Principal
Principal
Cursos
Loja
Quem Somos
Fotos
Relatos
Contato
Aquadinamic
Aquahealing
Aqualana
Aquamassage
Aquatic Being
Aquawellness
Bad Ragaz
Dolfing healing
Drenagem Linf. Aquática
Feldenkrais Aquático
Fisioterapia Aquática
Fluir Hidro
Halliwick
Healing Dance
Hidrocinesioterapia
Hidrofluagem
Hidroterapia
Hidroterapia em Grupo
Hidroterapia Animal
Hidrot. Recém Nascido
Jahara
Psicomotricidade Aquática
Psicoterapia Aquática
Quiropraxia Aquática
Reflexologia Aquática
Renascimento
Shantágua
Terapia de Flutuação
Terap. Manual Aquática
TO Aquática
Water Dance
Watsu
Ai Chi
Hidro p/ Grupos Especiais
Hidroginástica Gestante
Hidrocapoeira
Natação
Natação de Bebês
Natação terapêutica
Water Bike
Water Pilates
Woga
Agenda Geral
Anuncie Conosco
Aquaboutique CBDA
Artigos
Associações
Assuntos Aleatórias
Atendimentos
Classificados
Comunidades
Curiosidades
Construção de piscina
Eventos afins
Hidroterapia de Cólon
Instituições
Links Amigos
Links
Locais de Atendimento
Mercado de Trabalho
Medo de água
Mídia
Mural
Ofurô
Parto na água
Produção de Sites
Pós Graduação
Salvamento Aquático
Spas
Vídeos
   

Hidrofluagem é a união de técnicas terapêuticas aquáticas juntamente com diversos movimentos próprios, com a finalidade de atingir um alto nível de eficiência e eficácia em tratamentos que requerem uma reestruturação dos tecidos fasciais, podendo ser utilizadas em tratamentos de desordem postural e estrutural, que gerem ou não quadro de dor.

A fluagem, pompagem ou manobra miofascial são recursos terapêuticos utilizados com a intenção de trabalhar em uma espécie de “alongamento” das fáscias, que são estruturas de tecidos conjuntivos que compõem o sistema músculo-esquelético.

 

A fluagem transposta para a piscina terapêutica se faz devido ao auxílio dos princípios físicos terapêuticos do meio fluido:

O calor da água em uma temperatura termoneutra auxilia na extensibilidade dos tecidos fasciais.

O empuxo facilita a entrega causando um relaxamento da musculatura devido a ausência de gravidade, onde até mesmo a musculatura de postura pode deixar de atuar sem nenhuma tentativa de controle. Auxilia também no suporte total do corpo do paciente e quando na utilização de flutuadores específicos para potencializar a manobra ou movimento.
- A pressão hidrostática mantém as articulações encaixadas, porém livres para receber a terapêutica. Além de auxiliar no aumento da nutrição dos tecidos, devido a estimulação da circulação sanguínea.
- A inércia é utilizada potencializando a manobra de fluagem quando acontece a frenagem do movimento.
- A resistência da água auxilia dando suporte e possibilitando movimentos que seriam impossíveis de serem realizados em solo. Lembramos ainda que atua de forma gentil, dando a medida certa de resistência, sendo esta uma resistência com qualidade isocinética.
- O contato da água em toda a superfície corpórea, ao mesmo tempo, inibe as terminações nervosas, diminuindo as informações nervosas de dor e de estiramento, favorecendo assim, a extensibilidade da fáscia.
- O toque gentil e suave proporcionado ao estar em imersão, aumenta a atividade fisiológica, promovendo maior estiramento e relaxamento, e diminuindo restrições em tecidos mais profundos.

O aquecimento do tecido conjuntivo mole antes do alongamento aumentará a extensibilidade do tecido encurtado. Músculos relaxam e alongam-se mais facilmente, tornando o alongamento mais confortável para o paciente.

