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Os receptores sentem essa
‘facilidade’ natural, e consequentemente, sentem-se mais leves, por
vezes lembrando-se de épocas em sua infância quando eram carregados
no colo.
Em Chi Kung, a mais antiga arte marcial
chinesa, quando nos permitimos sentir-nos pesados e deixamos nosso
peso afundar, paradoxalmente nos sentimos mais leves. Do mesmo modo
na água, nossa sensibilidade ao peso do receptor permite que este
sinta sua própria leveza.
No início de uma sessão, quando
avaliamos as proporções, a flexibilidade e a massa corpórea de nosso
parceiro, devemos também nos perguntar "Onde o peso está
localizado?". As áreas mais pesadas de cada corpo variam de
pessoa a pessoa, determinadas pela gravidade específica geral e por
graus de gravidade variáveis em diferentes partes do corpo. A
seguir, continuando nosso questionamento, podemos nos perguntar
"Qual movimento poderia ser mais leve, mais livre, mais sutil?",
tornando-nos assim mais receptivos às características individuais, respeitando-as e permitindo que se expandam em descontração.
Quando a leveza se ‘expande’ ela se torna ausência de peso. A
ausência de peso associada ao movimento resulta em uma sensação de
‘voar’, como reportado por alguns receptores. Em outras palavras, ausência de peso + movimento = voar!
Assim como a pausa entre as respirações
que fazemos na prática do yoga, a qual induz ao êxtase, a sensação
de ausência de peso nos movimentos na água nos transporta a outras
dimensões. Ela é de uma doçura indescritível, a qual queremos mais e
mais experimentar. Com a prática, nos tornamos capazes de criar e
aumentar a duração desses momentos de ausência de movimento que
também induzem a uma total ausência da noção de tempo. Mas, onde os
encaixamos no fluir do movimento? Faz muito sentido encaixá-los ao
final de rotações e giros, nos movimentos ‘de subida’ das ondas, nas
espirais e nas figurações em ‘8’ (oito).
Após receber um impulso do doador, o
corpo do receptor perpetua o movimento ou então responde ao impulso
e completa o movimento. É essencial permitirmos o tempo necessário
para que isso ocorra; devemos observar o corpo do parceiro e
simplesmente esperar. Experimentar a ausência de peso é sem dúvida
mais fácil para pessoas que flutuam com facilidade do que para
pessoas que afundam com facilidade. Para esses receptores que
afundam com facilidade, esses momentos de ausência de peso são mais
facilmente propiciados na fase descendente de um movimento em onda,
onde eles podem experimentar a liberdade e a leveza de uma ‘queda livre’.
Mas acima da percepção de peso está a
noção de gentileza, ternura no fluir do movimento. Segure seu
parceiro como se ele fosse tão frágil quanto um bebê, e igualmente
aberto a todas as impressões que lhe são passadas. Sabemos que as
partes de nossa psique que correspondem ao nosso nível de
desenvolvimento desde a mais tenra infância são extremamente
sensíveis.
O amor emana do desejo e da necessidade
de ser amado. O Amor é a ‘Grande Porta’ para e ao mesmo tempo a
própria ‘Cura’. Nós nos fechamos em sua ausência, e nos abrimos
novamente em sua presença ao relembrarmos o golpe que causou a dor
original.
Um tratamento gentil, com a ternura do
amor, permite o tempo necessário para a ‘parada’, para a pausa que o
receptor necessita para sentir-se e estar em paz consigo mesmo. Nada
deve ser forçado ou apressado. Quando forçarmos algum movimento,
inevitavelmente implicamos que algo está errado e que essa condição
deve ser alterada. A pressa desvaloriza o momento, pois passa a
mensagem que alguma outra coisa é mais importante do que o que está
ocorrendo agora.
