Psicomotricidade Aquática é
uma das formas de estimular as potencialidades do indivíduo
utilizando a água como
meio, trabalhando a relação do indivíduo com o espaço, com o objeto,
com o outro e consigo mesmo; baseia-se na
criatividade e espontaneidade, e ambas devem surgir naturalmente,
sem serem comandadas.
Para entender melhor a psicomotricidade aquática é necessário
lembrar um pouco sobre a relação do meio líquido com o movimento
enquanto expressão psicomotora do ser humano.
Tem
como base desde a concepção e evolução, quer dizer, no meio
intra-uterino até chegar o nascimento. Sabe-se que o feto está banhado
por um líquido chamado líquido amniótico, o qual está na mesma
temperatura que seu corpo e atravessado permanentemente pelo fluxo
sangüíneo da mãe.
Ao nascer, a criança entra num mundo desconhecido que não está mais em
harmonia com as sensações internas, mas sim, as externas como o contato
das mãos, dos objetos, da temperatura, da luz que na verdade é do outro.
A criança então, busca encontrar um complemento que é a mãe (podendo ser
outro adulto). Essa fusão irá mantê-la protegida e num estado prazeroso.
A água dentro desses aspectos positivos pode auxiliar nesse contato,
nessa fusionalidade. Deve ser utilizada como meio de ação mais global,
através do movimento, e da relação desse indivíduo com o espaço, com o
outro, com o objeto e consigo mesmo.
Trabalhar a psicomotricidade dentro da água é fazer dela e do movimento
uma estimulação para o indivíduo. Com isso, ele aprende a se conhecer e
a se aceitar. A criança não entra na aula e fica apenas brincando sem
planejamento algum, há a necessidade de estudar o seu histórico, de
saber as suas necessidades e frustrações para poder atuar como um meio e
não como um fim.
Nas atividades dentro da água são solicitados os canais exteroceptivos
(sinais do meio externo captados pelos órgãos dos sentidos),
proprioceptivos (situação do corpo no espaço) e interoceptivos (está
ligada à vida orgânica e vegetativa) em diversos níveis.
Para se obter sucesso nas atividades, é preciso planejar o trabalho que
será realizado e estabelecer os objetivos que deverão ser atingidos,
mesmo que não possua uma data preestabelecida para tal. Os conteúdos
trabalhados podem ser funcionais e relacionais.
Em se tratando dos conteúdos funcionais, são destacados como:
coordenação motora global, que possibilita desafios e dificuldades na
água; tônus e postura, que podem ser modificados de acordo com o empuxo
e ação da gravidade; equilíbrio, que também se altera devido a estes
itens; esquema corporal; que bem trabalhado irá ajudar a criança a se
adaptar em relação a espaço e tempo; espaço e tempo propriamente ditos e
estimulação do desenvolvimento cognitivo. Já no aspecto relacional,
observa-se o comportamento do indivíduo diante de diferentes situações,
relacionadas com objetos, espaço, tempo e às pessoas, abordando
conteúdos como criatividade, afetividade, espontaneidade, agressividade
e comunicação.
As Principais indicações para atendimento psicomotor, são:
- Desatenção. Pouca concentração em atividades;
- Postura inadequada;
- Controle inadequado de força - inclusive do lápis no papel.
- Construção inadequada de esquema e imagem corporal;
- Dinâmica lateral indefinida - destro/canhoto;
- Noções inadequada de direção;
- Preensão inadequada do lápis;
- Dificuldade para realizar letra cursiva.
Flávia Gazolli Ferreira CREF 20746-G/SP
Professora de Educação Física e Psicomotricista
No Brasil, a psicomotricidade aquática vai se institucionalizando mais ao nível de pós graduações em Fisioterapia Aquática, Psicomotricidade e/ou por meio de cursos de capacitação. No entanto, apesar de existir uma maior visibilidade social da nossa atuação a sua inserção universitária nos cursos de graduação em Fisioterapia e Educação Física, tem sido escassa.
Concordando com a minha colega Profa Cacilda Velasco, a Psicomotricidade Aquática é uma modalidade ainda muito mal explorada e orientada aos que desejam manter um trabalho especial e totalmente fundamentado em relação ao desenvolvimento humano. Muito se fala a respeito e muito se vê nas piscinas, atividades totalmente recreativas, nomeadas de atividades psicomotoras. Pois psicomotricidade aquática não é natação, fisioterapia aquática e muito menos recreação aquática.
A Psicomotricidade Aquática é um conjunto de ações que utiliza a via de exteriorização corporal como meio de melhorar as relações da pessoa consigo mesma, com o adulto, com a água e na água, com os objetos e com os seus pares, utilizando como meio a experimentação corporal múltipla e variada dentro d´água, a vivência simbólica e as diferentes formas de comunicação e expressão.
Atualmente, existem dois eixos pelos quais a psicomotricidade avança, entretando, eles se diferenciam nas origens, nos objetivos, nas estratégias de intervenção em meio aquático. De um lado está o que se passou a denominar de Psicomotricidade Funcional, isto é, aquele que toma como referência inicial o perfil psicomotriz do indivíduo avaliado a partir de testes padronizados e que se serve de família de exercícios como atividade meio e utiliza os métodos diretivos não deixando espaço à exteriorização da expressividade motriz. De outro, está a Psicomotricidade Relacional, isto é, a abordagem que se sustenta na ação de brincar como atividade meio, ou seja que utiliza o jogo como elemento na sessão no meio aquático. Jogo este que privilegia a criação, a representação e a imaginação. Neste sentido o professor, psicomotricista ou terapeuta deve ter claro quais as estratégias de intervenção que vai adotar no meio aquático quando está diante desta ou daquela pessoa e/ou paciente. Logo, desenvolver o vocabulário psicomotor e resgatar o sentimento lúdico de receptividade, de descoberta e de curiosidade no meio aquático é uma das metas que devem ser atingidas. Pois, brincar é começar a dar sentido às coisas no processo evolutivo de ser capaz de usar um objeto, a água ou uma situação, desde o seu inconsciente. Sendo assim, pode-se dizer que a reabilitação das pessoas que procuram a psicomotricidade aquática não pode ser vista apenas como aplicação de técnicas funcionais fundamentadas em estudos anátomofisiológicos e biomecânicos. Pois como diz João Costa (2008) a reabilitação mesmo motora é essencialmente relacional.
Enfim... “abramos os olhos para enxergar o que as pessoas têm para nos ensinar, sensibilizemos os ouvidos para escutar o que elas vêm nos dizer, tenhamos coragem de assumir e de ser corpo para que possamos nos permitir ser tocado e tocar, sintamos e vivenciemos as expressividades mais autênticas e espontâneas de um ser humano, lutemos pelo fim da desigualdade social, da miséria, da fome e da discriminação, caminhemos de mãos dadas em prol da diversidade humana. Enfim, abracemos o SOL que existe dentro de cada um de nós” Gutierres Filho (2003).
Psicomotricidade no meio aquático e natação adaptada:
A água permite realizar movimentos incríveis que, se fossem realizados fora deste meio, poucas pessoas os fariam! Entrar na água é uma experiência única que fornece a todos a oportunidade de ampliar fisica, mental e psicologicamente as suas capacidades e conhecimentos. Deste modo, a Psicomotricidade no Meio Aquático e a Natação Adaptada surgem, cada vez mais, como um complemento às terapias tradicionais, pois pretendem alcançar a reabilitação motora, funcional, emocional e social do indivíduo, através de um ambiente lúdico, que respeita a individualidade e permite a iniciativa e a independência.
por: Rita Ortigão - Fonte blog : psicomotricidadenomeioaquatico