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Alterações na Estrutura Miofascial
As fibras de tecido conectivo que formam a fáscia encontram-se arranjadas aproximadamente em um plano. As fibras correm em diferentes direções parecendo que estão entrelaçadas, sem nenhuma direção predominante. Isso contrasta com os tendões, onde quase todas as fibras possuem a mesma direção. Devido as fibras da fáscia estarem dispostas em todas as direções, a fáscia é distensível em todas as direções para acomodar alterações no volume muscular e permitir estiramento.

 A fáscia encolhe quando está inflamada, seu processo de cura é lento devido ao pobre suprimento sanguíneo e pode ser foco de dor devido ao seu denso suprimento nervoso. As fáscias, ao contrário dos músculos, são estruturas que não são propícias a receber alongamento. No entanto elas têm a propriedade de retesar. A técnica de pompagem ou fluagem serve para restituir as condições funcionais normais de suas propriedades.


Quando o corpo não está em alinhamento, a fáscia pode realizar seu trabalho até um ponto crítico. Então, se uma área da fáscia alcançou sua expansão máxima e não pode cobrir a área designada, o restante da fáscia deve mover-se até aquela parte. A distorção da fáscia causa em outra parte do corpo uma compressão pela parede da fáscia que a cobre. Enquanto as outras áreas da fáscia tentam manter pressões iguais em todas as partes do corpo, a fáscia fica totalmente alongada, e acomodações futuras não podem ser feitas. As partes que podem ser comprimidas irão sustentar compressão máxima para compensar aquelas estruturas que não podem ser comprimidas. A única maneira que o corpo pode permanecer ereto contra a gravidade é adotando mais assimetrias posturais.


Os órgãos internos estão interligados e nas disfunções somatoviscerais poderá gerar uma condição dolorosa do músculo, por exemplo, um ponto gatilho nos músculos abdominais podendo causar diarréia e/ou vômitos, as disfunções viscerossomáticas ocorrem quando a musculatura esquelética é afetada por distúrbios viscerais.


Dor referida está relacionada á irritação tanto de estruturas somáticas como viscerais, normalmente referida em uma área á distância do órgão de origem.
As fáscias têm uma grande capacidade de alterar a ADM corporal. Uma alteração local pode causar alterações a distancia, no qual muitas vezes não se da a devida importância,  não tratando o paciente como um todo.

Segundo Bienfait, não há deformidade única, isolada ou localizada; não pode haver correção única, isolada ou localizada. Todo tratamento fisioterapêutico de uma deformidade ou de uma simples limitação articular só pode ser global.
Liberar as restrições miofasciais pode afetar outros órgãos do corpo através da liberação de tensão no grande sistema fascial.

A Fisioterapia manual relacionada ás manobras viscerais são passivas articulares e alongamentos miofasciais para o tratamento de disfunções de órgãos peritoniais e estruturas adjacentes, manobras aplicadas em pacientes com hérnia de hiato sabe-se que os sintomas são melhorados mas que anatomicamente a hérnia não sofre influências.

FÁSCIA

Trabalho realizado por:
Aline Antunes - Bianca - Luciene Vilarino - Sheila Matos

A palavra fáscia designa uma membrana de tecido conjuntivo fibroso de proteção: um órgão (fáscia periesofagiana, fáscia peri e intrafaringiana) ou de um conjunto orgânico (fáscia endocárdica, fáscia parietalis). Fáscia também designa tecidos de nutrição, como a fáscia superficialis, fáscia própria.

As fáscias são formadas de tecido derivado do mesoderma embrionário e estão como base de numerosas técnicas, e para isso, é preciso um atento estudo sobre elas, sendo que aqui, a palavra “fáscia”, ou o estudo dela será visto na globalidade (é assim que a fáscia deve ser vista nas técnicas manuais, como um todo).

Os osteopatas foram os primeiros a ter noção de globalidade. Na verdade, não se trata de várias fáscias e sim de uma fáscia, palavra usada no singular, que designa um grande conjunto membranoso. Tudo está ligado entre si, formando uma continuidade, que nada mais é que a globalidade. É o conjunto tissular de uma única peça, em que se apoiam todas as modernas técnicas de terapia manual. A principal tese é que, a ação da menor tensão sobre qualquer região da fáscia, seja esta tensão ativa ou passiva, irá repercutir em toda a fáscia, ou seja, se temos uma disfunção em um músculo que se insere no pé, esta disfunção formará uma “cadeia” em que irá gerar uma continuidade desta disfunção, podendo causar algias em locais distantes do “verdadeiro” local da disfunção, como na coluna, ou no braço (um músculo interfere no outro). Portanto, se o paciente relata dor na coluna é necessário avaliarmos o paciente como um todo, e não só a sua coluna, já que temos essa noção de globalidade.