Ao invés dessas implicações negativas,
ofereça aceitação. Lembre se que o praticante é um doador. Passe
para seu parceiro, através de seu toque e de sua presença, que ele é
belo, é amado e é aceito do jeito que é. Mas acima de tudo, sinta-se
assim em relação a você mesmo. Não é esta a mensagem que todos nós
queremos ouvir e receber ao longo dos anos? No fundo, não é isso que
lutamos para receber através de nossas conquistas? Podemos e devemos
enviar essa mensagem a nós mesmos, antes de a qualquer outra pessoa.
Um tratamento terno pode também ser
‘brincalhão’, sugerindo assim que pode haver um comportamento mais
leve e livre em um corpo tão ‘sério’ como o nosso. Dê a seu parceiro
a oportunidade de escolher esta opção de tratamento ou
não, ao invés de forçá-la ou tentar quebrar uma resistência a ela. A
resistência é algo que tem que ser superado por escolha própria, e
você, enquanto doador, pode somente abrir a porta: cabe ao receptor
passar por ela. O papel do doador é o de focar a atenção e criar a
consciência do receptor, a quem caberá a escolha de relaxar e
entregar-se.
Esta é a razão de os alongamentos serem
geralmente executados lenta e gentilmente, para dar tempo à
conscientização e à escolha. Segue-se, então, que todos os
movimentos sejam executados do mesmo modo, cabendo aqui uma exceção:
o cliente que já está aberto à entrega, e que escolheu a aquaterapia
pelo simples prazer e felicidade que esta lhe proporciona. Neste
caso, os medos já foram ultrapassados e a entrega ao poder da
terapia e ao fluir da mesma pode ser livremente experimentada. É
interessante como somos diferentes uns dos outros: a maneira como
encaramos os caminhos que percorremos e o que nos é benéfico em um
dado dia parecem determinar nosso fluir contínuo.
Os
Princípios da Seqüência
A aquaterapia é
criativa em sua essência, permitindo uma gama ampla de expressões
individuais. Independentemente do estilo ou da seqüência que os
alunos-praticantes aprendam inicialmente, eles conseguem rapidamente
desenvolver sua própria abordagem ao trabalho, imprimindo adequações
à sua psique, temperamento e preferências individuais. Eles
descobrem seus movimentos próprios e incorporam outras modalidades
de trabalho corporal às suas sessões.
A água permite uma
fácil adaptação, ‘moldando-se’ à expressão de estilos híbridos. A
forma pela qual Watsu foi criado foi a própria síntese entre o
Shiatsu e o elemento aquático. Apesar de o trabalho na água ser
relativamente recente, nota-se entre os praticantes uma variedade de
estilos. Alguns enfatizam mais o Shiatsu original, enquanto que
outros integram a aquaterapia à fisioterapia, a técnicas utilizadas
sobre os tecidos conjuntivos, à polaridade, ao trabalho sobre o
crânio e o sacro ou ainda a algum trabalho sobre processos
emocionais. O movimento em si constitui minha área de interesse e
minha contribuição aos praticantes.
Ao término deste
curso você provavelmente selecionará o que lhe atende melhor, e a
partir de então poderá explorar outras possibilidades mais a fundo.
De todo modo, uma compreensão do que eu defino como os "Princípios
da Seqüência" ou a lógica da execução de uma sessão ajuda-lo-á a
compreender e a embasar sua prática futura. Determinadas
características e necessidades anatômicas, fisiológicas, emocionais
e até mesmo espirituais devem ser levadas em consideração.
Geralmente, os receptores seguem progressões similares e que se
justapõem aos movimentos; estas progressões podem ser previstas e
devem ser observadas.
Adapte-se a cada
cliente
Os mestres Zen
da cerimônia do chá do Japão antigo costumavam dizer: "Este
nosso encontro ocorrerá somente uma vez em todas as nossas
vidas!" . Cada sessão, do mesmo modo, constitui um encontro
único entre quem o cliente e o praticante são naquele momento.
Quaisquer outras sessões entre as mesmas duas pessoas jamais
serão as mesmas. O objetivo de se ensinar as seqüências reside
na aquisição da técnica. O relacionamento verdadeiro inspira-se
no ser e no estar do parceiro. e nos seus limites.
