Através de nossa História, toda a literatura que recomenda
“exercícios” durante a gestação é sempre baseada no “senso comum” .
Pesquisas, quando realizadas, nunca concluem exatamente o que ocorre
durante o período gestacional, pois nem médicos, nem pesquisadores,
nem as próprias gestantes querem correr qualquer tipo de risco.
Infelizmente, nenhum padrão de exercícios foi propriamente
desenvolvido para gestantes, e alguns trabalhos domésticos são
extremamente mais árduos do que uma atividades físicas bem
orientadas.
Se, por um lado, a comunidade médica falha em pesquisas concretas e
estabelece programas pré-natais com base puramente científicas, por
outro lado os defensores ferrenhos do esporte promovem programas
específicos desprovidos de bases científicas, de avaliações clínicas
e supervisão médica.
Há varias discussões, em torno da conveniência, ou não, da prática
de atividades físicas durante a gravidez e várias restrições.
A única certeza é a de que nós profissionais, devemos proporcionar a
elas uma atividade física agradável e segura, respeitando a
individualidade de cada gestante e, principalmente, obedecendo a
regras básicas de bom senso.
Temos que ter em mente todo o processo que acontece durante a
gestação e que provoca profundas alterações metabólicas e hormonais,
modificando respostas às atividades físicas.
Mudanças no Organismo
São várias as modificações anatômicas que ocorrem durante o período
gestacional, modificações estas que devemos levar em conta para
efetuarmos qualquer atividade física na gestante.
A parede abdominal é a primeira a sentir as modificações : o útero
tem seu eixo vertical e exige dela uma sustentação total, deslocando
o centro de gravidade da mulher, o que resulta em uma rotação
pélvica e uma progressiva lordose lombar.
A estabilidade acontece
através de um trabalho maior da musculatura e ligamentos da coluna
vertebral. À medida que o volume da barriga aumenta, mais a postura
da gestante se modifica. Com a barriga aumentada, para não cair para
a frente, ela força o glúteo para trás – “arrebitando o bumbum” - ,
o que ocasiona dores e desconfortos nas costas e na região lombar.
Em algumas gestantes, existe uma separação nos músculos do abdômen,
indo metade para cada lado, formando um “vergão” ou linha no meio do
abdômen. Esses “vergões” podem ter coloração que varia do vermelho
ao azulado, dependendo de cada tipo de pele.
A cintura pélvica (o quadril) tem sua mobilidade articular aumentada
em aproximadamente 60%, pois seus ossos, unidos por
fibrocartilagens, sofrem diretamente a ação da relaxina (hormônio
produzido para afrouxar os ligamentos pélvicos). O quadril aumenta
seu tamanho para ampliar o espaço e abrigar o bebê e a gestante para
andar tem que voltar os pés para fora – Marcha Anserina (andar de
pata).
O diafragma (músculo responsável pela atividade respiratória) fica
pressionado pelo aumento uterino, dificultando a respiração da
gestante. O aumento da barriga dificulta a respiração e a própria
Natureza se encarrega de acertar isso, passando a gestante a
respirar mais no peito do que no abdômen, no final da gestação. A
respiração abdominal deve ser treinada para se ter os músculos do
abdômen fortalecidos, oxigenando também o bebê e realizando o
trabalho de relaxamento.
O estômago tem eixo alterado de vertical para horizontal, tornando o
processo digestivo alterado e mantendo por mais tempo a presença de
enzimas digestivas. Durante a gravidez, o estômago desloca-se para
cima e para trás, para poder dar espaço para o bebê; isso ocasiona
bastante mal-estar às gestantes, e para que sintam algum alívio
devem comer pouco e várias vezes ao dia, além de evitar alimentos
ácidos, fortes e condimentados, que possam dificultar ou tornar a
digestão mais demorada.
As glândulas mamárias têm seu volume aumentado, ocasionando uma
maior solicitação dos músculos dorsais e peitorais, além de uma
flexão anterior da coluna cervical aumentada. Com os seios
aumentados pela presença do leite, além de mudanças na postura,
existe um desconforto em manter posições por muito tempo. Por
exemplo, ficar muito tempo em pé ou sentada causa grande desconforto
algumas vezes. Para que isso seja aliviado, deve-se alternar
posturas e sempre que possível alongar-se ou simplesmente
espreguiçar-se.