À medida que a temperatura intramuscular aumenta, o tecido conectivo cede mais facilmente ao alongamento passivo e a sensibilidade dos OTG (Órgãos tendinoso de Golgi) aumenta, o que torna mais provável que ele dispare inibindo a tensão muscular. O aquecimento também diminui a possibilidade de microtraumas aos tecidos moles durante o alongamento e desse modo pode diminuir a dor muscular tardia que ocorre após os exercícios.
(Exercícios Terapêuticos – Fundamentos e Técnicas. Caroly Kisner & Lyumm Allen Colbi)

Reestruturação.
Na hidrofluagem, trabalhamos com o alinhamento. Alinhamos a estrutura miofascial, que é do tecido conjuntivo. A fáscia é o órgão da estrutura. As camadas fásciais abrangem o órgão da estrutura, órgão que mantém o órgão de modo apropriado no mundo material tridimencional.

O objetivo da hidrofluagem é ter um sistema energético mais eficiente. Um sistema fascial equilibrado nos confere maior força, melhor direcionamento, habilidades mais eficientes. Força é equilíbrio.

Após as manobras, manipulações e movimentos realizados se faz importante uma reestruturação corporal através de ensinamento de postura adequada. Uma conscientização de retificação das estruturas desalinhadas pode ser oferecida ao pacienta no ambiente da piscina, juntamente com fortalecimento de possíveis regiões corporais de forma estática e isométrica. Esta prática pode ser estendida ao sair da piscina e através de conscientização corporal. Neste momento a interação do paciente é muito importante causando uma transformação do papel de paciente para cliente. Ele irá agora participar da parte ativa do tratamento. Deverá tomar a responsabilidade das correções e da manutenção de seu corpo através desta reestruturação que foi ensinada a ele. Sendo assim responsável pela maior parte do tratamento a partir de então.

Somente quando se obtém a verticalidade do corpo podemos explorar as possibilidades evolutivas da estrutura humana. Quando se perde a verticalidade também se perde aquele algo mais disponíveis aos seres humanos.

O Processo de Mudança
Inicialmente, não espere que a resposta ao estiramento se mantenha por um tempo longo. Explique essa natureza transitória da mudaná ao paciente para evitar que ele se culpe por não ter mantido a melhora. A alteração postural é mediada pelo sistema nervoso central que deve ser “reeducado” para aceitar e manter essa nova postura que é mais eficiente.

A liberação miofascial rompe a “homeostase” individual. Sempre avise ao paciente que inicialmente ele pode sentir-se um pouco estranho, como se estivesse desalinhado (“torto”). O equilíbrio é alterado conforme a postura torna-se mais simétrica. Inicialmente, o sistema nervoso central reconhece a velha postura como mais confortável e familiar, enquanto a nova postura é mais dolorosa e estranha.

Gradualmente, conforme a postura muda, o sistema nervoso central reconhece a nova postura como sendo mais eficiente, mas um pouco dolorosa e não tão familiar como a anterior. À medida que a postura torna-se menos dolorosa é mantida mais consistentemente. Finalmente, o sistema nervoso central reconhece a nova postura como sendo mais eficiente do ponto de vista energético e também mais confortável, enquanto a velha postura torna-se menos eficiente e dolorosa.

Existe o problema da auto-imagem, a imagem que a pessoa está tentando projetar no mundo. Essa pessoa tem a necessidade inconsciente de projetar uma imagem de “preciso de ajuda, preciso de compreensão, preciso disto e daquilo.” Isto vai ocorrer até o momento em que esta pessoa perceber que existem outras imagens que podem ser mais desejáveis.

Lei da Facilitação:
Quando um impulso percorre uma série de neurônios e exclui outros, ele tende a tomar o mesmo “caminho” em futuras ocasiões. Cada vez que essa via é percorrida, à resistência à estimulação torna-se menor. Essa lei explica porque você nunca esquece como andar de bicicleta. Da mesma forma, ela explica porque é tão difícil mudar a postura habitual mesmo quando uma postura diferente é necessária devido à alterações físicas do corpo.