Conheça seus próprios limites
Talvez não
consigamos – ou até mesmo não queiramos – trabalhar com todos os
clientes que nos procurem. Nossa constituição física, nossa
força e nosso temperamento podem permitir nosso trabalho com
alguns clientes mas não com outros. Certos movimentos podem nos
ser desconfortáveis ou penosos, ou simplesmente não se
encaixarem com nosso estilo ou preferências. Respeite suas
características individuais e seja honesto com você mesmo.
Boa sorte na piscina!
A piscina é o
ambiente perfeito para a aquaterapia. As condições da piscina
variam, desde um grau ‘sublime’ até algo que poderia ser visto
como ‘ridículo’. Seu trabalho com um cliente será afetado pela
temperatura da água, pelo sol, vento, chuva, barulhos,
profundidade da água, tração exercida pelo fundo, inclinação do
fundo, tamanho e formato da piscina, e pela presença – ou não –
de outras pessoas em suas próprias sessões, nadando, brincando
ou simplesmente observando.
Permita que a confiança seja
construída
No início de uma
sessão, o receptor precisa se acostumar com o fato de ser
sustentado por e de estar dependente do doador para a água não
chegue a seu nariz. De certo modo, o receptor deposita sua
própria sobrevivência na água nas mãos do doador.
Além disso, se
seu cliente nunca recebeu uma sessão de aquaterapia antes,
existirá a insegurança advinda de não saber o que realmente irá
acontecer. Assim sendo, a construção da confiança é a prioridade
número um de uma sessão. Ela é iniciada com a interação verbal
que precede a sessão, mas será verdadeiramente testada na água.
A construção da
confiança deve se processar através da progressão para níveis
cada vez mais amplos de confiança, culminando no estado de
entrega, o qual constitui, na verdade, um estado de autorização.
A relação entre
esta progressão e a seqüência determina que uma sessão se inicie
suavemente, com o receptor e o doador respirando em sintonia
enquanto ainda estão em pé na piscina ou quando o doador está
flutuando o receptor sem movimento algum. Iniciando-se desta
maneira estaremos permitindo ao doador o tempo necessário para
focar sua atenção e para se ajustar à sustentação e dependência
do doador, algo que não lhe é familiar.
Preste sempre
atenção às regiões cervical e lombar
O ponto
fundamental da técnica é manter a cervical e a lombar alongados
ao invés de hiper-estendidos. Quaisquer movimentos que você
introduza à seqüência devem considerar esta preocupação. Evite
períodos prolongados com falta de sustentação à cabeça ou com
seus pés arrastando-se no fundo da piscina.
Module os alongamentos
Existe um
paralelismo entre a progressão dos níveis de relaxamento de um
cliente durante uma sessão e a progressão da intensidade dos
alongamentos. Deve-se iniciar a sessão com uma exploração do
alcance dos movimentos do cliente, procedendo então a
alongamentos suaves e culminando com alongamentos mais intensos.
Fique atento ao grau de intimidade
As modalidades
aquáticas estão entre as que apresentam um maior grau de
intimidade entre todas as terapias corporais. Diferentemente de
uma massagem sobre uma mesa, o receptor não se encontra afastado
do doador ou ‘protegido’ por um lençol sobre seu corpo. Ele
estará em nossos braços, ora alongando-se, ora aninhado e sendo
conduzido, e seu corpo estará sempre muito próximo do nosso.
Certos
movimentos poderiam ser interpretados como sendo invasivos ou
muito íntimos se executados logo no início de uma sessão; por
outro lado, podem ser confortavelmente prazerosos se executados
após a confiança no doador ter sido estabelecida.
Recomendamos
especial atenção ao contato corporal secundário, e à direção
para qual a cabeça do cliente está voltada no início da sessão.