Alterações metabólicas mais apresentadas no período gestacional
- Aumento no metabolismo basal (uma pessoa não grávida te em
repouso, descansada, seus batimentos cardíacos estabelecidos entre
70 e 80 por minuto; já a gestante, os tem, em repouso, por volta de
80 e 90 em média. Isso já mostra que ela está em freqüente estado de
“exercício”, tendo todo o seu metabolismo alterado. Por isso, o
cuidado deve ser intenso com relação à freqüência cardíaca durante a
atividade física, seja ela qual for, não deixando exceder nunca os
140 bpm).
- Aquisição de gorduras (o ganho de gordura é um fator diferenciado
para cada mulher, dependendo da tendência anterior, da dieta
seguida, dos alimentos ingeridos, mas sempre vai existir. O ideal,
segundo os médicos, é adquirir no máximo 10 quilos durante os nove
meses, se possível, menos de um quilo por mês.
- Retenção hídrica e de sais minerai (os rins, devido a sua
localização próximo ao diafragma, curvam-se para a frente durante a
inspiração – pegar o ar – e voltam ao normal durante a expiração –
soltar o ar. Esses movimentos estimulam a eliminação da urina. Esses
órgãos sofrem profundas modificações, de modo que essa eliminação
fica alterada. Se a urina não for totalmente eliminada, podem
ocorrer os edemas – inchaços – que tanto incomodam a mulher).
- Aumento do consumo de oxigênio (com a gravidez, o consumo de ar é
aumentado em função de ele estar sendo também absorvido pelo bebê,
por isso e também pela respiração, a gestante está sempre muito
cansada).
- Aumento do débito cardíaco, pois uma parte está dirigida a tecidos
não musculares. Com isso, as taquicardias e a mudança nos batimentos
cardíacos são uma constante.
- Declínio da atividade do trato gastrointestinal (é muito comum nas
gestantes as queixas sobre dificuldade no evacuar, presença de gases
e regurgitamento após as refeições; isso acontece pela alteração na
posição dos intestinos, que ficam muito “apertados” com o aumento do
volume da barriga).
- Resistência periférica diminuída (a circulação também é
profundamente alterada pelo aumento do volume uterino, além da
circulação estar sendo mais solicitada para alimentação e
necessidades básicas do bebê).
- Taquicardia acima de 100 bpm, exatamente em função do aumento do
débito cardíaco.
- Alterações no sistema endócrino (aumento na produção de resíduos,
intolerância ao calor, instabilidade emocional). A disfunção nos
hormônios faz com que a gestante seja uma “bomba” de mudanças
hormonais, alterando não só sai emoções, como também a maioria dos
seus hábitos anteriores.
- Aumento da capacidade inspiratória e queda na reserva expiratória,
cerca de 15%. Por isso, durante os exercícios respiratórios, deve-se
sempre pedir para que a gestante solte o ar por mais tempo do que
respire, para eliminar incômodos como tonturas e dores de cabeça.
- Aumento do volume sangüíneo (em torno de 30%) e do volume
plasmático (cerca de 40%). As gestantes costumam ter as mãos e rosto
com coloração modificada em função dessa mudança circulatória.
- A temperatura corporal materna está relacionada diretamente com a
temperatura de feto e pode ser alterada durante as atividades
físicas. Em função disso, o trabalho do profissional deve ser
cuidados não só com a temperatura da água, do ambiente, mas também
com o tipo de atividade executada nos dias mais quentes.
Modificações Gerais no Organismo Feminino Durante a Gravidez
No período gestacional, o aumento de cada célula acontece em função
do acúmulo de líquidos, sais minerais e muitas outras substâncias.
Aumento líquido ocorre no tecido e os vasos sangüíneos e linfáticos
também tem uma considerável alteração de volume (inchaços
constantes).
Os tecido cutâneo e subcutâneo (a pele) distendem-se alterando
consideravelmente a silhueta feminina.
