direção de um carro nos lados opostos, segure a cabeça pelas
laterais para manter absoluto controle quando executar os
movimentos onde a cabeça será rolada. Em relação ao corpo, o
mesmo princípio é mantido, na maneira como os pares musculares
contra-laterais do esplênio estendem o áxis, atlas e os
mastóides opostos para a rotação da cabeça. Ao segurar o tórax
pelas laterais opostas, tal como nas posições onde lançamos o
corpo do parceiro para frente, fazemos sua cabeça rolar ou ainda
oferecemos sustentação, estaremos realizando o mesmo princípio.
Sustentação lateral à cabeça
Na Dança Curativa, a cabeça
muitas vezes recebe sustentação lateral. Esta é uma habilidade
que o praticante deve desenvolver. Acima de tudo, deve-se
prestar atenção ao nível da água (o qual pode também ser sentido
em seu braço). O fato de o pescoço arquear-se nestas posições
laterais não é tão problemático como quando o rosto está voltado
para cima. De todo modo, deve-se evitar a compressão das
vértebras cervicais, utilizando-se da tração para oferecer
sustentação.
Perna Inclinada
A terceira lei de Newton declara
que para cada ação há uma reação igual e oposta. Mesmo na água,
quando um corpo sobe, algo deve descer (afundar). Quando uma das
pernas for inclinada em um movimento, sinta a pressão do pescoço
sobre o seu cotovelo (lembre-se que sua visão está bloqueada,
você deverá sentir). A pressão aumenta à medida que você
aumenta a inclinação da perna em questão, mas você deve
permanecer estável no mesmo nível, contrabalançando a pressão e
não cedendo a ela – o que abaixaria a cabeça de seu parceiro na
água. Você pode também valer-se da sensação da água rodeando seu
braço para medir o nível da água.
Dicas para a Posição ‘Embaixo da Cabeça’
Sustente o occipício pela borda
superior do seu músculo trapézio (isto será mais fácil se você
tiver ombros largos). Afunde na água para que a cabeça de seu
parceiro fique livre para entregar-se às ondas que são geradas
pela parte inferior do corpo.
Olhe para os lados para verificar o
alinhamento do pescoço. Deve-se evitar a hiper-extensão e
flexões laterais prolongadas. Deslize a cabeça do parceiro para
seu peito quando ambos os joelhos estiverem dobrados em direção
a seu peito e as costas de seu parceiro estiverem arqueadas.
Os ‘Chifres do Touro’
Esta é uma posição da mão do praticante onde o polegar e o dedo
indicador são utilizados em El Matador e no Vórtice. Flexionando
ligeiramente seu pulso, você poderá alongar o pescoço do
parceiro até mesmo em posições onde ele estiver arqueado. Quando
a cabeça estiver pendendo para as laterais, haverá uma tendência
menor ao desconforto do que em posições onde o rosto estiver
voltado para cima. Tenha o cuidado necessário para não exercer
muita pressão sobre o couro cabeludo do parceiro com as pontas
dos seus dedos.
Posição ‘Lançamento de Peso’
Como na posição "Chifres do Touro",
seu polegar deverá estar próximo a você e os outros dedos na
parte da cabeça do parceiro que está voltada para fora. Segure o
occipício com a palma de sua mão e posicione a bochecha de seu
parceiro junto à sua, tal como um atleta lançador de pesos faria
com o peso.
Leveza,
Ausência de Peso e Sensibilidade
Poder flutuar na água é um presente que
nos foi dado, para todos os seres humanos e para todas as criaturas
amantes da água. A flutuação torna a aquaterapia possível: podemos
mais facilmente sustentar uma pessoa em nossos braços por períodos
de tempo mais longos.
Os receptores sentem essa
‘facilidade’ natural, e consequentemente, sentem-se mais leves, por
vezes lembrando-se de épocas em sua infância quando eram carregados
no colo.