Recomendamos
também que todos os movimentos onde o praticante se posiciona
entre as pernas do receptor sejam reservados para momentos
posteriores da sessão.
Conduza a sessão sem distrair-se do
seu trabalho
Estados de
transe, visões e memórias da infância, incluindo da vida
intra-uterina, freqüentemente ocorrem durante uma sessão. Por
isso, devemos fazer com que nosso trabalho seja como uma música
da Nova Era tocando ao fundo, a um volume alto o suficiente para
ser ouvido e ‘curtido’ quando quisermos nos concentrar nela, mas
ao mesmo tempo a um volume baixo o suficiente para não nos
distrair de nosso trabalho levando nossa consciência a algum
outro pensamento. Cada um desses extremos pode abruptamente
trazer o cliente de volta ao aqui e agora.
Sendo assim, o
que se faz necessário, é um ‘volume confortavelmente médio’, ou
seja, um ritmo constante e estável, transições suaves,
invisíveis, gentileza de tratamento e cuidado. Seu parceiro
poderá então sentir-se seguro o suficiente para entregar-se
àqueles estados mais profundos do seu ser.
Faça um trabalho equilibrado com
ambos os lados do corpo; proporcione a seu cliente um número
adequado de repetições
Uma sessão de
aquaterapia consiste tipicamente de vários ciclos, cada um deles
constituído por uma fase de vários movimentos que duram alguns
minutos, uma pausa para descanso, e a mesma fase repetindo-se do
outro lado do corpo.
Executar vários
movimentos diferentes em cadeia antes de repetí-los com o outro
lado do corpo faz com que o receptor dificilmente consiga prever
a ordem exata da seqüência; isso acaba desencorajando o cliente
a tentar ocupar sua mente com a seqüência da sessão. Estaremos
também propiciando ao corpo do cliente um trabalho simétrico e
dando ao cliente uma atenção equilibrada, o que evita que a
sessão se torne maçante. Acredito que para todos nós, a vida
parece ser mais interessante quando existe o elemento
imprevisível.
Uma seqüência
equilibrada sempre introduz algo novo a partir do que é familiar
ao cliente. A repetição dos movimentos não deve ser evitada,
pois reporta o cliente a alguns ‘portos seguros’, momentos que
lhe são reconfortantes e familiares, durante os quais ele pode
relaxar ainda mais e entregar-se.
Alguns
movimentos merecem ser repetidos simplesmente pela força de sua
eficácia, por produzirem um maior alongamento ou uma entrega
maior a cada vez que são repetidos.
Pausas
Pausas dentro do
fluir do movimento são absolutamente essenciais. Se não fossem
introduzidas, o receptor se sentiria sobrecarregado com tanto
movimento. Ao flutuar sem movimento ou estando simplesmente
seguro nos braços do doador, o receptor tem a oportunidade de
descansar seu sistema nervoso, de assimilar os estímulos e
integrá-los – de sentir-se, em suma, para então estar preparado
para absorver mais.
Freqüentemente,
descargas de sentimentos podem ser liberadas durante estes
momentos de quietude, pois os efeitos da aquaterapia se propagam
através da psique. Nestas situações, devemos abandonar qualquer
seqüência previamente planejada e dirigir nosso trabalho para
uma modalidade mais ‘carinhosa’, mais reconfortante, a qual
também não deverá desviar a atenção do cliente de seus
sentimentos, e sim silenciosamente encorajá-lo a permanecer com
seus sentimentos. Esta atitude pode manifestar-se através de um
simples ‘colo’ - segurar o receptor em nossos braços, aninhá-lo
contra nosso peito ou massagear o centro do coração ou suas
costas.