A musculatura, impregnada de líquido, tem seus ligamentos e tendões
afrouxados, os quais se tornam incapazes de funcionar como
sustentadores. Todos os movimentos devem ser cuidadosos, pois existe
um risco maior de lesões nas articulações.
Os tecidos cartilaginosos e ósseos sofrem também modificações, mais
acentuadas, na cartilagem da sínfise púbica, nas articulações
sacro-ilíacas e nos discos intervertebrais, que recebem carga
aumentada durante todo o processo gravídico. Os ossos estão bem mais
frágeis e com seus ligamentos mais frouxos, por isso, não se deve
trabalhar com carga exagerada nos exercícios, para não aumentar os
riscos de lesões.
O aparelho locomotor apresenta dificuldades devido à diminuição da
rigidez do aparelho ligamentoso, o andar da gestante é modificado –
passa a andar com os pés para fora, marcha anserina – e ao ficar
parada passa a empurrar a barriga para a frente ( “arrebitando o
bumbum” ), alterando assim sua postura e fazendo com que sinta dores
e desconfortos.
Recomendações do American College of Obstetrician and
Ginecologist para exercícios no período gestacional
- Prescrição médica. Para qualquer atividade física com gestantes
são necessárias sempre as prescrições e avaliações médicas, sem isso
o profissional estará sujeito a correr risco desnecessários. O
médico deverá especificar as atividades que a gestante não deve
executar e a intensidade ideal para o trabalho.
- Não objetivar o condicionamento físico, não aumentar a atividade
física de antes da gravidez. Não se deve ter como objetivo o aumento
do condicionamento físico, pois com a gestante ocorre exatamente o
inverso: sua resistência inicial tende a diminuir. O ideal é não
aumentar a atividade física ou mantê-la desenvolvida como antes de
engravidar (não deixar para começar a fazer exercícios somente ao
ficar grávida).
- Realizar exercícios que não levem à fadiga, com duração de no
máximo 30 minutos de atividade vigorosa, sempre entre 50% e 70% da
capacidade máxima da gestante. Durante a atividade física com as
gestantes, o cuidado para não cansá-las é essencial e deve ser uma
preocupação constante do profissional; a parte mais “forte” da aula
(parte aeróbia) deve ser de no máximo meia hora e a freqüência
cardíaca não deve exceder a capacidade média individual de cada
aluna.
- Manter a freqüência cardíaca até no máximo 140 bpm; cada gestante
tem seu limite de batimentos cardíacos prescritos pelo médico, de
acordo com seu histórico médico. Algumas devem trabalhar até
máximo110 a 120 bpm (as que têm gravidez consideradas de risco:
hipertensas, idade avançada, placenta prévia.)
- Evitar o aumento na temperatura corporal (evitando lugares muito
quentes e água no máximo a 32 graus no inverno). Durante a atividade
física, a temperatura do corpo tende a subir; se o ambiente ou a
água estiverem muito quentes poderá ocorrer na gestante uma hipertermia (excesso de calor). Além disso, deve-se evitar roupas
muito pesadas ou quentes. Ressalta-se que as diferenças ambientais e
climáticas também devem ser levadas em consideração, bem como a
época do ano: inverno ou verão. Em São Paulo, por exemplo, a
temperatura da água pode ser mais elevada, por volta dos 31 graus no
inverno e 29 no verão; já no Nordeste, deve ser mantida em no máximo
28 graus no inverno e 26 no verão.
- Evitar a perda hídrica durante a atividade física (bebendo água
antes, durante e após as atividades).
- Realizar as atividades de 2 a 3 vezes por semana, no mínimo, com
duração de no máximo 90 minutos.
- Evitar exercícios em gestante que tenham riscos comprovados pelo
obstetra responsável. Por isso, a necessidade da prescrição médica
já mencionada.
- Parar as atividades assim que a gestante apresentar algum sintoma
fora do comum. A gestante deve ser orientada a respeitar seu próprio
corpo e acatar a posição do médico com relação às atividades
liberadas. Qualquer sintoma incomum ou fora dos padrões normais deve
ser imediatamente comunicado pela gestante ao profissional que, se
possível, comunicará ao médico dela, senão deve aconselhá-la a fazer
essa comunicação imediatamente.