Em Chi Kung, a mais antiga arte marcial
chinesa, quando nos permitimos sentir-nos pesados e deixamos nosso
peso afundar, paradoxalmente nos sentimos mais leves. Do mesmo modo
na água, nossa sensibilidade ao peso do receptor permite que este
sinta sua própria leveza.
No início de uma sessão, quando
avaliamos as proporções, a flexibilidade e a massa corpórea de nosso
parceiro, devemos também nos perguntar "Onde o peso está
localizado?". As áreas mais pesadas de cada corpo variam de
pessoa a pessoa, determinadas pela gravidade específica geral e por
graus de gravidade variáveis em diferentes partes do corpo. A
seguir, continuando nosso questionamento, podemos nos perguntar
"Qual movimento poderia ser mais leve, mais livre, mais sutil?",
tornando-nos assim mais receptivos às características individuais, respeitando-as e permitindo que se expandam em descontração.
Quando a leveza se ‘expande’ ela se torna ausência de peso. A
ausência de peso associada ao movimento resulta em uma sensação de
‘voar’, como reportado por alguns receptores. Em outras palavras, ausência de peso + movimento = voar!
Assim como a pausa entre as respirações
que fazemos na prática do yoga, a qual induz ao êxtase, a sensação
de ausência de peso nos movimentos na água nos transporta a outras
dimensões. Ela é de uma doçura indescritível, a qual queremos mais e
mais experimentar. Com a prática, nos tornamos capazes de criar e
aumentar a duração desses momentos de ausência de movimento que
também induzem a uma total ausência da noção de tempo. Mas, onde os
encaixamos no fluir do movimento? Faz muito sentido encaixá-los ao
final de rotações e giros, nos movimentos ‘de subida’ das ondas, nas
espirais e nas figurações em ‘8’ (oito).
Após receber um impulso do doador, o
corpo do receptor perpetua o movimento ou então responde ao impulso
e completa o movimento. É essencial permitirmos o tempo necessário
para que isso ocorra; devemos observar o corpo do parceiro e
simplesmente esperar. Experimentar a ausência de peso é sem dúvida
mais fácil para pessoas que flutuam com facilidade do que para
pessoas que afundam com facilidade. Para esses receptores que
afundam com facilidade, esses momentos de ausência de peso são mais
facilmente propiciados na fase descendente de um movimento em onda,
onde eles podem experimentar a liberdade e a leveza de uma ‘queda livre’.
Mas acima da percepção de peso está a
noção de gentileza, ternura no fluir do movimento. Segure seu
parceiro como se ele fosse tão frágil quanto um bebê, e igualmente
aberto a todas as impressões que lhe são passadas. Sabemos que as
partes de nossa psique que correspondem ao nosso nível de
desenvolvimento desde a mais tenra infância são extremamente
sensíveis.
O amor emana do desejo e da necessidade
de ser amado. O Amor é a ‘Grande Porta’ para e ao mesmo tempo a
própria ‘Cura’. Nós nos fechamos em sua ausência, e nos abrimos
novamente em sua presença ao relembrarmos o golpe que causou a dor
original.
Um tratamento gentil, com a ternura do
amor, permite o tempo necessário para a ‘parada’, para a pausa que o
receptor necessita para sentir-se e estar em paz consigo mesmo. Nada
deve ser forçado ou apressado. Quando forçarmos algum movimento,
inevitavelmente implicamos que algo está errado e que essa condição
deve ser alterada. A pressa desvaloriza o momento, pois passa a
mensagem que alguma outra coisa é mais importante do que o que está
ocorrendo agora.
Ao invés dessas implicações negativas,
ofereça aceitação. Lembre se que o praticante é um doador. Passe
para seu parceiro, através de seu toque e de sua presença, que ele é
belo, é amado e é aceito do jeito que é. Mas acima de tudo, sinta-se
assim em relação a você mesmo. Não é esta a mensagem que todos nós
queremos ouvir e receber ao longo dos anos? No fundo, não é isso que
lutamos para receber através de nossas conquistas? Podemos e devemos
enviar essa mensagem a nós mesmos, antes de a qualquer outra pessoa.
