Hidrofluagem é a união de técnicas terapêuticas aquáticas juntamente com diversos movimentos próprios, com a finalidade de atingir um alto nível de eficiência e eficácia em tratamentos que requerem uma reestruturação dos tecidos fasciais, podendo ser utilizadas em tratamentos de desordem postural e estrutural, que gerem ou não quadro de dor.

A fluagem, pompagem ou manobra miofascial são recursos terapêuticos utilizados com a intenção de trabalhar em uma espécie de “alongamento” das fáscias, que são estruturas de tecidos conjuntivos que compõem o sistema músculo-esquelético. A fluagem transposta para a piscina terapêutica se faz devido ao auxílio dos princípios físicos terapêuticos do meio fluido:

 


- O calor da água em uma temperatura termoneutra auxilia na extensibilidade dos tecidos fasciais.

- O empuxo facilita a entrega causando um relaxamento da musculatura devido a ausência de gravidade, onde até mesmo a musculatura de postura pode deixar de atuar sem nenhuma tentativa de controle. Auxilia também no suporte total do corpo do paciente e quando na utilização de flutuadores específicos para potencializar a manobra ou movimento.
- A pressão hidrostática mantém as articulações encaixadas, porém livres para receber a terapêutica. Além de auxiliar no aumento da nutrição dos tecidos, devido a estimulação da circulação sanguínea.
- A inércia é utilizada potencializando a manobra de fluagem quando acontece a frenagem do movimento.
- A resistência da água auxilia dando suporte e possibilitando movimentos que seriam impossíveis de serem realizados em solo. Lembramos ainda que atua de forma gentil, dando a medida certa de resistência, sendo esta uma resistência com qualidade isocinética.
- O contato da água em toda a superfície corpórea, ao mesmo tempo, inibe as terminações nervosas, diminuindo as informações nervosas de dor e de estiramento, favorecendo assim, a extensibilidade da fáscia.
- O toque gentil e suave proporcionado ao estar em imersão, aumenta a atividade fisiológica, promovendo maior estiramento e relaxamento, e diminuindo restrições em tecidos mais profundos.

 

 

O aquecimento do tecido conjuntivo mole antes do alongamento aumentará a extensibilidade do tecido encurtado. Músculos relaxam e alongam-se mais facilmente, tornando o alongamento mais confortável para o paciente.

À medida que a temperatura intramuscular aumenta, o tecido conectivo cede mais facilmente ao alongamento passivo e a sensibilidade dos OTG (Órgãos tendinoso de Golgi) aumenta, o que torna mais provável que ele dispare inibindo a tensão muscular. O aquecimento também diminui a possibilidade de microtraumas aos tecidos moles durante o alongamento e desse modo pode diminuir a dor muscular tardia que ocorre após os exercícios.
(Exercícios Terapêuticos – Fundamentos e Técnicas. Caroly Kisner & Lyumm Allen Colbi)

Reestruturação.
Na hidrofluagem, trabalhamos com o alinhamento. Alinhamos a estrutura miofascial, que é do tecido conjuntivo. A fáscia é o órgão da estrutura. As camadas fásciais abrangem o órgão da estrutura, órgão que mantém o órgão de modo apropriado no mundo material tridimencional.


O objetivo da hidrofluagem é ter um sistema energético mais eficiente. Um sistema fascial equilibrado nos confere maior força, melhor direcionamento, habilidades mais eficientes. Força é equilíbrio.


Após as manobras, manipulações e movimentos realizados se faz importante uma reestruturação corporal através de ensinamento de postura adequada. Uma conscientização de retificação das estruturas desalinhadas pode ser oferecida ao pacienta no ambiente da piscina, juntamente com fortalecimento de possíveis regiões corporais de forma estática e isométrica. Esta prática pode ser estendida ao sair da piscina e através de conscientização corporal. Neste momento a interação do paciente é muito importante causando uma transformação do papel de paciente para cliente. Ele irá agora participar da parte ativa do tratamento. Deverá tomar a responsabilidade das correções e da manutenção de seu corpo através desta reestruturação que foi ensinada a ele. Sendo assim responsável pela maior parte do tratamento a partir de então.


Somente quando se obtém a verticalidade do corpo podemos explorar as possibilidades evolutivas da estrutura humana. Quando se perde a verticalidade também se perde aquele algo mais disponíveis aos seres humanos.