- Manter o ritmo cardíaco monitorado, ou seja, estar sempre
controlando a freqüência da gestante, através de equipamentos
específicos para isso, como o Polar (uma cinta colocada na gestante
e que mostrará automaticamente num relógio de pulso os batimentos da
mesma durante a atividade física). Caso não possa contar com essa
tecnologia, o profissional deve controlar as gestantes pela tomada
constante da freqüência, pela própria aluna ou pelo Percept Test
(observação do rosto da aluna, vendo se está com expressão cansada
ou assustada). Temos ainda o Talking Test: por meio de uma ou duas
perguntas, o profissional avaliará pela forma da resposta se a
gestante está ofegante ou não.
Recomendações importantes no trabalho com gestantes
- Evitar alto impacto, mudanças bruscas de direção e exercícios de
duração muito longa.
- Trabalhar o alongamento sem chegar ao limite máximo da
resistência.
- Trabalhar o equilíbrio na água de forma lenta e gradativa.
- Evitar elevações da perna à frente e ao lado muito repetitivamente
(em função do encurtamento da musculatura do quadríceps).
- Evitar flexões e extensões articulares (frouxidão ligamentar).
- Checar o pulso da gestante a cada 5 minutos, durante atividade
cardiovascular.
- Ensinar a forma correta de entrar e sair da água (sempre
utilizando a escada).
- Evitar exercícios com muita amplitude articular (respeitar o
limite individual).
Síndromes mais comuns
- Síndrome do ligamento redondo (sensação de peso e repuxamento nas
laterais da pélvis, aparecendo por alguns dias até que os ligamentos
se adaptem ao aumento do volume uterino).
- Síndrome do túnel do carpo (edema que ocasiona o inchaço nos
pulsos, provocando formigamento e adormecimento nos membros
superiores quando flexionados).
- Diástase do reto abdominal (relaxamento do tecido fibroso que une
os dois retos abdominais no centro do abdômen).
- Síndrome de hipotensão na posição supina (compressão da veia cava
inferior, diminuindo o retorno venoso, causando náuseas, tonturas e
dores de cabeça).
- Hipercifolordose (causada pelo deslocamento do centro de gravidade
para a frente e pelo aumento do volume mamário).
- Cãimbras (causadas pela diminuição de sais minerais, potássio e
cálcio, além de vitaminas A e E, absorvidas pelo bebê).
- Náuseas e refluxo (causados pelo aumento da pressão gastroesofágica e diminuição da resistência do esfíncter).
- Síndrome do plexo braquial (compressão da veia cava, diminuindo o
retorno venoso, alterando a freqüência cardíaca e ocasionando
formigamento dos membros superiores).
- Dor no quadril (a necrose avascular pode ser relacionada com a
contração da coluna lombar e conseqüente irradiação ciática, ou com
a própria necrose avascular da cabeça do fêmur).
- Dor nas costas (ocasionadas por diversos fatores, tais como
gestações precedentes, peso excessivo, idade, altura e outros vícios
posturais).
- Dor nos joelhos (dor na fase anterior do joelho, aumentada pela flexoextensão ou quando fica muito tempo na posição sentada).
Contra-indicações segundo o A.C.O.G
Relativas
Gestantes que, apesar de apresentarem algum sintoma diferenciado,
têm a permissão médica para a prática da atividade física, sempre
sobre controle médico e cuidados especiais do profissional:
· Hipertensão arterial
· Anemia ou outros distúrbios sanguíneos
· Disfunção tireoidial
· Disritmia cardíaca
· Diabetes
· Obesidade excessiva
· Histórico anterior de vida excessivamente sedentária
· Falta de peso excessiva
· Apresentação pélvica durante o terceiro trimestre
· Placenta prévia
· Infecções generalizadas (garganta, ouvido, gastrointestinais)
Absolutas
Gestantes que não podem realizar atividades físicas de forma alguma,
necessitando em alguns casos de repouso total:
· Diagnósticos de placenta prévia sem acompanhamento médico
· Doenças cardíacas graves e em evidência
· Trabalho de parto prematuro
· Histórico de três ou mais abortos espontâneos
· Tromboflebite
· Hipertensão séria
· Ruptura de bolsa e/ou sangramentos
· Falta de controle pré-natal
Alguns sinais e sintomas que indicam a interrupção da atividade
física:
- qualquer tipo de dor no peito
- contrações uterinas com intervalo pequeno (20 min.)