Um tratamento terno pode também ser
‘brincalhão’, sugerindo assim que pode haver um comportamento mais
leve e livre em um corpo tão ‘sério’ como o nosso. Dê a seu parceiro
a oportunidade de escolher esta opção de tratamento ou
não, ao invés de forçá-la ou tentar quebrar uma resistência a ela. A
resistência é algo que tem que ser superado por escolha própria, e
você, enquanto doador, pode somente abrir a porta: cabe ao receptor
passar por ela. O papel do doador é o de focar a atenção e criar a
consciência do receptor, a quem caberá a escolha de relaxar e
entregar-se.
Esta é a razão de os alongamentos serem
geralmente executados lenta e gentilmente, para dar tempo à
conscientização e à escolha. Segue-se, então, que todos os
movimentos sejam executados do mesmo modo, cabendo aqui uma exceção:
o cliente que já está aberto à entrega, e que escolheu a aquaterapia
pelo simples prazer e felicidade que esta lhe proporciona. Neste
caso, os medos já foram ultrapassados e a entrega ao poder da
terapia e ao fluir da mesma pode ser livremente experimentada. É
interessante como somos diferentes uns dos outros: a maneira como
encaramos os caminhos que percorremos e o que nos é benéfico em um
dado dia parecem determinar nosso fluir contínuo.
Os
Princípios da Seqüência
A aquaterapia é
criativa em sua essência, permitindo uma gama ampla de expressões
individuais. Independentemente do estilo ou da seqüência que os
alunos-praticantes aprendam inicialmente, eles conseguem rapidamente
desenvolver sua própria abordagem ao trabalho, imprimindo adequações
à sua psique, temperamento e preferências individuais. Eles
descobrem seus movimentos próprios e incorporam outras modalidades
de trabalho corporal às suas sessões.
A água permite uma
fácil adaptação, ‘moldando-se’ à expressão de estilos híbridos. A
forma pela qual Watsu foi criado foi a própria síntese entre o
Shiatsu e o elemento aquático. Apesar de o trabalho na água ser
relativamente recente, nota-se entre os praticantes uma variedade de
estilos. Alguns enfatizam mais o Shiatsu original, enquanto que
outros integram a aquaterapia à fisioterapia, a técnicas utilizadas
sobre os tecidos conjuntivos, à polaridade, ao trabalho sobre o
crânio e o sacro ou ainda a algum trabalho sobre processos
emocionais. O movimento em si constitui minha área de interesse e
minha contribuição aos praticantes.
Ao término deste
curso você provavelmente selecionará o que lhe atende melhor, e a
partir de então poderá explorar outras possibilidades mais a fundo.
De todo modo, uma compreensão do que eu defino como os "Princípios
da Seqüência" ou a lógica da execução de uma sessão ajuda-lo-á a
compreender e a embasar sua prática futura. Determinadas
características e necessidades anatômicas, fisiológicas, emocionais
e até mesmo espirituais devem ser levadas em consideração.
Geralmente, os receptores seguem progressões similares e que se
justapõem aos movimentos; estas progressões podem ser previstas e
devem ser observadas.
Adapte-se a cada
cliente
Os mestres Zen
da cerimônia do chá do Japão antigo costumavam dizer: "Este
nosso encontro ocorrerá somente uma vez em todas as nossas
vidas!" . Cada sessão, do mesmo modo, constitui um encontro
único entre quem o cliente e o praticante são naquele momento.
Quaisquer outras sessões entre as mesmas duas pessoas jamais
serão as mesmas. O objetivo de se ensinar as seqüências reside
na aquisição da técnica. O relacionamento verdadeiro inspira-se
no ser e no estar do parceiro. e nos seus limites.