Lei da Difusão dos Estímulos:
Uma vez que os centros nervosos tenham sido estimulados, o estímulo espalha-se através de todo o corpo de acordo com a lei de difusão dos estímulos. Não há como afetar uma área do corpo sem afetar o corpo todo, assim, não só a parte física é afetada, como também a parte emocional. Portanto, quando iniciamos um estiramento, uma variedade de respostas emocionais podem ser disparadas no paciente. Assim, a habilidade para se penetrar em outras realidades é denominada intuição.
Um exemplo dessa difusão de estímulos é que as pessoas flexionam-se em busca de segurança emocional. Enrolam-se sobre si mesmas para se proteger. Feldenkrais afirma que o comportamento imaturo, as emoções negativas; pedem flexão e são expressões através de flexões. Quando isto acontece, o indivíduo começa a sofrer de um encurtamento crônico dos músculos flexores. A energia num corpo cronicamente flexionado tem que trabalhar apenas para mantê-lo em pé, necessitando acrescentar constantemente mais energia à seu corpo para mantê-lo em funcionamento. Essa flexão crônica, confere uma sensação de cansaço e de depressão.

Por isso, no tratamento com a utilização da Hidrofluagem são necessárias várias sessões e com determinada constância para que tenha uma boa evolução. Devemos trabalhar dentro, não sobre a pessoa.

Quando o corpo começa a funcionar de modo apropriado, a força da gravidade consegue fluir através dele. Espontaneamente, então, o corpo cura-se a si mesmo.
Assim que você começa a olhar estruturas, descobre que o corpo não é uma unidade. É um agregado de unidades: cabeça, tórax, pelve, pernas, etc. e é esta soma total de unidades que devemos interpretar como unidade singular. De acordo com o modo como estas unidades estão articuladas no corpo, funcionam bem ou menos bem, mal ou muito mal, ou conduzem à morte, sendo a morte entendida como a dissolução do todo.
Podemos modificar o modo como essas unidades se encaixam umas nas outras, graças ao fato de estarem unidas e permanecerem assim pelo tecido conjuntivo; em termos químicos, colágeno. O colágeno é uma substância ímpar. Não existe nada mais que lembre tal substância em sua facilidade de ser modificada pela adição de energia.
O corpo funciona à base de energia, como energia, pela energia; cria a sua própria energia e assimila energia de fora. O corpo é máquina individual de energia. Se você unir as partes da máquina adequada ou inadequadamente, você terá como resultado adição ou subtração de energia da máquina como um todo.
Uma das formas para acrescentar energia é a tração. Outra é a pressão. Quando se faz pressão sobre um determinado ponto, se está literalmente acrescentando energia às estruturas subjacentes.
A gravidade deve ter condição de lidar positivamente com o corpo.

As fáscias.
A fáscia tem sido descrita como o tecido mais penetrante no corpo, representando uma rede tridimensional da cabeça aos pés. O tecido fascial liga e percorre todo o corpo, as áreas mais espessas transmitem tensão em muitas direções, e sua influência é sentida em pontos distantes, assim como o nó em uma malha pode distorcer a malha, sendo que, qualquer parte da estrutura fascial deformada ou distorcida, pode haver a imposição de tensões negativas em aspectos distantes - e nas estruturas que ela divide, envolve, enreda e suporta, e com a qual se conecta, assim, a congestão ou mau funcionamento de um órgão interno serão sentidos como uma dor localizada, às vezes bastante forte sob pressão da superfície, mesmo num ponto distante da sua origem.
A fáscia é dividida em três camadas. A tela subcutânea ou fáscia superficial que se situa abaixo da derme e é constituída de tecido conectivo frouxo e tecido adiposo. A derme encontra-se conectada à camada subcutânea por fibras que penetram na fáscia superficial. Por sua vez, a fáscia superficial encontra-se conectada aos tecidos subjacentes e órgãos. A fáscia superficial fornece um local para armazenamento de água e gordura, serve como isolante térmico, previne e protege contra deformações mecânicas e serve como um conduto para vasos e nervos.
Á segunda camada é chamada de espaço potencial. Esse espaço pode aumentar devido a edema, sugerindo que a fáscia pode ser estirada ou rompida por qualquer tipo de lesão. A fáscia profunda é um folheto denso de tecido fibroso que separa os músculos em grupos funcionais e que reveste o corpo cobrindo todos seus órgãos. A função da fáscia profunda é permitir o movimento livre dos músculos, preencher os espaços entre os músculos e outros orgãos, fornecer passagens para os vasos e nervos, e em alguns casos servir como pontos de fixação para alguns músculos. A fáscia é essencialmente avascular.
O epimísio, perimísio e endomísio são extensões da fáscia profunda. Estas três divisões da fáscia estendem-se além das células musculares para formar tendões ou aponeuroses, que unem um músculo a outro músculo ou o músculo ao periósteo.
A massa visceral contida na cavidade abdominal encontra-se em perpétuo movimento e há uma membrana que interliga todos os órgãos, o peritônio, que é formado pela fáscia superficial.
O SNC é cercado pelo tecido fascial (dura-máter) que conecta-se ao osso do crânio, de forma que a disfunção desses tecidos pode ter efeitos profundos e disseminados. O Sistema Nervoso está ligado a tecidos e estruturas circundantes e são essenciais para amplitude de movimento normal do sistema nervoso.
A fáscia é essencialmente avascular. As incisões cirúrgicas são feitas frequentemente nos locais onde as fáscias se dobram ou se fundem. A resistência dessas regiões permitem ancoragem firme das suturas e cicatrização segura.