- perda de líquido (intenso ou leve)
· vertigens e/ou fraquezas
· dificuldade em respirar
· palpitações e/ou taquicardias contínuas
· inchaços que não diminuem
· dor nos quadris ou no púbis
· dificuldade excessiva em caminhar
· dor nas costas intermitentes ou que não aliviam na água ou em
posições confortáveis
· falta ou diminuição nos movimentos do bebê.
O profissional deve orientar a gestante a reconhecer e estar sempre
atenta ao aparecimento de qualquer sintoma diferenciado no seu
dia-a-dia, sempre comunicando a ocorrência ao médico imediatamente.
Vantagens do trabalho aquático na gestação
Durante a gestação a queixa mais comum é a do “corpo pesado”, o que
na água é reduzido, fazendo com que as alunas se sintam realizadas
durante a execução dos exercícios aquáticos, reforçando o lado
psicológico de cada uma.
A flutuação fornece suporte completo a elas, resultando em efeitos
que me terra seriam praticamente impossíveis, ou pelo menos
desconfortáveis.
A liberdade durante a flutuação ajuda a aumentar a amplitude dos
movimentos sem a resistência do atrito, auxiliando a movimentação.
Além disso, com o corpo submerso, o estresse articular também é
diminuído, o que deve ser levado em consideração na execução dos
exercícios de alongamento.
O trabalho aquático produz ainda uma menor incidência de varizes, um
controle maior sobre a freqüência cardíaca materna e fetal, um
aumento na diurese diminuindo a formação de edemas, um controle
sobre o aumento de peso, o aumento da resistência muscular, um
controle postural acentuado e a melhoria na sociabilizarão e
auto-imagem.
Desvantagens do trabalho aquático
Os benefícios superam em muito as desvantagens, porém devem ser
citados para que os profissionais tenham uma maior noção do gruo
especial que têm em suas mãos.
Deve citar:
· A dificuldade na fixação e no isolamento dos movimentos.
· A ansiedade causada em pessoas com medo da água.
· As repetidas saídas da piscina em função do aumento da diurese.
Efeitos terapêuticos da água
Quanto à dor e aos edemas
A água relativamente aquecida reduz a sensibilidade das terminações
nervosas sensitivas, proporcionando a diminuição da dor e, pela ação
da pressão hidrostática a diminuição de edemas.
Quanto à musculatura
A partir do aquecimento muscular, ocorre a diminuição do tônus
muscular, favorecendo o relaxamento e a diminuição dos espasmos
musculares, além do alongamento muscular, fortalecendo e aumentando
a resistência muscular.
Quanto à articulação
Facilita a mobilidade e a manutenção da amplitude articular com
menor esforço.
Quanto ao equilíbrio e esquema corporal
Utilizando-se as propriedades físicas da água, é favorecido o
equilíbrio, a recuperação e a conscientização corporal.
Quanto à reeducação da marcha
A relação entre profundidade e descarga de peso corporal favorece a
etapa de suporte de peso na reeducação da marcha (alterada pela
modificação pélvica). Quanto mais profunda a água, menor a descarga
do peso corporal sobre os membros inferiores.
Os trimestres gestacionais
Primeiro trimestre – “ajustamento”
Confirmada a gravidez, aparecem outros sentimentos como: aceitação
ou rejeição do bebê; capacidade ou não de levar a gravidez à frente;
dúvidas; aumento da necessidade de atenção e carinho: repressão e
identificação com o feto; oscilações de humor como esforço de
adaptação à nova realidade; desejos e vontades; acentuada languidez
e fadiga; intumescimento dos mamilos e micção mais freqüente; além
do aumento do apetite.
Devido à influência dos hormônios, é comum no início da gravidez a
eliminação das enxaquecas em gestantes que apresentavam, antes de
engravidar, esse tipo de problema.