Conheça seus próprios limites
Talvez não
consigamos – ou até mesmo não queiramos – trabalhar com todos os
clientes que nos procurem. Nossa constituição física, nossa
força e nosso temperamento podem permitir nosso trabalho com
alguns clientes mas não com outros. Certos movimentos podem nos
ser desconfortáveis ou penosos, ou simplesmente não se
encaixarem com nosso estilo ou preferências. Respeite suas
características individuais e seja honesto com você mesmo.
Boa sorte na piscina!
A piscina é o
ambiente perfeito para a aquaterapia. As condições da piscina
variam, desde um grau ‘sublime’ até algo que poderia ser visto
como ‘ridículo’. Seu trabalho com um cliente será afetado pela
temperatura da água, pelo sol, vento, chuva, barulhos,
profundidade da água, tração exercida pelo fundo, inclinação do
fundo, tamanho e formato da piscina, e pela presença – ou não –
de outras pessoas em suas próprias sessões, nadando, brincando
ou simplesmente observando.
Permita que a confiança seja
construída
No início de uma
sessão, o receptor precisa se acostumar com o fato de ser
sustentado por e de estar dependente do doador para a água não
chegue a seu nariz. De certo modo, o receptor deposita sua
própria sobrevivência na água nas mãos do doador.
Além disso, se
seu cliente nunca recebeu uma sessão de aquaterapia antes,
existirá a insegurança advinda de não saber o que realmente irá
acontecer. Assim sendo, a construção da confiança é a prioridade
número um de uma sessão. Ela é iniciada com a interação verbal
que precede a sessão, mas será verdadeiramente testada na água.
A construção da
confiança deve se processar através da progressão para níveis
cada vez mais amplos de confiança, culminando no estado de
entrega, o qual constitui, na verdade, um estado de autorização.
A relação entre
esta progressão e a seqüência determina que uma sessão se inicie
suavemente, com o receptor e o doador respirando em sintonia
enquanto ainda estão em pé na piscina ou quando o doador está
flutuando o receptor sem movimento algum. Iniciando-se desta
maneira estaremos permitindo ao doador o tempo necessário para
focar sua atenção e para se ajustar à sustentação e dependência
do doador, algo que não lhe é familiar.
Preste sempre
atenção às regiões cervical e lombar
O ponto
fundamental da técnica é manter a cervical e a lombar alongados
ao invés de hiper-estendidos. Quaisquer movimentos que você
introduza à seqüência devem considerar esta preocupação. Evite
períodos prolongados com falta de sustentação à cabeça ou com
seus pés arrastando-se no fundo da piscina.
Module os alongamentos
Existe um
paralelismo entre a progressão dos níveis de relaxamento de um
cliente durante uma sessão e a progressão da intensidade dos
alongamentos. Deve-se iniciar a sessão com uma exploração do
alcance dos movimentos do cliente, procedendo então a
alongamentos suaves e culminando com alongamentos mais intensos.
Fique atento ao grau de intimidade
As modalidades
aquáticas estão entre as que apresentam um maior grau de
intimidade entre todas as terapias corporais. Diferentemente de
uma massagem sobre uma mesa, o receptor não se encontra afastado
do doador ou ‘protegido’ por um lençol sobre seu corpo. Ele
estará em nossos braços, ora alongando-se, ora aninhado e sendo
conduzido, e seu corpo estará sempre muito próximo do nosso.
Certos
movimentos poderiam ser interpretados como sendo invasivos ou
muito íntimos se executados logo no início de uma sessão; por
outro lado, podem ser confortavelmente prazerosos se executados
após a confiança no doador ter sido estabelecida.
Recomendamos
especial atenção ao contato corporal secundário, e à direção
para qual a cabeça do cliente está voltada no início da sessão.
Recomendamos
também que todos os movimentos onde o praticante se posiciona
entre as pernas do receptor sejam reservados para momentos
posteriores da sessão.