Seja qual for o nome que a fáscia leve, ela sempre possui a mesma estrutura de base e representa cerca de 70% dos tecidos humanos. A fáscia é um conjunto de tecido conjuntivo, ou seja, tecido de preenchimento e para um melhor estudo, devemos observar o seguinte:

- Como todo tecido, o conjuntivo é formado por células conjuntivas que se chamam blastos. Nos ossos essa célula é chamada osteoblasto e na cartilagem, condroblastos. Sua fisiologia é de secretar colágeno e elastina, duas proteínas que se renovam, sendo a elastina uma proteína de longa duração e de formação estável e o colágeno uma proteína de curta duração que se modifica durante toda a vida.

O colágeno e a elastina, no interior do tecido constituem fibras (formam uma trama que não se anasomosam): as fibras de elastina instalam-se formando uma rede de malhas largas ao longo de todo tecido; as fibras de colágeno agrupam em feixes conjuntivos. A fibras de colágeno são cimentadas entre si por uma substância mucóide de ligação que tem a propriedade de fixar substâncias retiradas do meio interno. Essas substâncias fazem a especialidade dos diferentes tecidos conjuntivos.

Sabemos que a secreção do colágeno ocorre pela tensão do tecido e, de acordo com a forma da tensão, essa secreção ocorre diferentemente: se o tecido suporta tensões curtas mas recorrentes, as moléculas colaginosas instalam-se em paralelo e as fibras de colágeno e os feixes conjuntivos multiplicam-se ( há uma densificação do tecido, torna-se mais compacto, resistente, mas perde progressivamente sua elasticidade), mas, se a tensão suportada pelo tecido é contínua e prolongada, as moléculas de colágeno e os feixes conjuntivos alongam-se (fenômeno do crescimento).

Não se conhece ainda o que leva à secreção da elastina.

- A “substância fundamental” ocupa todo espaço deixado livre entre as células conjuntivas e é constituída de feixes conjuntivos colaginosos, pela rede de elastina e pelo líquido lacunar.

O líquido lacunar ocupa todos os espaços deixados livres entre as células conjuntivas, os feixes colaginosos e a rede de elastina. O volume desses espaços é função da maior ou menor densificação do tecido. O líquido lacunar é a “linfa intersticial” pois de seu meio os capilares linfáticos retiram os elementos que se transformam em linfa. Trata-se do plasma sangüíneo. A linfa intersticial é sede de uma imensa atividade metabólica, ela encerra um grande número de células nutritivas e um número ainda maior de células macrófagas, o que lhe dá o papel principal de nutrição celular e eliminação. Ou seja, o tecido conjuntivo, em si só, é a sede de grande atividade celular (leucócitos e macrófagos).

O tecido fascial varia em espessura e densidade, de acordo com as solicitações mecânicas, e a quantidade de linfa circulante reduz-se com a densificação do tecido.
 

 Líquidos do meio interior (circulação):

Os líquidos internos circulantes são divididos em sangue, linfa, líquido cefalorraquiano, plasma, etc. Por base, esses líquidos são os mesmos, de acordo com a permeabilidade das membranas e das circunstâncias funcionais, ele circula por todo o corpo levando nutriente e trazendo elementos nocivos, que se regeneram para iniciar o ciclo.

O sangue arterial passa por capilares cada vez mais finos até chegar aos últimos capilares (chamados capilares “fenestrados”). Aqui, o plasma transborda para nutrir os tecidos e passa a ocupar os espaços lacunares (os do tecido conjuntivo) onde começa a eliminação. Da linfa intersticial, os capilares linfáticos extraem os primeiros elementos da linfa que está nos gânglios, e assim, a linfa definitiva volta ao circuito venoso, participando, com isso, do ciclo.

O líquido cefalorraquidiano é ao mesmo tempo plasma e linfa no sistema nervoso. Ele é originário do sangue e a ele retorna.

Tendo a visão da globalidade, da continuidade da fáscia, entendemos como e quanto uma pequena anormalidade do esqueleto ou a menor perturbação articular pode influenciar e repercurtir sobre a circulação dos líquidos corporais. O movimento rítmico da fáscia é o agente mecânico da circulação dos líquidos.

Mesmo tendo a visão da globalidade, para um melhor estudo, subdividimos a fáscia em 3 camadas: superficial, muscular e subserosa.

A) Fáscia Superficial – é o tecido frouxo que se interpõe entre a lâmina superficial da camada muscular e a pele, sua função metabólica é considerável, assegurando a nutrição da camada epitelial da pele. Esta fáscia é embebida de linfa intersticial e ocupa um papel considerável na circulação dos fluídos.


B) Fáscia Muscular – é o esqueleto fibroso. Dá ao corpo sua morfologia. De espessura variável, desdobra-se várias vezes para envolver os músculos superficiais (lâmina superficial), os músculos profundos (lâmina profunda) e emite tabiques intermusculares que separam os músculos em grupos funcionais.