 

 

O Processo de Mudança
Inicialmente, não espere que a resposta ao estiramento se mantenha por um tempo longo. Explique essa natureza transitória da mudaná ao paciente para evitar que ele se culpe por não ter mantido a melhora. A alteração postural é mediada pelo sistema nervoso central que deve ser “reeducado” para aceitar e manter essa nova postura que é mais eficiente.

A liberação miofascial rompe a “homeostase” individual. Sempre avise ao paciente que inicialmente ele pode sentir-se um pouco estranho, como se estivesse desalinhado (“torto”). O equilíbrio é alterado conforme a postura torna-se mais simétrica. Inicialmente, o sistema nervoso central reconhece a velha postura como mais confortável e familiar, enquanto a nova postura é mais dolorosa e estranha.

Gradualmente, conforme a postura muda, o sistema nervoso central reconhece a nova postura como sendo mais eficiente, mas um pouco dolorosa e não tão familiar como a anterior. À medida que a postura torna-se menos dolorosa é mantida mais consistentemente. Finalmente, o sistema nervoso central reconhece a nova postura como sendo mais eficiente do ponto de vista energético e também mais confortável, enquanto a velha postura torna-se menos eficiente e dolorosa.


Existe o problema da auto-imagem, a imagem que a pessoa está tentando projetar no mundo. Essa pessoa tem a necessidade inconsciente de projetar uma imagem de “preciso de ajuda, preciso de compreensão, preciso disto e daquilo.” Isto vai ocorrer até o momento em que esta pessoa perceber que existem outras imagens que podem ser mais desejáveis.

 

 

Lei da Facilitação:
Quando um impulso percorre uma série de neurônios e exclui outros, ele tende a tomar o mesmo “caminho” em futuras ocasiões. Cada vez que essa via é percorrida, à resistência à estimulação torna-se menor. Essa lei explica porque você nunca esquece como andar de bicicleta. Da mesma forma, ela explica porque é tão difícil mudar a postura habitual mesmo quando uma postura diferente é necessária devido à alterações físicas do corpo.

Lei da Difusão dos Estímulos:
Uma vez que os centros nervosos tenham sido estimulados, o estímulo espalha-se através de todo o corpo de acordo com a lei de difusão dos estímulos. Não há como afetar uma área do corpo sem afetar o corpo todo, assim, não só a parte física é afetada, como também a parte emocional. Portanto, quando iniciamos um estiramento, uma variedade de respostas emocionais podem ser disparadas no paciente. Assim, a habilidade para se penetrar em outras realidades é denominada intuição.
Um exemplo dessa difusão de estímulos é que as pessoas flexionam-se em busca de segurança emocional. Enrolam-se sobre si mesmas para se proteger. Feldenkrais afirma que o comportamento imaturo, as emoções negativas; pedem flexão e são expressões através de flexões. Quando isto acontece, o indivíduo começa a sofrer de um encurtamento crônico dos músculos flexores. A energia num corpo cronicamente flexionado tem que trabalhar apenas para mantê-lo em pé, necessitando acrescentar constantemente mais energia à seu corpo para mantê-lo em funcionamento. Essa flexão crônica, confere uma sensação de cansaço e de depressão.

Por isso, no tratamento com a utilização da Hidrofluagem são necessárias várias sessões e com determinada constância para que tenha uma boa evolução. Devemos trabalhar dentro, não sobre a pessoa.

Quando o corpo começa a funcionar de modo apropriado, a força da gravidade consegue fluir através dele. Espontaneamente, então, o corpo cura-se a si mesmo.
Assim que você começa a olhar estruturas, descobre que o corpo não é uma unidade. É um agregado de unidades: cabeça, tórax, pelve, pernas, etc. e é esta soma total de unidades que devemos interpretar como unidade singular. De acordo com o modo como estas unidades estão articuladas no corpo, funcionam bem ou menos bem, mal ou muito mal, ou conduzem à morte, sendo a morte entendida como a dissolução do todo.
Podemos modificar o modo como essas unidades se encaixam umas nas outras, graças ao fato de estarem unidas e permanecerem assim pelo tecido conjuntivo; em termos químicos, colágeno. O colágeno é uma substância ímpar. Não existe nada mais que lembre tal substância em sua facilidade de ser modificada pela adição de energia.
O corpo funciona à base de energia, como energia, pela energia; cria a sua própria energia e assimila energia de fora. O corpo é máquina individual de energia. Se você unir as partes da máquina adequada ou inadequadamente, você terá como resultado adição ou subtração de energia da máquina como um todo.
Uma das formas para acrescentar energia é a tração. Outra é a pressão. Quando se faz pressão sobre um determinado ponto, se está literalmente acrescentando energia às estruturas subjacentes.
A gravidade deve ter condição de lidar positivamente com o corpo.