Conduza a sessão sem distrair-se do
seu trabalho
Estados de
transe, visões e memórias da infância, incluindo da vida
intra-uterina, freqüentemente ocorrem durante uma sessão. Por
isso, devemos fazer com que nosso trabalho seja como uma música
da Nova Era tocando ao fundo, a um volume alto o suficiente para
ser ouvido e ‘curtido’ quando quisermos nos concentrar nela, mas
ao mesmo tempo a um volume baixo o suficiente para não nos
distrair de nosso trabalho levando nossa consciência a algum
outro pensamento. Cada um desses extremos pode abruptamente
trazer o cliente de volta ao aqui e agora.
Sendo assim, o
que se faz necessário, é um ‘volume confortavelmente médio’, ou
seja, um ritmo constante e estável, transições suaves,
invisíveis, gentileza de tratamento e cuidado. Seu parceiro
poderá então sentir-se seguro o suficiente para entregar-se
àqueles estados mais profundos do seu ser.
Faça um trabalho equilibrado com
ambos os lados do corpo; proporcione a seu cliente um número
adequado de repetições
Uma sessão de
aquaterapia consiste tipicamente de vários ciclos, cada um deles
constituído por uma fase de vários movimentos que duram alguns
minutos, uma pausa para descanso, e a mesma fase repetindo-se do
outro lado do corpo.
Executar vários
movimentos diferentes em cadeia antes de repetí-los com o outro
lado do corpo faz com que o receptor dificilmente consiga prever
a ordem exata da seqüência; isso acaba desencorajando o cliente
a tentar ocupar sua mente com a seqüência da sessão. Estaremos
também propiciando ao corpo do cliente um trabalho simétrico e
dando ao cliente uma atenção equilibrada, o que evita que a
sessão se torne maçante. Acredito que para todos nós, a vida
parece ser mais interessante quando existe o elemento
imprevisível.
Uma seqüência
equilibrada sempre introduz algo novo a partir do que é familiar
ao cliente. A repetição dos movimentos não deve ser evitada,
pois reporta o cliente a alguns ‘portos seguros’, momentos que
lhe são reconfortantes e familiares, durante os quais ele pode
relaxar ainda mais e entregar-se.
Alguns
movimentos merecem ser repetidos simplesmente pela força de sua
eficácia, por produzirem um maior alongamento ou uma entrega
maior a cada vez que são repetidos.
Pausas
Pausas dentro do
fluir do movimento são absolutamente essenciais. Se não fossem
introduzidas, o receptor se sentiria sobrecarregado com tanto
movimento. Ao flutuar sem movimento ou estando simplesmente
seguro nos braços do doador, o receptor tem a oportunidade de
descansar seu sistema nervoso, de assimilar os estímulos e
integrá-los – de sentir-se, em suma, para então estar preparado
para absorver mais.
Freqüentemente,
descargas de sentimentos podem ser liberadas durante estes
momentos de quietude, pois os efeitos da aquaterapia se propagam
através da psique. Nestas situações, devemos abandonar qualquer
seqüência previamente planejada e dirigir nosso trabalho para
uma modalidade mais ‘carinhosa’, mais reconfortante, a qual
também não deverá desviar a atenção do cliente de seus
sentimentos, e sim silenciosamente encorajá-lo a permanecer com
seus sentimentos. Esta atitude pode manifestar-se através de um
simples ‘colo’ - segurar o receptor em nossos braços, aninhá-lo
contra nosso peito ou massagear o centro do coração ou suas
costas.
Acima de tudo o
cliente precisa sentir a nossa permissão e aceitação, para que
possa sentir e expressar-se. Alguns clientes beneficiam-se
enormemente de um estímulo verbal. Ao mantermos nosso
compromisso de não seguir uma agenda previamente estabelecida,
devemos, como praticantes, não nos envolver com as expressões do
cliente, sejam elas o choro ou o fechar-se em si mesmo, mas
simplesmente estarmos presentes e também prontos a retomar nosso
‘planejamento’ da sessão quando o cliente assim o desejar ou
parecer estar pronto. Todas as transições para a quietude ou
saindo dela devem ser executadas gradualmente e com
sensibilidade
Mantenha o ‘fluir’
Nosso repertório
de movimentos deve compreender um certo número de transições com
as quais possamos subtilmente interligar nossas seqüências.