Acima de tudo o
cliente precisa sentir a nossa permissão e aceitação, para que
possa sentir e expressar-se. Alguns clientes beneficiam-se
enormemente de um estímulo verbal. Ao mantermos nosso
compromisso de não seguir uma agenda previamente estabelecida,
devemos, como praticantes, não nos envolver com as expressões do
cliente, sejam elas o choro ou o fechar-se em si mesmo, mas
simplesmente estarmos presentes e também prontos a retomar nosso
‘planejamento’ da sessão quando o cliente assim o desejar ou
parecer estar pronto. Todas as transições para a quietude ou
saindo dela devem ser executadas gradualmente e com
sensibilidade
Mantenha o ‘fluir’
Nosso repertório
de movimentos deve compreender um certo número de transições com
as quais possamos subtilmente interligar nossas seqüências.
Nosso objetivo deve ser um estilo com o fluir suave e
ininterrupto, como um tom musical que se eleva e cai na
freqüência e amplitude apropriados mantendo sua continuidade.
Lembre-se sempre de imaginar que seu parceiro esteja dormindo e
você não queira acordá-lo.
Equilibre
posições arqueadas e posições arredondadas
Um ponto que
deve ser claramente entendido é que manter o corpo em uma
posição arqueada (hiper-extensão da espinha e/ou extensão dos
músculos da coxa combinada com flexão do joelho) impõe um certo
grau de estresse, apesar de proporcionar um alongamento e um
trabalho revitalizador nessas áreas. Uma posição desse tipo deve
ser seguida por um movimento que ‘arredonda’ a coluna.
Observamos aqui um princípio milenar do yoga que jamais será
vencido pelo tempo.
Apesar de alguns
clientes pedirem mais e mais posições arqueadas, elas devem ser
utilizadas com moderação. Em Ondas, conduza uma transição
cuidadosa de uma posição ‘arredondada’ para a posição arqueada:
se esta transição for executada muito rapidamente, o cliente
poderá sentir uma ‘fisgada’ ou uma ‘chicotada’, o que causará um
estresse nas articulações intervertebrais.
Encerre a sessão suavemente
Devemos encerrar
uma sessão de tal modo que permita ao cliente permanecer em seu
fluir de sentimentos ou estado de transe. Em termos práticos,
isso significa conduzi-lo de volta à parede e encostá-lo,
estabelecer a ‘ancoragem’ com o fundo da piscina mas sempre
respeitando seu próprio espaço. Ao voltar à posição vertical,
seja sentando-se ou ficando em pé, o cliente imediatamente
perceberá que está na hora de ‘voltar à realidade’ e ao convívio
com os outros. Ao posicionarmos um cliente na vertical estaremos
integrando-o de volta ao mundo do ‘agora’ coletivo.
O equilíbrio da
polaridade no encerramento tem por objetivo ancorar e equilibrar
os fluxos de energia, bem como para estabelecer um nível mais
sutil de consciência do receptor. Ao término de uma sessão,
talvez não nos seja possível determinar com exatidão o estado
psíquico de nosso cliente. Estaremos ajudando-o a ‘voltar à
realidade’ ao oferecer-lhe o tempo, o espaço e a escolha de
terminar a sessão quando e
Canalização
A canalização ocorre
em múltiplos níveis. Fisicamente ela representa uma permissão à
dança, e aos músculos de seu corpo constituírem o ímpeto que
colocará o receptor em movimento. Ao transferir seu peso, afundar e
erguer-se na água, puxar e empurrar o corpo do parceiro, você estará
emitindo sensações que serão recebidas por seu parceiro via contato
corporal direto; essas sensações são experimentadas de maneira
qualitativamente diferente do que se seu parceiro se sentisse um
objeto sendo manejado.
Tal como em uma
massagem sobre uma mesa, quando você se projeta sobre o cliente e
dirige seu peso em um movimento orgânico - contrastado com uma
manipulação com esforço muscular - o receptor terá uma sensação de
conforto maior e poderá relaxar mais facilmente.
Todo movimento
verdadeiro, natural, é canalizado, e surge de diferentes áreas de
nossa psique para revelar nossa verdadeira identidade a nós mesmos.