 

 

As fáscias.
A fáscia tem sido descrita como o tecido mais penetrante no corpo, representando uma rede tridimensional da cabeça aos pés. O tecido fascial liga e percorre todo o corpo, as áreas mais espessas transmitem tensão em muitas direções, e sua influência é sentida em pontos distantes, assim como o nó em uma malha pode distorcer a malha, sendo que, qualquer parte da estrutura fascial deformada ou distorcida, pode haver a imposição de tensões negativas em aspectos distantes - e nas estruturas que ela divide, envolve, enreda e suporta, e com a qual se conecta, assim, a congestão ou mau funcionamento de um órgão interno serão sentidos como uma dor localizada, às vezes bastante forte sob pressão da superfície, mesmo num ponto distante da sua origem.
A fáscia é dividida em três camadas. A tela subcutânea ou fáscia superficial que se situa abaixo da derme e é constituída de tecido conectivo frouxo e tecido adiposo. A derme encontra-se conectada à camada subcutânea por fibras que penetram na fáscia superficial. Por sua vez, a fáscia superficial encontra-se conectada aos tecidos subjacentes e órgãos. A fáscia superficial fornece um local para armazenamento de água e gordura, serve como isolante térmico, previne e protege contra deformações mecânicas e serve como um conduto para vasos e nervos.
Á segunda camada é chamada de espaço potencial. Esse espaço pode aumentar devido a edema, sugerindo que a fáscia pode ser estirada ou rompida por qualquer tipo de lesão. A fáscia profunda é um folheto denso de tecido fibroso que separa os músculos em grupos funcionais e que reveste o corpo cobrindo todos seus órgãos. A função da fáscia profunda é permitir o movimento livre dos músculos, preencher os espaços entre os músculos e outros orgãos, fornecer passagens para os vasos e nervos, e em alguns casos servir como pontos de fixação para alguns músculos. A fáscia é essencialmente avascular.
O epimísio, perimísio e endomísio são extensões da fáscia profunda. Estas três divisões da fáscia estendem-se além das células musculares para formar tendões ou aponeuroses, que unem um músculo a outro músculo ou o músculo ao periósteo.
A massa visceral contida na cavidade abdominal encontra-se em perpétuo movimento e há uma membrana que interliga todos os órgãos, o peritônio, que é formado pela fáscia superficial.
O SNC é cercado pelo tecido fascial (dura-máter) que conecta-se ao osso do crânio, de forma que a disfunção desses tecidos pode ter efeitos profundos e disseminados. O Sistema Nervoso está ligado a tecidos e estruturas circundantes e são essenciais para amplitude de movimento normal do sistema nervoso.
A fáscia é essencialmente avascular. As incisões cirúrgicas são feitas frequentemente nos locais onde as fáscias se dobram ou se fundem. A resistência dessas regiões permitem ancoragem firme das suturas e cicatrização segura.

 

 

Funções das Fáscias
A maior parte dos textos de anatomia mostram a fáscia apenas como estruturas que devem ser removidas para que sejam expostos os músculos e os órgãos. Alguns autores, entretanto, colocam a fáscia como um tecido conectivo tão importante como os tendões, ligamentos, cápsula.
Grupos musculares individuais são envolvidos pela fáscia separando um grupo muscular do próximo. O fluido entre as fibras da fáscia atua como lubrificante, permitindo o movimento livre de um músculo em relação ao outro. Bursas são formadas em algumas áreas entre músculos, entre músculo e um tendão, entre um tendão e um osso e mesmo entre a pele e algumas proeminências ósseas.
A fáscia era considerada como um tecido pouco importante, sem ter uma função distinta por si própria. As relações funcionais entre a fáscia e as forças e pressões geradas pela contração muscular são pouco entendidas. :oucos estudos verificaram os efeitos biomecânicos da fáscia sobre os músculos ou exploraram o efeito da remoção da fáscia sobre os músculos e sobre o compartimento ósseo. Quando uma restrição fascial severa ocorre, a fáscia era removida sem se considerar as conseqüências biomecânicas que podem ocorrer em função disso. De fato, a fáscia ajuda a manter a força muscular através de seu papel no controle da pressão e volume muscular. A liberação miofascial, uma alternativa à remoção da fáscia, é frequentemente capaz de diminuir a constrição e a dor que está associada, conhecida como síndrome do compartimento, sem comprometer a força muscular.


 

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