As náuseas e os vômitos apresentados nesse período não têm uma causa
específica, embora sua origem possa ser psicológica e/ou física.
Segundo trimestre – “bons momentos”
Geralmente é o período mais estável no que diz respeito ao lado
emocional, principalmente por haver uma participação mais ativa do
marido (em função de serem percebidos os primeiros movimentos
fetais, pois o bebê pesa aproximadamente 35 gramas e mede mais ou
menos 10 cm).
Nesse período, podem aparecer alterações na sexualidade, com
diminuição da libido (alterações morfológicas, rejeição ao marido,
proteção ao feto e fatores culturais) ou aumento da libido
(congestão pélvica, necessidade de maior proximidade do parceiro e
necessidade de firmar-se sexualmente como a mesma mulher de antes).
O medo da irreversibilidade (volta à antiga forma) é constante, além
da introversão e passividade.
Como sintomas físicos, apresentam-se as náuseas e vômitos, de forma
mais espaçada, e os sintomas de pressão no baixo ventre, além de
azia e ventosidade mais freqüente: hemorróidas e varizes também
aparecem habitualmente.
Terceiro trimestre – “expectativa”
Neste período, a proximidade do parto e mudanças na rotina provocam
na mulher os sentimentos de ambivalência, tais como ter o filho logo
ou prolongar a gravidez, medo da própria morte ou a do bebê, ter
leite em pouca quantidade ou não tê-lo, alterações no tamanho da
vagina, tê-lo mal formado ou doente; fantasias e sonhos completados
por informações alarmistas e a falta de apoio psicológico atuam no
processo emocional da dor.
Aparecem os sentimentos de ciúme ou rivalidade na relação com o
marido, preferência pelo sexo feminino ou masculino.
Nesse período, ocorre o “encaixe” do bebê e as contrações uterinas
apresentam-se de forma mais constante.
A ansiedade é aliviada com o planejamento e preparação para o parto
e a participação do marido tem um papel importantíssimo, bem como a
participação em cursos de preparação para o parto.
Algumas dores na região inferior das costas (lombar) e, às vezes,
próxima ao glúteo, com reflexo nas pernas (ciática), são comuns
nesse último período, pelo aumento excessivo do peso, alterações
posturais e, às vezes, psicologicamente falando, pela ansiedade
final.
Respirações mais importantes a serem trabalhadas
· Respiração torácica: É utilizada somente para conscientização
corporal e dos padrões respiratórios das alunas. Deve ser praticada
com pouca intensidade, se possível, intercalada com outro tipo de
respiração
Técnica respiratória – inspirar pelo nariz lentamente, procurando
expandir o tórax, e expirar lentamente pela boca, como se estivesse
assoprando uma vela.
· Respiração abdominal diafragmática: Deve ser realizada
constantemente, pois favorece a descida do diafragma, aliviando
prisões de ventre, melhorando a oxigenação sanguínea e,
principalmente, proporcionando um relaxamento total.
Técnica respiratória – inspirar pelo nariz de forma gradual e
profunda, dilatando o abdômen, como se fosso uma grande bexiga;
espirara pela boca, sentindo o abdômen esvaziar
· Respiração de bloqueio: Só deve ser praticada a partir do início
do quarto mês até o início do nono mês, interrompendo caso ocorram
possíveis dilatações de colo ou contrações esporádicas.
Técnica respiratória – inspirar profundamente pelo nariz, realizando
a respiração diafragmática; flexionar o pescoço, trazendo o queixo
próximo à região peitoral, e expandir e contrair o abdômen como ser
o ar fosse sair pela vagina. Lembrar sempre de forçar o diafragma a
descer.
Nadar Durante A Gravidez
Os bebês, mesmo ainda no útero materno, ouvem os diálogos dos pais e
aprendem muitas coisas. Por isso, se os pais vivem sempre em
harmonia, trocando palavras de afeto, esperança e amor com certeza
nascerá uma criança sadia e de boa índole conforme o desejo deles.
Num lar de ambiente harmonioso e estimulado, crescem bons filhos.
Durante os nove meses de gravidez, a mulher passa por uma série de
modificações físicas, orgânicas e psicológicas. Que a torna
diferente em todos os sentidos com necessidades e interesses
voltados a esta importante fase de sua vida.