O movimento dá expressão às emoções mais fortes daqueles aspectos
mais sombrios do nosso ‘eu’ íntimo, bem como às nossas mais elevadas
aspirações e intuições. O movimento também pode ser canalizado
quando há a intenção de utilizá-lo para mover outro corpo, ou de
colocarmos nosso corpo nas mãos de outra pessoa para que esta nos
movimente.
Neste caso, ao invés
de começar uma sessão a partir da conscientização, a sessão será
iniciada com a experiência da unidade. Lao-tzu, autor do Tao de
Ching – obra que constitui um manual para os praticantes de
aquaterapia - levanta o seguinte questionamento: "Você consegue
permanecer imóvel até que a correta ação a ocorrer manifeste-se por
si mesma?" Milton Trager , o criador do „Trabalho Trager", ou
seja, o movimento orientando a terapia de solo, conforme mencionado
anteriormente como uma das influências que contribuíram para A
Dança Curativa, utiliza o termo "fazer o gancho" para descrever
este fenômeno da conexão com o parceiro e com o Tudo.
Uma triangulação é
assim estabelecida, e esta relação é inerentemente mais poderosa do
que uma simples interação entre dois pólos, a qual não
necessariamente incorpora uma assistência. O fluir emerge
interligando os três pólos de uma trindade, cada pólo sendo
receptivo e ativo. Sua receptividade ao espírito gera um fluxo de
energia curativa através de você; a receptividade do parceiro à você
mantém esse fluxo de energia, e quando o "ser" do receptor permite
soltar-se, temos o prazer pleno do espírito. Este é verdadeiramente
o contexto onde a cura ocorre.
Nosso trabalho na
água, então, pode ser visto como incluindo uma dimensão espiritual.
O doador estará canalizando Luz e Amor provenientes de dimensões
mais elevadas, talvez até mesmo trabalhando com um tutor pessoal ou
um mestre da cura.
Utilizando a
visualização e orações você poderá invocar essas energias. Por
exemplo, visualizando você mesmo e o receptor durante toda a sessão
como um pilar de Luz certamente estabelecerá e manterá um contexto
de cura; ou então você pode simplesmente orar para que o receptor
seja auxiliado a abrir-se totalmente para poder receber o que ele
necessita. Este tipo de oração sempre surte efeito.
Apesar de o elemento
aquático favorecer a transmissão direta da energia chi, há
uma tendência de tal energia ser dissipada, exceto nos momentos de
pausa onde há um abraço e onde o praticante está intencionalmente
fornecendo a Polaridade descrita acima. Um aspecto positivo desse
fato é a redução do risco do doador absorver energias ‘negativas’
que estejam sendo liberadas pelo receptor.
No entanto,
considerando-se a proximidade física que caracteriza a aquaterapia,
os dois ‘campos corporais’ ou auras podem fundir-se intimamente
durante o tempo da sessão (geralmente uma hora). Neste caso, seu
próprio bem-estar e contínuo deleite do momento podem funcionar como
um sol radiando durante todos os movimentos, e isto será
instantaneamente percebido e absorvido pelo subconsciente do
receptor. Lembre-se que nós canalizamos o que realmente somos: nossa
energia é única, assim como nossa assinatura, e constitui a ‘marca’
que registramos no mundo. Sendo assim, saiba e diga sempre a você
mesmo que você é belo e amado, e que é parte constituinte de um
universo de amor.
Implícita na
canalização está a atitude de aceitação. Lembre-se que sua intenção
não é mudar o receptor. Simplesmente seja você mesmo, radiando boa
vontade e deixando que os resultados disso ocorram naturalmente.
Dificilmente nos apercebemos de quão profundamente uma sessão afeta
o outro. Talvez consigamos captar muito superficialmente o grau de
entrega que o receptor conseguiu atingir, fugindo-nos o quanto a
pessoa como um todo foi afetada pela sessão. Essa percepção da
entrega, no entanto, constitui um primeiro passo, aquele passo que
imprime o movimento em direção à abertura e à liberdade, o qual irá
aflorar em sua plenitude somente mais tarde.

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