Funções das Fáscias
A maior parte dos textos de anatomia mostram a fáscia apenas como estruturas que devem ser removidas para que sejam expostos os músculos e os órgãos. Alguns autores, entretanto, colocam a fáscia como um tecido conectivo tão importante como os tendões, ligamentos, cápsula.
Grupos musculares individuais são envolvidos pela fáscia separando um grupo muscular do próximo. O fluido entre as fibras da fáscia atua como lubrificante, permitindo o movimento livre de um músculo em relação ao outro. Bursas são formadas em algumas áreas entre músculos, entre músculo e um tendão, entre um tendão e um osso e mesmo entre a pele e algumas proeminências ósseas.
A fáscia era considerada como um tecido pouco importante, sem ter uma função distinta por si própria. As relações funcionais entre a fáscia e as forças e pressões geradas pela contração muscular são pouco entendidas. :oucos estudos verificaram os efeitos biomecânicos da fáscia sobre os músculos ou exploraram o efeito da remoção da fáscia sobre os músculos e sobre o compartimento ósseo. Quando uma restrição fascial severa ocorre, a fáscia era removida sem se considerar as conseqüências biomecânicas que podem ocorrer em função disso. De fato, a fáscia ajuda a manter a força muscular através de seu papel no controle da pressão e volume muscular. A liberação miofascial, uma alternativa à remoção da fáscia, é frequentemente capaz de diminuir a constrição e a dor que está associada, conhecida como síndrome do compartimento, sem comprometer a força muscular.

 

Alterações na Estrutura Miofascial
As fibras de tecido conectivo que formam a fáscia encontram-se arranjadas aproximadamente em um plano. As fibras correm em diferentes direções parecendo que estão entrelaçadas, sem nenhuma direção predominante. Isso contrasta com os tendões, onde quase todas as fibras possuem a mesma direção. Devido as fibras da fáscia estarem dispostas em todas as direções, a fáscia é distensível em todas as direções para acomodar alterações no volume muscular e permitir estiramento.

A fáscia encolhe quando está inflamada, seu processo de cura é lento devido ao pobre suprimento sanguíneo e pode ser foco de dor devido ao seu denso suprimento nervoso. As fáscias, ao contrário dos músculos, são estruturas que não são propícias a receber alongamento. No entanto elas têm a propriedade de retesar. A técnica de pompagem ou fluagem serve para restituir as condições funcionais normais de suas propriedades.


Quando o corpo não está em alinhamento, a fáscia pode realizar seu trabalho até um ponto crítico. Então, se uma área da fáscia alcançou sua expansão máxima e não pode cobrir a área designada, o restante da fáscia deve mover-se até aquela parte. A distorção da fáscia causa em outra parte do corpo uma compressão pela parede da fáscia que a cobre. Enquanto as outras áreas da fáscia tentam manter pressões iguais em todas as partes do corpo, a fáscia fica totalmente alongada, e acomodações futuras não podem ser feitas. As partes que podem ser comprimidas irão sustentar compressão máxima para compensar aquelas estruturas que não podem ser comprimidas. A única maneira que o corpo pode permanecer ereto contra a gravidade é adotando mais assimetrias posturais.