Podemos dizer que a fáscia muscular encontra-se estendida sobre o esqueleto, de modo que algumas inserções são fixas: coluna, esterno, fíbula. Outras ainda estão sobre ossos sesamóides: escápula, patela, sacro.

Assim, podemos ver que qualquer movimento, qualquer deslocamento de uma peça, repercute no conjunto.

C) Fáscia Visceral ou Subserosa – situa-se entre a camada de revestimento interno da fáscia profunda e as membranas serosas que revestem as cavidades do corpo. É muito delgada em algumas áreas (por exemplo, entre a pleura e a parede torácica) e espessa em outras, muitas vezes um coxim gorduroso como o que envolve o rim.

Uma fenda, mais ou menos evidente separa a fáscia subserosa da fáscia profunda, o que permite um grau considerável de movimento, de deslizamento entre as duas fáscias.

CONCLUSÃO

É extremamente importante termos em mente as várias funções da fáscia, além de suas já conhecidas atuações de proteção e sustentação corporal.

A fáscia desempenha outros papéis que são fundamentais para o funcionamento saudável do organismo humano. Entre estas funções podemos citar:

- A função tônica, onde a fáscia fornece tônus ao sistema muscular, mesmo quando este está em repouso, ou sem atividade neuromuscular.

- É parte fundamental do metabolismo do corpo e do mecanismo pelo qual o corpo distribui os fluidos.

- É sede de intensa atividade celular, sendo o campo da ação dos leucócitos e macrófagos (o que lhe confere importância fundamental nos processos inflamatórios).

- É o local onde a gordura é depositada e estocada.

- Íntegra no processo de coordenação motora através da transmissão de tensões.

- Compõe o sistema de drenagem linfática (bomba linfática), fato que lhe confere grande importância, pois quando ocorre inflamações, aderências e restrições que envolvam o tecido fascial, este sistema pode ficar comprometido.



BIBLIOGRAFIA

CAMBIER, J, MASSON, M e DEHEN, H. Manual de neurologia. Ed. Atheneu.

HARRISON. Medicina interna.

MERRITT. Tratado de neurologia.

CYRIAX, J. H., CYRIAX, P. J. Manual de medicina ortopédica de Cyriax. 2ª ed. Ed. Manole

BIENFAILT, Marcel. Bases da Fisiologia da Terapia Manual.

GRAY. Anatomia

GUYTON. Tratado de Fisiologia.

HOPPENFELD. Tratado de neurologia para ortopedistas.

 

Nome: Fabiana Brito

Oi pessoal estou precisando de informações sobre tratamento de Espondilite Anquilosante na água. Dentro dos recursos biohídricos, quais técnicas podem ser aplicadas à Espondilite Anquilosante? Obrigada.

Prezada Fabiana,
não sei se existe algum artigo específico para este caso.
o que sabemos na prática é que interessante utilização de técnicas com mobilização passiva com o intuito de não permitir a rigidez da região acometida, sem provocar lesões, como no caso de técnicas corporais aquáticas como watsu, e aquadinamic.
também se faz necessário movimentação objetivando ganho de força. como bad ragaz e alguns movimentos semelhantes a hidroginástica. irei pesquisar um pouco e ver em que podemos nos aprofundar esta resposta. Faz algum tempo que não atendemos pacientes assim.
Espero que possamos lhe ajudar.
Atenciosamente
Marcelo
 

Oi, Marcelo.

Obrigada pela atenção e pelas informações prestadas!

Sou estudante de fisioterapia (5ºsem.) e preciso apresentar um trabalho sobre tratamento de Espondilite Anquilosante na água, esse trabalho faz parte da minha cadeira de Recursos Fisioterapêuticos Biohídricos, portanto terei que apresentar esse trabalho na piscina aquecida da faculdade. Tenho informações sobre o que é a patologia, que é uma doença reumatológica, que causa contraturas e rigidez muscular, mas não sei bem quais as técnicas mais eficazes para o tratamento da mesma.

Fabiana Brito  

Olá Fabiana,
pelo que pude ver sobre a patologia um dos tratamentos ideais é a hidrofluagem que associa movimentos que provoquem o espaçamentos e mobilização das vértebras de forma gentil mas consistente e sem provocar dor, devido ao respeito pela biomecânica corporal. Além de trabalhar com fortalecimento.
caso necessite de fazer uma apresentação temos um dvd que ainda não está pronto para comercializar mas posso disponibilizar para você. não acredito que somente uma técnica seja suficiente mas você terá que criar uma rotina também com exercícios aeróbicos respeitando o grau do acometimento.
Att.
marcelo roque

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Gambes & Gambes Designer 2008