Nosso objetivo deve ser um estilo com o fluir suave e
ininterrupto, como um tom musical que se eleva e cai na
freqüência e amplitude apropriados mantendo sua continuidade.
Lembre-se sempre de imaginar que seu parceiro esteja dormindo e
você não queira acordá-lo.
Equilibre
posições arqueadas e posições arredondadas
Um ponto que
deve ser claramente entendido é que manter o corpo em uma
posição arqueada (hiper-extensão da espinha e/ou extensão dos
músculos da coxa combinada com flexão do joelho) impõe um certo
grau de estresse, apesar de proporcionar um alongamento e um
trabalho revitalizador nessas áreas. Uma posição desse tipo deve
ser seguida por um movimento que ‘arredonda’ a coluna.
Observamos aqui um princípio milenar do yoga que jamais será
vencido pelo tempo.
Apesar de alguns
clientes pedirem mais e mais posições arqueadas, elas devem ser
utilizadas com moderação. Em Ondas, conduza uma transição
cuidadosa de uma posição ‘arredondada’ para a posição arqueada:
se esta transição for executada muito rapidamente, o cliente
poderá sentir uma ‘fisgada’ ou uma ‘chicotada’, o que causará um
estresse nas articulações intervertebrais.
Encerre a sessão suavemente
Devemos encerrar
uma sessão de tal modo que permita ao cliente permanecer em seu
fluir de sentimentos ou estado de transe. Em termos práticos,
isso significa conduzi-lo de volta à parede e encostá-lo,
estabelecer a ‘ancoragem’ com o fundo da piscina mas sempre
respeitando seu próprio espaço. Ao voltar à posição vertical,
seja sentando-se ou ficando em pé, o cliente imediatamente
perceberá que está na hora de ‘voltar à realidade’ e ao convívio
com os outros. Ao posicionarmos um cliente na vertical estaremos
integrando-o de volta ao mundo do ‘agora’ coletivo.
O equilíbrio da
polaridade no encerramento tem por objetivo ancorar e equilibrar
os fluxos de energia, bem como para estabelecer um nível mais
sutil de consciência do receptor. Ao término de uma sessão,
talvez não nos seja possível determinar com exatidão o estado
psíquico de nosso cliente. Estaremos ajudando-o a ‘voltar à
realidade’ ao oferecer-lhe o tempo, o espaço e a escolha de
terminar a sessão quando e
Canalização
A canalização ocorre
em múltiplos níveis. Fisicamente ela representa uma permissão à
dança, e aos músculos de seu corpo constituírem o ímpeto que
colocará o receptor em movimento. Ao transferir seu peso, afundar e
erguer-se na água, puxar e empurrar o corpo do parceiro, você estará
emitindo sensações que serão recebidas por seu parceiro via contato
corporal direto; essas sensações são experimentadas de maneira
qualitativamente diferente do que se seu parceiro se sentisse um
objeto sendo manejado.
Tal como em uma
massagem sobre uma mesa, quando você se projeta sobre o cliente e
dirige seu peso em um movimento orgânico - contrastado com uma
manipulação com esforço muscular - o receptor terá uma sensação de
conforto maior e poderá relaxar mais facilmente.
Todo movimento
verdadeiro, natural, é canalizado, e surge de diferentes áreas de
nossa psique para revelar nossa verdadeira identidade a nós mesmos.