Os órgãos internos estão interligados e nas disfunções somatoviscerais poderá gerar uma condição dolorosa do músculo, por exemplo, um ponto gatilho nos músculos abdominais podendo causar diarréia e/ou vômitos, as disfunções viscerossomáticas ocorrem quando a musculatura esquelética é afetada por distúrbios viscerais.


Dor referida está relacionada á irritação tanto de estruturas somáticas como viscerais, normalmente referida em uma área á distância do órgão de origem.
As fáscias têm uma grande capacidade de alterar a ADM corporal. Uma alteração local pode causar alterações a distancia, no qual muitas vezes não se da a devida importância,  não tratando o paciente como um todo.

Segundo Bienfait, não há deformidade única, isolada ou localizada; não pode haver correção única, isolada ou localizada. Todo tratamento fisioterapêutico de uma deformidade ou de uma simples limitação articular só pode ser global.
Liberar as restrições miofasciais pode afetar outros órgãos do corpo através da liberação de tensão no grande sistema fascial.

A Fisioterapia manual relacionada ás manobras viscerais são passivas articulares e alongamentos miofasciais para o tratamento de disfunções de órgãos peritoniais e estruturas adjacentes, manobras aplicadas em pacientes com hérnia de hiato sabe-se que os sintomas são melhorados mas que anatomicamente a hérnia não sofre influências.

FÁSCIA

Trabalho realizado por:
Aline Antunes - Bianca - Luciene Vilarino - Sheila Matos

A palavra fáscia designa uma membrana de tecido conjuntivo fibroso de proteção: um órgão (fáscia periesofagiana, fáscia peri e intrafaringiana) ou de um conjunto orgânico (fáscia endocárdica, fáscia parietalis). Fáscia também designa tecidos de nutrição, como a fáscia superficialis, fáscia própria.

As fáscias são formadas de tecido derivado do mesoderma embrionário e estão como base de numerosas técnicas, e para isso, é preciso um atento estudo sobre elas, sendo que aqui, a palavra “fáscia”, ou o estudo dela será visto na globalidade (é assim que a fáscia deve ser vista nas técnicas manuais, como um todo).

Os osteopatas foram os primeiros a ter noção de globalidade. Na verdade, não se trata de várias fáscias e sim de uma fáscia, palavra usada no singular, que designa um grande conjunto membranoso. Tudo está ligado entre si, formando uma continuidade, que nada mais é que a globalidade. É o conjunto tissular de uma única peça, em que se apoiam todas as modernas técnicas de terapia manual. A principal tese é que, a ação da menor tensão sobre qualquer região da fáscia, seja esta tensão ativa ou passiva, irá repercutir em toda a fáscia, ou seja, se temos uma disfunção em um músculo que se insere no pé, esta disfunção formará uma “cadeia” em que irá gerar uma continuidade desta disfunção, podendo causar algias em locais distantes do “verdadeiro” local da disfunção, como na coluna, ou no braço (um músculo interfere no outro). Portanto, se o paciente relata dor na coluna é necessário avaliarmos o paciente como um todo, e não só a sua coluna, já que temos essa noção de globalidade.

Seja qual for o nome que a fáscia leve, ela sempre possui a mesma estrutura de base e representa cerca de 70% dos tecidos humanos. A fáscia é um conjunto de tecido conjuntivo, ou seja, tecido de preenchimento e para um melhor estudo, devemos observar o seguinte:

- Como todo tecido, o conjuntivo é formado por células conjuntivas que se chamam blastos. Nos ossos essa célula é chamada osteoblasto e na cartilagem, condroblastos. Sua fisiologia é de secretar colágeno e elastina, duas proteínas que se renovam, sendo a elastina uma proteína de longa duração e de formação estável e o colágeno uma proteína de curta duração que se modifica durante toda a vida.

O colágeno e a elastina, no interior do tecido constituem fibras (formam uma trama que não se anasomosam): as fibras de elastina instalam-se formando uma rede de malhas largas ao longo de todo tecido; as fibras de colágeno agrupam em feixes conjuntivos. A fibras de colágeno são cimentadas entre si por uma substância mucóide de ligação que tem a propriedade de fixar substâncias retiradas do meio interno. Essas substâncias fazem a especialidade dos diferentes tecidos conjuntivos.