A Natação e a Hidrogestante (ginástica na água para gestante), são
as atividades mais indicadas para atendê-las. Por serem realizadas
no meio liquido, o corpo receberá inúmeros benefícios advindos das
propriedades da água, o que muitas vezes amenizará alguns incômodos
comuns na gravidez (dores lombares, prisão de ventre, inchaço e
outros).
Essas atividades são indicadas apenas para as gestantes que tenham
uma gestação ocorrendo dentro das normalidades, podendo ser
realizadas até nos dias bem próximos do parto. É de suma importância
o médico (Obstetra), liberá-la para as atividades.
Exercitando-se na água a gestante se sentirá bastante segura, uma
vez que estará evitando o risco de queda e de impactos acentuados. O
corpo poderá ser trabalhado por inteiro com uma variedade enorme de
exercícios e praticamente sem perigo de lesões.
Os benefícios trazidos pela prática da Natação ou a Hidrogestante,
durante a gestação são muitos. Podendo destacar os mais importantes:
· Alívio de dores nas costas (tensão);
· Redução do edema de membros;
· Melhora a auto-estima;
· Relaxamento e massagem do corpo;
· Mantém e condicionamento físico durante a gestação, com diminuição
da dor;
· Fortalece a musculatura postural, fazendo com que o peso corporal
seja aliviado e melhor suportado. Dessa forma tornando a Cifolordose
compensatória menos acentuada, melhorando a postura e enorme
sensação de bem-estar;
Um aspecto importante para a gestante e a preparação das mamas para
a amamentação que deve começar antes do bebê nascer. Aconselhando-se
com o médico, e o melhor caminho. Uma pequena exposição das mamas ao
sol, até as 9:00h., por no máximo 10 minutos, ajuda a preparar os
mamilos para as mamadas, prevenindo contra fissuras.
Caso a gestante saiba nadar o professor deverá após o aquecimento,
adotar o estilo Crawl e Costas, com exceção do Borboleta. O Clássico
só na posição de Costas. Evitar mergulho da borda da piscina, pois
são contra-indicados. Um dos aspectos mais positivos desta
modalidade é permitir a participação do companheiro na aula,
incentivando e estimulando a realização dos movimentos, que devera
durara no máximo 45 minutos. Dele depende também o bem nascer da
criança, fruto do bem estar da mãe. Podemos chamar então nosso
trabalho de exercício para a vida que virá. Sofre transformação no
corpo e na mente de um modo geral. Foi-se o tempo em que a gravidez
era vista como uma doença, proibindo e marginalizando a mulher.
Atualmente, ela não só continua com sua rotina diária, como também
se prepara para receber o seu bebê. A estética já não é mais
esquecida, daí uma força de vontade muito grande para mantê-la.
Com benefícios já comprovados a atividade física passa a ter grande
valor para a saúde de gestante e do bebê.
Para a gestante, ser ativa é sinônimo de saúde. Os exercícios
diminuem os efeitos de alguns transtornos e beneficiam também o bebê
com melhor nutrição e oxigenação. Movimentar-se ajuda ainda na
preparação para o parto. O simples fato de estar dentro d’água,
permite que a ação da gravidade atue de forma bem intensa.
Perguntas e respostas:
Onde encontro hidroginastica para gestantes? Simone - Butantã - SP
Olá Simone,
temos notado que o número de locais que atendem com Hidroginástica especificamente para gestantes tem diminuindo. Sabemos que os grandes centros especializados em atendimento à gestante continuam com a atividade e valorizam muito este tipo de prática, no entanto para as academias e centros esportivos é difícil montar turma porque simplesmente depois de um determinado tempo, 9 meses no máximo, a aluna tem que se retirar da aula por motivos óbvios.
Aconselhamos que as pessoas que desejem realizar a Hidroginástica para gestante, busquem uma academia de boa qualidade e converse com o instrutor antes de registrar-se como aluna. Se possível faça uma aula experimental e sinta como o instrutor maneja sua presença na aula, dando exercícios moderados e recomendações específicas. Se possível monitore o batimento cardíaco com um relógio específico para esta finalidade.