O movimento dá expressão às emoções mais fortes daqueles aspectos
mais sombrios do nosso ‘eu’ íntimo, bem como às nossas mais elevadas
aspirações e intuições. O movimento também pode ser canalizado
quando há a intenção de utilizá-lo para mover outro corpo, ou de
colocarmos nosso corpo nas mãos de outra pessoa para que esta nos
movimente.
Neste caso, ao invés
de começar uma sessão a partir da conscientização, a sessão será
iniciada com a experiência da unidade. Lao-tzu, autor do Tao de
Ching – obra que constitui um manual para os praticantes de
aquaterapia - levanta o seguinte questionamento: "Você consegue
permanecer imóvel até que a correta ação a ocorrer manifeste-se por
si mesma?" Milton Trager , o criador do „Trabalho Trager", ou
seja, o movimento orientando a terapia de solo, conforme mencionado
anteriormente como uma das influências que contribuíram para A
Dança Curativa, utiliza o termo "fazer o gancho" para descrever
este fenômeno da conexão com o parceiro e com o Tudo.
Uma triangulação é
assim estabelecida, e esta relação é inerentemente mais poderosa do
que uma simples interação entre dois pólos, a qual não
necessariamente incorpora uma assistência. O fluir emerge
interligando os três pólos de uma trindade, cada pólo sendo
receptivo e ativo. Sua receptividade ao espírito gera um fluxo de
energia curativa através de você; a receptividade do parceiro à você
mantém esse fluxo de energia, e quando o "ser" do receptor permite
soltar-se, temos o prazer pleno do espírito. Este é verdadeiramente
o contexto onde a cura ocorre.
Nosso trabalho na
água, então, pode ser visto como incluindo uma dimensão espiritual.
O doador estará canalizando Luz e Amor provenientes de dimensões
mais elevadas, talvez até mesmo trabalhando com um tutor pessoal ou
um mestre da cura.
Utilizando a
visualização e orações você poderá invocar essas energias. Por
exemplo, visualizando você mesmo e o receptor durante toda a sessão
como um pilar de Luz certamente estabelecerá e manterá um contexto
de cura; ou então você pode simplesmente orar para que o receptor
seja auxiliado a abrir-se totalmente para poder receber o que ele
necessita. Este tipo de oração sempre surte efeito.
Apesar de o elemento
aquático favorecer a transmissão direta da energia chi, há
uma tendência de tal energia ser dissipada, exceto nos momentos de
pausa onde há um abraço e onde o praticante está intencionalmente
fornecendo a Polaridade descrita acima. Um aspecto positivo desse
fato é a redução do risco do doador absorver energias ‘negativas’
que estejam sendo liberadas pelo receptor.
No entanto,
considerando-se a proximidade física que caracteriza a aquaterapia,
os dois ‘campos corporais’ ou auras podem fundir-se intimamente
durante o tempo da sessão (geralmente uma hora). Neste caso, seu
próprio bem-estar e contínuo deleite do momento podem funcionar como
um sol radiando durante todos os movimentos, e isto será
instantaneamente percebido e absorvido pelo subconsciente do
receptor. Lembre-se que nós canalizamos o que realmente somos: nossa
energia é única, assim como nossa assinatura, e constitui a ‘marca’
que registramos no mundo. Sendo assim, saiba e diga sempre a você
mesmo que você é belo e amado, e que é parte constituinte de um
universo de amor.
Implícita na
canalização está a atitude de aceitação. Lembre-se que sua intenção
não é mudar o receptor. Simplesmente seja você mesmo, radiando boa
vontade e deixando que os resultados disso ocorram naturalmente.
Dificilmente nos apercebemos de quão profundamente uma sessão afeta
o outro. Talvez consigamos captar muito superficialmente o grau de
entrega que o receptor conseguiu atingir, fugindo-nos o quanto a
pessoa como um todo foi afetada pela sessão. Essa percepção da
entrega, no entanto, constitui um primeiro passo, aquele passo que
imprime o movimento em direção à abertura e à liberdade, o qual irá
aflorar em sua plenitude somente mais tarde.