Sabemos que a secreção do colágeno ocorre pela tensão do tecido e, de acordo com a forma da tensão, essa secreção ocorre diferentemente: se o tecido suporta tensões curtas mas recorrentes, as moléculas colaginosas instalam-se em paralelo e as fibras de colágeno e os feixes conjuntivos multiplicam-se ( há uma densificação do tecido, torna-se mais compacto, resistente, mas perde progressivamente sua elasticidade), mas, se a tensão suportada pelo tecido é contínua e prolongada, as moléculas de colágeno e os feixes conjuntivos alongam-se (fenômeno do crescimento).

Não se conhece ainda o que leva à secreção da elastina.

- A “substância fundamental” ocupa todo espaço deixado livre entre as células conjuntivas e é constituída de feixes conjuntivos colaginosos, pela rede de elastina e pelo líquido lacunar.

O líquido lacunar ocupa todos os espaços deixados livres entre as células conjuntivas, os feixes colaginosos e a rede de elastina. O volume desses espaços é função da maior ou menor densificação do tecido. O líquido lacunar é a “linfa intersticial” pois de seu meio os capilares linfáticos retiram os elementos que se transformam em linfa. Trata-se do plasma sangüíneo. A linfa intersticial é sede de uma imensa atividade metabólica, ela encerra um grande número de células nutritivas e um número ainda maior de células macrófagas, o que lhe dá o papel principal de nutrição celular e eliminação. Ou seja, o tecido conjuntivo, em si só, é a sede de grande atividade celular (leucócitos e macrófagos).

O tecido fascial varia em espessura e densidade, de acordo com as solicitações mecânicas, e a quantidade de linfa circulante reduz-se com a densificação do tecido.
 

 Líquidos do meio interior (circulação):

Os líquidos internos circulantes são divididos em sangue, linfa, líquido cefalorraquiano, plasma, etc. Por base, esses líquidos são os mesmos, de acordo com a permeabilidade das membranas e das circunstâncias funcionais, ele circula por todo o corpo levando nutriente e trazendo elementos nocivos, que se regeneram para iniciar o ciclo.

O sangue arterial passa por capilares cada vez mais finos até chegar aos últimos capilares (chamados capilares “fenestrados”). Aqui, o plasma transborda para nutrir os tecidos e passa a ocupar os espaços lacunares (os do tecido conjuntivo) onde começa a eliminação. Da linfa intersticial, os capilares linfáticos extraem os primeiros elementos da linfa que está nos gânglios, e assim, a linfa definitiva volta ao circuito venoso, participando, com isso, do ciclo.

O líquido cefalorraquidiano é ao mesmo tempo plasma e linfa no sistema nervoso. Ele é originário do sangue e a ele retorna.

Tendo a visão da globalidade, da continuidade da fáscia, entendemos como e quanto uma pequena anormalidade do esqueleto ou a menor perturbação articular pode influenciar e repercurtir sobre a circulação dos líquidos corporais. O movimento rítmico da fáscia é o agente mecânico da circulação dos líquidos.

Mesmo tendo a visão da globalidade, para um melhor estudo, subdividimos a fáscia em 3 camadas: superficial, muscular e subserosa.

A) Fáscia Superficial – é o tecido frouxo que se interpõe entre a lâmina superficial da camada muscular e a pele, sua função metabólica é considerável, assegurando a nutrição da camada epitelial da pele. Esta fáscia é embebida de linfa intersticial e ocupa um papel considerável na circulação dos fluídos.


B) Fáscia Muscular – é o esqueleto fibroso. Dá ao corpo sua morfologia. De espessura variável, desdobra-se várias vezes para envolver os músculos superficiais (lâmina superficial), os músculos profundos (lâmina profunda) e emite tabiques intermusculares que separam os músculos em grupos funcionais.

Podemos dizer que a fáscia muscular encontra-se estendida sobre o esqueleto, de modo que algumas inserções são fixas: coluna, esterno, fíbula. Outras ainda estão sobre ossos sesamóides: escápula, patela, sacro.

Assim, podemos ver que qualquer movimento, qualquer deslocamento de uma peça, repercute no conjunto.

C) Fáscia Visceral ou Subserosa – situa-se entre a camada de revestimento interno da fáscia profunda e as membranas serosas que revestem as cavidades do corpo. É muito delgada em algumas áreas (por exemplo, entre a pleura e a parede torácica) e espessa em outras, muitas vezes um coxim gorduroso como o que envolve o rim.

Uma fenda, mais ou menos evidente separa a fáscia subserosa da fáscia profunda, o que permite um grau considerável de movimento, de deslizamento entre as duas fáscias.

CONCLUSÃO

É extremamente importante termos em mente as várias funções da fáscia, além de suas já conhecidas atuações de proteção e sustentação corporal.

A fáscia desempenha outros papéis que são fundamentais para o funcionamento saudável do organismo humano. Entre estas funções podemos citar:

- A função tônica, onde a fáscia fornece tônus ao sistema muscular, mesmo quando este está em repouso, ou sem atividade neuromuscular.

- É parte fundamental do metabolismo do corpo e do mecanismo pelo qual o corpo distribui os fluidos.

- É sede de intensa atividade celular, sendo o campo da ação dos leucócitos e macrófagos (o que lhe confere importância fundamental nos processos inflamatórios).

- É o local onde a gordura é depositada e estocada.

- Íntegra no processo de coordenação motora através da transmissão de tensões.

- Compõe o sistema de drenagem linfática (bomba linfática), fato que lhe confere grande importância, pois quando ocorre inflamações, aderências e restrições que envolvam o tecido fascial, este sistema pode ficar comprometido.



BIBLIOGRAFIA

CAMBIER, J, MASSON, M e DEHEN, H. Manual de neurologia. Ed. Atheneu.

HARRISON. Medicina interna.

MERRITT. Tratado de neurologia.

CYRIAX, J. H., CYRIAX, P. J. Manual de medicina ortopédica de Cyriax. 2ª ed. Ed. Manole

BIENFAILT, Marcel. Bases da Fisiologia da Terapia Manual.

GRAY. Anatomia

GUYTON. Tratado de Fisiologia.

HOPPENFELD. Tratado de neurologia para ortopedistas.

 

Nome: Fabiana Brito

Oi pessoal estou precisando de informações sobre tratamento de Espondilite Anquilosante na água. Dentro dos recursos biohídricos, quais técnicas podem ser aplicadas à Espondilite Anquilosante? Obrigada.

Prezada Fabiana,
não sei se existe algum artigo específico para este caso.
o que sabemos na prática é que interessante utilização de técnicas com mobilização passiva com o intuito de não permitir a rigidez da região acometida, sem provocar lesões, como no caso de técnicas corporais aquáticas como watsu, e aquadinamic.
também se faz necessário movimentação objetivando ganho de força. como bad ragaz e alguns movimentos semelhantes a hidroginástica. irei pesquisar um pouco e ver em que podemos nos aprofundar esta resposta. Faz algum tempo que não atendemos pacientes assim.
Espero que possamos lhe ajudar.
Atenciosamente
Marcelo
 

Oi, Marcelo.

Obrigada pela atenção e pelas informações prestadas!

Sou estudante de fisioterapia (5ºsem.) e preciso apresentar um trabalho sobre tratamento de Espondilite Anquilosante na água, esse trabalho faz parte da minha cadeira de Recursos Fisioterapêuticos Biohídricos, portanto terei que apresentar esse trabalho na piscina aquecida da faculdade. Tenho informações sobre o que é a patologia, que é uma doença reumatológica, que causa contraturas e rigidez muscular, mas não sei bem quais as técnicas mais eficazes para o tratamento da mesma.

Fabiana Brito  

Olá Fabiana,
pelo que pude ver sobre a patologia um dos tratamentos ideais é a hidrofluagem que associa movimentos que provoquem o espaçamentos e mobilização das vértebras de forma gentil mas consistente e sem provocar dor, devido ao respeito pela biomecânica corporal. Além de trabalhar com fortalecimento.
caso necessite de fazer uma apresentação temos um dvd que ainda não está pronto para comercializar mas posso disponibilizar para você. não acredito que somente uma técnica seja suficiente mas você terá que criar uma rotina também com exercícios aeróbicos respeitando o grau do acometimento.
Att.
marcelo roque